Sábado, Novembro 26, 2022
Sábado, Novembro 26, 2022

SIGA-NOS:

Inflação ameaça empresas do Canal HORECA. AHRESP antecipa trimestre “preocupante”

O atual contexto de inflação, cuja estatística oficial revela aumentos de 27,6% nos produtos energéticos e de 18,9% nas matérias-primas alimentares, está a ter “impactos nefastos” nas empresas da restauração, similares e do alojamento turístico, revela o mais recente inquérito da AHRESP, realizado durante a segunda quinzena de setembro e a primeira de outubro.

Para 71% das empresas da restauração, e para 83% das empresas de alojamento, os custos com matérias-primas aumentaram até 50%, indica o inquérito. “A escassez de produtos essenciais também já se faz sentir nas nossas atividades, conforme referido por 73% das empresas da restauração e por 26% do alojamento”.

Perante este agravamento de custos, “a atualização dos preços de venda foi inevitável“, revela a AHRESP, com 83% das empresas da restauração e 69% do alojamento a aumentarem os seus preços de venda. Na restauração (51%) e no alojamento (45%), o aumento não ultrapassou os 10%.

“Como seria de esperar, ao entrarmos na chamada ‘época baixa’, a retração no consumo já se evidenciou”. No mês de setembro, 54% das empresas de restauração e 49% do alojamento sentiram quebras na faturação até 20%. O inquérito revelou, ainda, quebras significativas, superiores a este intervalo.

Para atenuar os efeitos da inflação, a AHRESP sublinha que tem vindo a propor medidas temporárias, como a aplicação da taxa reduzida de IVA nos serviços de alimentação e bebidas e nas tarifas de energias, gás e eletricidade. “As respostas ao inquérito confirmam a pertinência destas medidas, na medida em que, para a restauração, 89% das empresas confere como prioritária a medida do IVA, e para 81% do alojamento a redução do IVA na energia”.

A AHRESP adverte, ainda, que “a ausência de medidas preventivas, irá provocar um novo aumento de preços, despedimento de trabalhadores e encerramento de empresas“. Na restauração, 68% ponderam aumentar preços, 37% provocar despedimentos e 13% encerrar a atividade. No caso do alojamento turístico, 63% das empresas refere também que terá que aumentar preços, 15% irá avançar com despedimentos e 8% equaciona o encerramento da atividade.

A associação defende que as “perspetivas para o último trimestre do corrente ano são muito preocupantes“. 45% das empresas da restauração e 31% do alojamento, consideram que este último trimestre será pior ou muito pior que o 4º trimestre de 2019.

Além do contexto inflacionista, a AHERSP menciona que a subida das taxas de juros também provocará um forte impacto no rendimento disponível das famílias, “conduzindo inevitavelmente a uma retração no consumo dos nossos serviços”.

“Estamos certos de que o governo, atento à conjuntura e ao seu provável agravamento, procure melhorar o nível de rendimento familiar, como aliás recentemente já aconteceu, evitando o que atrás se referiu. Naturalmente que também se espera que o governo venha a implementar mecanismos que permitam um saudável desenvolvimento das atividades económicas que representamos, assegurando o contributo que o turismo confere à economia nacional”, conclui a associação num comunicado de imprensa enviado esta segunda-feira.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img