Indústria de cruzeiros procura caminho para a neutralidade carbónica, mas enfrenta desafios

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A indústria de cruzeiros continua a enfrentar obstáculos significativos no seu objetivo de reduzir drasticamente as emissões de carbono, apesar dos compromissos assumidos e dos avanços tecnológicos em curso. A análise é da National Geographic, que aborda os progressos e limitações do setor num momento em que a pressão regulatória e ambiental se intensifica.

A Cruise Lines International Association (CLIA), que representa cerca de 95% da frota mundial de cruzeiros, mantém o compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2050, mas reconhece que o caminho até lá será complexo. Segundo a publicação, o desafio é particularmente evidente nos cruzeiros de expedição, um segmento em rápido crescimento e com elevado impacto ambiental.

De acordo com dados citados pela National Geographic a partir do State of the Cruise Industry Report 2025, o número de passageiros em cruzeiros de expedição aumentou 22% entre 2023 e 2024. No mesmo período, mais de 120 mil pessoas visitaram a Antártida, um valor que contrasta com os cerca de 6.400 visitantes registados no início da década de 1990. Este tipo de cruzeiro é apontado como um dos segmentos turísticos mais intensivos em carbono, sobretudo devido ao consumo energético associado aos serviços a bordo.

A publicação destaca projetos experimentais que procuram reduzir de forma significativa as emissões, como o Captain Arctic, um navio de expedição com lançamento previsto para 2026, concebido para operar com tecnologias como velas solares, baterias e propulsão elétrica. Segundo os responsáveis citados pela National Geographic, o navio poderá emitir menos 90% de CO₂ face a embarcações convencionais na mesma região.

Ainda assim, especialistas ouvidos pela revista sublinham que a descarbonização do setor enfrenta limitações estruturais, incluindo a escassez de combustíveis alternativos em escala comercial, a lentidão no desenvolvimento de infraestruturas portuárias e a longa vida útil dos navios atualmente em operação. A utilização de combustíveis como o gás natural liquefeito (GNL), embora inicialmente vista como solução intermédia, tem sido alvo de críticas devido às emissões de metano.

A National Geographic refere também o papel crescente da regulação internacional. Medidas como a proibição do uso de combustíveis pesados no Ártico pela Organização Marítima Internacional e a obrigatoriedade de ligação à rede elétrica em porto em vários países europeus a partir de 2030 são apontadas como fatores de pressão para acelerar a transição.

Além da redução de emissões, a publicação chama a atenção para a necessidade de uma abordagem mais ampla à sustentabilidade, que inclua a gestão de resíduos, o combate à poluição por microplásticos e uma relação mais equilibrada com as comunidades locais. Mesmo navios com emissões reduzidas continuam a ter impacto ambiental e social, sobretudo quando transportam milhares de passageiros. “O turismo não vai parar nestas zonas remotas, por isso temos de desenvolver um turismo regenerativo”, afirma Sophie Galvagnon, co-criadora do navio Captain Arctic, citada pela National Geographic.

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