Terça-feira, Dezembro 6, 2022
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Michael O’Leary acusa Pedro Nuno Santos de acusações falsas sobre a Ryanair

O presidente da Ryanair, Michael O’Leary, defendeu esta quarta-feira, dia 23,  que o apoio estatal à TAP não é um investimento, mas sim impostos cobrados aos contribuintes “deitados na sanita” da companhia aérea e acusou o ministro Pedro Nuno Santos de dizer “falsidades”.

“[O apoio à TAP] não é um investimento, são impostos deitados na sanita da TAP”, afirmou Michael O’Leary, em conferência de imprensa, refutando o argumento apresentado pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, de que o Estado tem direito a investir na TAP.

“O ministro [Pedro Nuno] Santos tem levado a cabo uma campanha para fazer acusações falsas sobre a Ryanair”, disse o responsável da companhia aérea irlandesa.

O presidente da Ryanair ressalvou que a companhia aérea não tem uma má relação com o Governo português, mas apenas uma relação um pouco conturbada, de momento, com o ministro das Infraestruturas, de quem gostava de receber “um pedido de desculpas” pelas “acusações falsas que tem feito”.

“Nós bloqueámos as ajudas estatais noutros países. […] Nenhum outro ministro criticou a Ryanair como o ministro Santos”, apontou Michael O’Leary, realçando não estar a atacar o governante, mas somente a defender-se das “falsas alegações feitas contra um dos maiores investidores externo em Portugal”.

“Ele [Pedro Nuno Santos] é um político. Está a jogar alguma espécie de ‘carta’ populista. Está preso à ideia de que vai salvar a TAP. […] É um sinal da sua arrogância”, acrescentou.

O responsável disse que a Ryanair também paga impostos em Portugal e, por isso, preferia ver esse dinheiro investido em hospitais, escolas e no aeroporto do Montijo.

“Não queremos ajudas europeias, nós não precisamos de ajudas europeias. Simplesmente achamos que [o investimento na TAP] é um completo desperdício de dinheiro. (…) gostaríamos de ver a TAP a sobreviver, mas precisa de ser muito mais pequena e muito mais eficiente, mas não é”, sublinhou O’Leary.

Em 2020, a TAP voltou ao controlo do Estado português, que passou a deter 72,5% do seu capital, depois de a companhia ter sido severamente afetada pela pandemia de covid-19 e de a Comissão Europeia ter autorizado o auxílio estatal de 1,2 mil milhões de euros.

Já este ano, no final de abril, a Comissão Europeia aprovou um novo e intercalar auxílio estatal de Portugal à TAP, no valor de 462 milhões de euros, para novamente compensar prejuízos decorrentes da pandemia e, segundo a transportadora, garantir liquidez até à aprovação do plano de reestruturação por Bruxelas (que ainda decorre).

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