O mercado português registou um crescimento próximo dos 10% nas visitas a Dubai entre janeiro e novembro de 2025, quase o dobro do crescimento global do destino no mesmo período. Abril de 2025, coincidindo com a Páscoa, foi mesmo “o mês mais forte de sempre” em número de turistas portugueses no emirado, estabelecendo um novo recorde.
Os dados foram apresentados esta quarta-feira, 28 de janeiro, por Mohammed Jassim Fathi, Market Manager International Operations do Dubai Tourism, num encontro com jornalistas.
No total, Dubai recebeu 17,5 milhões de turistas internacionais entre janeiro e novembro de 2025, o que representa um crescimento global de 5% face ao período homólogo. A estadia média dos visitantes situou-se nas 3,7 noites, segundo indicou o responsável.
Segundo Mohammed Jassim Fathi, “globalmente, crescemos 5% em número de visitantes, e para Portugal esse valor é praticamente o dobro”, sublinhando que o mercado português tem vindo a apresentar um crescimento consistente nos últimos anos. Embora os números absolutos por mercado ainda não tenham sido divulgados, o responsável confirmou que os dados acumulados até novembro representam “um recorde” para o destino, aguardando-se a publicação dos resultados finais do ano.
Este desempenho enquadra-se na estratégia definida pela Dubai Economic Agenda D33, lançada com o objetivo de “duplicar o impacto económico do turismo no Dubai” e posicionar a cidade como um dos três principais destinos globais para visitar, viver, trabalhar e investir. Entre as metas do plano contam-se ainda o aumento da produtividade económica em 50% e a consolidação de Dubai como um hub logístico, comercial e financeiro de referência.
“Portugal tem sido uma fonte cada vez mais relevante de visitantes para o Dubai, e o nosso objetivo é continuar a crescer nessa trajetória”
Em 2025, os principais mercados emissores para o destino foram a Índia, a Arábia Saudita, o Reino Unido e a Alemanha, segundo indicou o responsável, que destacou igualmente a crescente relevância de Portugal no contexto europeu.
No que diz respeito especificamente ao mercado português, Mohammed Jassim Fathi salientou tratar-se de “um mercado emissor em crescimento contínuo”, tendência que as autoridades locais pretendem manter através de ações regulares junto do trade e da comunicação social. “Portugal tem sido uma fonte cada vez mais relevante de visitantes para o Dubai, e o nosso objetivo é continuar a crescer nessa trajetória”, afirmou.
O trabalho desenvolvido no mercado português passa por ações de formação, eventos de networking, roadshows e viagens de familiarização dirigidas tanto a agentes de viagens como a órgãos de comunicação social.
Sobre o perfil do viajante português, o responsável identificou três segmentos principais: o viajante de luxo, que procura estadias curtas e experiências de elevada qualidade; o segmento familiar, atraído pela segurança e facilidade de deslocação; e os FITs e casais aventureiros, incluindo viajantes que utilizam Dubai como destino final e não apenas como escala. “Há alguns anos éramos sobretudo um destino de stopover para os portugueses. Hoje, somos cada vez mais um destino final”, referiu.
“Há alguns anos éramos sobretudo um destino de stopover para os portugueses. Hoje, somos cada vez mais um destino final”
Apesar da existência de apenas um voo direto entre Lisboa e o Dubai, operado pela Emirates, o responsável considerou que “neste momento, a capacidade aérea não é um grande desafio”, existindo várias opções de ligação indireta. Ainda assim, reconheceu que, com o aumento da procura, poderá ser necessária uma maior oferta de lugares no futuro.
Entre os fatores que sustentam esta atratividade estão a oferta hoteleira diversificada – com 825 hotéis e mais de 153 mil quartos, dos quais mais de 36% pertencem às categorias de uma a três estrelas – e um custo médio diário que, segundo o responsável, “é inferior ao da maioria das capitais europeias”.
A segurança, a sustentabilidade e a acessibilidade foram também apontadas como argumentos relevantes para o mercado português. Mohammed Jassim Fathi recordou que Dubai foi classificada em 2025 como “o país mais seguro do mundo” e “a cidade mais segura para mulheres que viajam sozinhas”. No campo ambiental, destacou iniciativas como o Dubai Sustainability Stamp, obrigatório para novos hotéis desde 2024.
Relativamente à sazonalidade, explicou que a época alta decorre entre o final de setembro e abril, com picos em dezembro e janeiro. Ainda assim, notou que o verão tem vindo a ganhar relevância, inclusive junto de famílias, beneficiando de tarifas mais competitivas e de infraestruturas adaptadas ao clima. “O verão, que antes era claramente baixa temporada, tem registado crescimento nos últimos anos”, afirmou.
Ao nível das infraestruturas, destacou ainda a expansão em curso do Aeroporto Internacional Al Maktoum (DWC), atualmente operacional, e que deverá assumir um papel cada vez mais central, incluindo a transferência gradual das operações da Emirates. Este desenvolvimento está alinhado com a relocalização progressiva de grandes eventos e feiras internacionais para a área da Expo City, geograficamente mais próxima deste aeroporto.
Por fim, o responsável referiu que, além do turismo de lazer, outros segmentos estão a ganhar peso, nomeadamente o MICE, sublinhando ainda o crescente interesse de cidadãos portugueses em viver e trabalhar em Dubai, em linha com a estratégia D33 de atração de talento e investimento.
“O verão, que antes era claramente baixa temporada, tem registado crescimento nos últimos anos”
Eventos e novidades reforçam oferta turística em 2026

Para 2026, Dubai prepara um calendário alargado de eventos internacionais e a entrada em operação de novos projetos turísticos. Entre os principais destaques estão a edição especial do Art Dubai, que assinala duas décadas de existência entre 17 e 19 de abril, a 30.ª edição da Dubai World Cup, marcada para 28 de março, bem como novas edições da Dubai Fashion Week e do Dubai Fitness Challenge.
No plano da oferta turística, estão previstas várias inaugurações ao longo do ano, incluindo o Grand Meliá Dubai, o Six Senses The Palm, o Dubai Museum of Art (DUMA) e o lançamento de táxis aéreos elétricos para ligações urbanas. A estas juntam-se projetos recentemente concluídos, como o Ciel Dubai Marina, o Jumeirah Marsa Al Arab, a reabertura da Fonte de Dubai e o renovado The Lost World Aquarium.



