O investimento no setor hoteleiro em Portugal atingiu 540 milhões de euros em 2025, o que representa um crescimento de 15% face ao ano anterior, de acordo com dados divulgados esta segunda-feira pela Dils. Só no último trimestre do ano, o volume de investimento em hotelaria ascendeu a 155 milhões de euros, impulsionado pela venda de dois hotéis no Porto e de um ativo considerado prime, a Quinta da Comporta.
O desempenho do segmento hoteleiro enquadra-se num ano positivo para o mercado imobiliário português no seu conjunto. No quarto trimestre de 2025, o investimento totalizou 895 milhões de euros, elevando o volume anual para 2,8 mil milhões de euros, um aumento de 22% em relação a 2024. Segundo a Dils, este valor posiciona-se “10% acima da média dos últimos dez anos”, reforçando “a resiliência e atratividade do setor”.
Durante o último trimestre do ano, verificou-se um regresso mais expressivo do capital nacional, nomeadamente de fundos domésticos, o que se refletiu numa representação de 44% de investimento estrangeiro nesse período. Ainda assim, no balanço anual, o capital internacional manteve um peso dominante, concentrando cerca de 60% do total investido. As estratégias core e value add (investimentos em ativos estáveis e em ativos com potencial de valorização através de melhorias) corresponderam a mais de 70% do volume anual.
Em termos setoriais, “escritórios” lideraram o investimento em 2025, com 39% do total, seguidos de “retalho e hospitality“, ambos com 19%. No conjunto, estes três segmentos representaram mais de 70% do investimento anual e quase 80% do volume registado no último trimestre. Entre as maiores transações do ano destacam-se o Exeo Lumnia, por 120 milhões de euros, a Torre Oriente, por 80 milhões, e a Quinta da Comporta e o Maison Albar – Le Monumental Palace 5*, com valores entre 50 e 60 milhões de euros.
No setor hoteleiro, a Dils sublinha que 2025 ficou marcado “por um crescimento sustentado”, evidenciado, entre outros fatores, por uma transação com o “preço por quarto mais elevado de sempre”, referente ao Cascais Miragem. As yields prime (taxa de retorno de ativos de referência no mercado) mantiveram-se estáveis nos 5,75%.
Ao nível da oferta, o ano registou o maior aumento de quartos dos últimos anos, com a entrada de 2.900 novos quartos no mercado. Apenas no quarto trimestre abriram sete novos hotéis, acrescentando 467 quartos. Entre as principais inaugurações destacam-se unidades de cinco estrelas, como as unidades inauguradas pela The Editory Hotels – The Editory by The Sea Lagos e The Editory Ocean Way Funchal – e o Tivoli Kopke Porto Gaia.
Os dados de procura turística também acompanharam esta evolução. Até novembro de 2025, Portugal registou 82 milhões de dormidas, mais 3% do que no período homólogo, e 33 milhões de hóspedes, um crescimento de 2%. O Reino Unido e a Alemanha mantiveram-se como os principais mercados emissores, embora a Dils destaque “o crescimento significativo do mercado americano”, com um aumento de 7%.
Os indicadores operacionais apresentaram uma dinâmica positiva, com taxas de ocupação em crescimento, embora ainda abaixo dos níveis pré-pandemia. O ADR e o RevPAR mantiveram-se elevados, alcançando, respetivamente, 131€ e 178€ em Lisboa, 133€ e 91€ no Porto e 193€ e 116€ no Algarve.
Para Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal, “os resultados de 2025 confirmam a resiliência e a maturidade do mercado”, sublinhando que, “num contexto económico e geopolítico desafiante, o crescimento do investimento demonstra a confiança contínua dos investidores, nacionais e internacionais”.



