Já não basta sol e praia. Turistas procuram experiências mais autênticas no Mediterrâneo, revela estudo

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O Mediterrâneo continua entre os destinos turísticos mais procurados do mundo, mas as motivações de quem o visita estão a mudar. Em vez de procurarem apenas férias de sol e praia, os viajantes valorizam cada vez mais a autenticidade, o contacto com as comunidades locais e experiências que promovam o bem-estar, conclui o estudo “MGallery Trends 2026: The Mediterranean Briefing”.

Desenvolvido pela MGallery Hotel Collection em parceria com a agência de previsão de tendências de viagens Globetrender, o relatório recém-publicado identifica três tendências que deverão moldar o turismo na região em 2026 e nos próximos anos: microculturas do Mediterrâneo, experiências de “blue mind e o efeito de regresso.

O estudo surge num momento em que o turismo mediterrânico continua a crescer. Dados da ONU Turismo, citados no relatório, indicam que a Europa recebeu 793 milhões de chegadas internacionais em 2025, um aumento de 4% face ao ano anterior, mantendo o sul da Europa mediterrânica entre as regiões com melhor desempenho. A Grécia, por exemplo, recebeu quase 38 milhões de turistas internacionais no ano passado, acima dos 35,95 milhões registados em 2024.

Apesar de o clima, a costa e o estilo de vida continuarem a ser fatores de atração, Maud Bailly, CEO da Sofitel Legend, Sofitel, MGallery e Emblems, afirma que “estamos a assistir a uma clara mudança para experiências mais significativas e emocionalmente orientadas, enraizadas na cultura, no bem-estar e na descoberta”.

Conhecer o Mediterrâneo, um país de cada vez

A primeira tendência identificada pelo estudo, microculturas do Mediterrâneo (Micro-Cultures of the Med), reflete a crescente procura por experiências ligadas à identidade própria de cada cultura. Em vez de encararem o Mediterrâneo como um destino único, definido pelo sol, pela gastronomia e pela vida junto ao mar, os viajantes mostram-se cada vez mais interessados nas tradições, na cultura, na história e na cozinha que distinguem cada país e cada região.

O relatório aponta a Albânia como um dos destinos que está a beneficiar desta mudança. Situado entre a Grécia e a Croácia, o país tem despertado um interesse crescente pela combinação de influências balcânicas e mediterrânicas, pelas tradições de canto polifónico reconhecidas pela UNESCO e pelo desenvolvimento da sua oferta turística. A Albânia é vista pelos viajantes não apenas como um destino acessível, mas também como uma oportunidade para descobrir uma cultura ainda relativamente desconhecida.

Como resume Jenny Southan, fundadora e CEO da Globetrender, “o Mediterrâneo não é uma cultura. São centenas de culturas. É um arquipélago de identidades distintas”.

O mar como fonte de bem-estar

A segunda tendência, experiências de “blue mind” (Blue Mind Experiences), centra-se nos benefícios psicológicos proporcionados pelo contacto com a água. Inspirado no conceito desenvolvido pelo biólogo marinho Wallace J. Nichols, o relatório explica que estar dentro, sobre ou junto da água contribui para um estado mental de maior calma e relaxamento.

Segundo o estudo, esta tendência ganha importância numa altura em que muitos viajantes procuram combater o burnout, o stress e a sobrecarga digital. A investigação citada relaciona a proximidade de espaços azuis com melhorias na saúde mental, enquanto a Organização Mundial da Saúde estima que mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem com problemas de saúde mental.

Em vez de programas intensivos de bem-estar, os viajantes valorizam cada vez mais gestos simples e repetidos, como nadar diariamente, passear de barco ou permanecer longos períodos junto ao mar. 

Para Jenny Southan, “o maior luxo do Mediterrâneo poderá não ser os seus hotéis ou restaurantes. Poderá simplesmente ser o próprio mar”.

Regressar para descobrir mais

A terceira tendência, o efeito de regresso (The Comeback Effect), analisa a evolução das viagens de repetição ao Mediterrâneo. Embora a região continue a ser um dos destinos onde os turistas mais regressam, essas novas visitas deixam de ter como objetivo repetir as mesmas férias.

De acordo com o estudo, quem já conhece um destino sente-se mais confortável para viajar fora da época alta, explorar bairros menos conhecidos e estabelecer uma relação mais próxima com as comunidades e tradições locais. A familiaridade passa, assim, a ser um ponto de partida para novas descobertas. 

Esta tendência é acompanhada pelos dados da European Travel Commission citados no relatório, segundo os quais 90% dos europeus planeiam viajar dentro da Europa durante o verão de 2026. O sul da Europa e o Mediterrâneo continuam a liderar as preferências, concentrando cerca de 60% das intenções de viagem e registando um aumento de 17% na procura.

Na opinião de Jenny Southan, “o Mediterrâneo encontra-se num ponto de viragem. A procura está a atingir níveis recorde, mas, ao mesmo tempo, os viajantes estão a tornar-se mais seletivos na forma como o experienciam”.

“Existe uma preferência crescente por lugares que pareçam mais tranquilos, mais locais e menos expostos ao turismo de massas, o que está a obrigar o setor a repensar a forma como cria valor numa região tão consolidada”, acrescenta.

O relatório conclui que o crescimento do turismo mediterrânico dependerá não apenas da capacidade de atrair novos visitantes, mas também de ajudar os viajantes a construir ligações emocionais mais fortes aos destinos, através da cultura local, da natureza e da redescoberta dos lugares. Neste contexto, os hotéis tendem a posicionar-se cada vez mais como facilitadores de experiências autênticas, assumindo um papel que vai além do alojamento.

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