Quinta-feira, Maio 23, 2024
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Movijovem estima crescimento “muito superior” a 25% com o Programa “Anda Conhecer Portugal”

Em 2023, a Movijovem alcançou um marco histórico ao registar o maior volume de negócios da sua trajetória, atingindo 12 milhões de euros. Numa entrevista ao TNews, Miguel Perestrello, presidente da Movijovem, partilha os fatores que impulsionaram este crescimento expressivo e as expectativas para o futuro. Uma das peças centrais para este ano é a implementação do Programa “Anda Conhecer Portugal”, projetado para promover a descoberta das riquezas culturais e naturais de Portugal entre os jovens, incentivando a mobilidade e o turismo juvenil no país.

Como conseguiram atingir um aumento tão significativo no volume de negócios em 2023?

A Movijovem é uma organização de capitais maioritariamente públicos, que prossegue uma missão social. E, de facto, a nossa missão social é promover a mobilidade e o turismo juvenil, através de dois instrumentos públicos muito importantes: a rede das Pousadas da Juventude, que atualmente conta com 43 – esperamos que, em breve, possamos reabrir a 44ª em Portalegre; o segundo instrumento é o Cartão Jovem, um projeto que nasceu em 1986, numa congregação de vontades de vários países da União Europeia para criar um instrumento que permitisse aos jovens moverem-se pela Europa. Portanto, a nossa missão é social.

De facto, em 2023, crescemos 25% no nosso volume de negócios, em grande parte devido à diversificação da atividade que procuramos realizar, aproveitando, precisamente, a baixa taxa de ocupação de algumas Pousadas da Juventude. Também expandimos um pouco nossa área de atuação, sem nunca deixar de lado a mobilidade e o turismo juvenil, disponibilizando alojamento para estudantes do Ensino Superior no âmbito do plano nacional de alojamento estudantil. Além disso, em 2023, também prestámos apoio às comunidades de migrantes e refugiados que chegaram a Portugal.

Em 2024, prevemos um crescimento ainda maior no volume de negócios, como resultado de projetos que iniciamos em 2023 e que estamos implementando este ano.

“temos um plano de investimentos compilado há cerca de um ano, prevendo a requalificação da rede a longo prazo, com um investimento total de 40 milhões de euros. O plano, identificação e prioridades estão definidos, mas ainda falta o financiamento. Atualmente, estamos a procurar fundos de investimento”

Qual é o plano de expansão para as Pousadas?

Em 2023, reabrimos a Pousada da Guarda, em resposta às necessidades de alojamento estudantil e ao movimento associativo. Esta Pousada estava fechada desde 2012. É uma estrutura pequena, mas que atende às necessidades e à procura da mobilidade juvenil no distrito da Guarda.

Para 2024, a perspectiva é reabrir, ainda este semestre, a Pousada de Portalegre, que também está fechada há alguns anos. Ambas são estruturas integradas no edifício dos serviços desconcentrados do Instituto do Desporto e Juventude. Além disso, realizamos uma reabilitação na Pousada da Guarda e estamos concluindo a de Portalegre. Portanto, essa é a expansão que temos planejada para 2024.

Além disso, temos um plano de investimentos compilado há cerca de um ano, prevendo a requalificação da rede a longo prazo, com um investimento total de 40 milhões de euros. O plano, identificação e prioridades estão definidos, mas ainda falta o financiamento. Atualmente, estamos a procurar fundos de investimento.

A rede de Pousadas é pública. No caso, temos seis pousadas concessionadas a entidades públicas/privadas. Públicas, como os municípios de Braga e Setúbal, em contratos de concessão estabelecidos em 2015. Entidades privadas, como a Serra da Estrela, a Federação de Desportos de Inverno, ou Viseu, com uma associação juvenil. Mais recentemente, a de Melgaço, que foi concessionada num acordo tripartido entre a Movijovem, a Câmara Municipal de Melgaço e o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, para ser totalmente convertida em alojamento estudantil durante o período letivo e em alojamento turístico durante as férias escolares.

Portanto, a rede é totalmente pública, com seis pousadas geridas por entidades públicas/privadas.

“O que está refletido no plano de atividades e orçamento da Movijovem para 2024 não é abrir concessões a entidades privadas, porque entendemos que temos capacidade para gerir as pousadas”

Equacionam, no futuro, colocar algumas Pousadas geridas apenas por privados?

Não. A Movijovem, enquanto entidade de capitais públicos, continua a implementar políticas públicas de juventude e, até o momento, não consideramos essa orientação por parte dos nossos co-contratantes. No entanto, com a nova estrutura governativa, temos uma estrutura específica no Ministério da Juventude, e, portanto, ainda não temos essa perspectiva. O que está refletido no plano de atividades e orçamento da Movijovem para 2024 não é abrir concessões a entidades privadas, porque entendemos que temos capacidade para gerir as pousadas.

Quando preveem iniciar o plano de investimentos?

Neste momento, estamos a concluir o projeto de financiamento em Aveiro. É um financiamento para converter uma residência estudantil, com uma componente turística também, aprovado nas verbas do PRR e com a Agência Erasmus como entidade intermediária.

No que diz respeito às nacionalidades, qual é o público-alvo das Pousadas da Juventude?

Atualmente, o segmento prioritário, ou o mais procurado, são os jovens entre os 18 e os 40 anos. O conceito de juventude está a alarga-se. O Cartão Jovem, inicialmente direcionado para um público-alvo de 12 a 26 anos, aumentou a faixa etária. Portanto, atualmente, o Cartão Jovem é direcionado para jovens até aos 30 anos. Observamos a tendência de que a juventude se estende até mais tarde. Em termos de ocupação das pousadas, o público-alvo é principalmente nacional, com cerca de 60% dos hóspedes sendo nacionais, e a faixa etária predominante é entre 18 e 40 anos, embora o uso das pousadas da juventude não esteja limitado a nenhuma faixa etária.

Há uma diferenciação de preços dependendo da idade?

Há uma diferenciação nos programas sociais que implementamos, ou seja, nos programas sociais direcionados para escolas, movimento associativo e desportivo, com o objetivo de atender à nossa missão de servir a juventude em primeiro lugar.

A Movijovem está presente em feiras internacionais de turismo. Quais são os objetivos de promoção?

A Movijovem está integrada numa rede internacional e, portanto, faz parte da nossa missão acolher turistas estrangeiros. Fazemos parte da Hostelling International, que possui mais de 4.000 unidades de alojamento em 60 países, responsável por mais de 33 milhões de dormidas anuais. Também procuramos servir ou acolher hóspedes estrangeiros. Com isso, queremos que o turista estrangeiro nos ajude a cumprir a nossa missão social, muito voltada para a juventude portuguesa.

Em 2023, houve um aumento de hóspedes estrangeiros?

Observamos um crescimento nessa área. Como mencionei anteriormente, o crescimento dos resultados da Movijovem, tanto financeiramente quanto em ocupação, tem sido sustentado em grande parte pelo aumento da atividade turística do turismo juvenil. Atualmente, 38% da nossa ocupação é estrangeira. Há dois anos, 70% eram portugueses e 30% estrangeiros. Este aumento é resultado do que temos feito no mercado internacional, especialmente no espanhol, o nosso segundo mercado prioritário, seguido pelo alemão, holandês e francês.

Quais são as perspectivas para 2024?

As nossas estimativas estão refletidas no Plano de Atividades e Orçamento para 2024. Esperamos atingir uma taxa de ocupação entre 65% e 70% e aumentar o volume de negócios de 12 para 17 milhões de euros, o que representa um crescimento muito superior em comparação com os 25% de 2023. Apesar de sermos uma entidade pública, operamos apenas com as nossas próprias receitas e não com receitas do Orçamento do Estado.

Programa: “Anda Conhecer Portugal”

Que objetivos estiveram na origem da criação do programa “Anda conhecer Portugal” lançado em 2023 e de que forma contribuiu para a missão da Movijovem?

O objetivo é estimular os jovens a conhecerem o território e promover a mobilidade juvenil. Foi um pedido do Estado à Movijovem para criar um programa de mobilidade em parceria com a CP. O objetivo é que os jovens que terminam o ensino regular obrigatório possam, durante sete dias, através da rede de comboios da CP e com alojamento de seis noites na rede de Pousadas da Juventude, conhecer Portugal. É uma iniciativa que tem sido bem sucedida, apesar de ainda não termos lançado a campanha de comunicação em massa.

Quais os resultados esperados este ano com este programa?

O programa tem um plano de comunicação direcionado para os jovens que terminam o 12º ano em 2024 e também para os que terminaram em 2023. Temos um plano de comunicação com foco em meios online e offline, uma campanha digital voltada para este segmento de mercado, e ações offline que incluem participações em feiras e realização de um roadshow nas escolas secundárias em todo o país e universidades. Estamos a falar de cerca de 115 mil jovens e a nossa expectativa é que entre 35% a 40% desses jovens possam usar efetivamente o programa.

Em 2023, o Cartão Jovem foi revitalizado. Qual foi o propósito?

O Cartão Jovem tem mais de 30 anos. Em 1986, quando foi lançado, não havia muitas entidades ou organizações que oferecessem descontos na área de mobilidade, cultura e desporto, sendo um instrumento muito procurado pela juventude por essas características. Com o tempo, surgiram muitos programas de fidelização que oferecem os mesmos tipos de vantagens que o Cartão Jovem. Portanto, o Cartão Jovem começou a perder atratividade para os jovens e observamos uma queda no número de portadores deste cartão. Por esse motivo, achamos por bem revitalizar o Cartão Jovem. Começámos por lançar um inquérito em larga escala para a população jovem, com o objetivo de entender as suas necessidades. Entrevistámos mais de 10 mil jovens. Com esses resultados, repensamos a estratégia e procuramos novas funcionalidades e parcerias na área de desporto, cultura e mobilidade. Estamos a desenvolver um segundo pilar do Cartão Jovem, o pilar da participação juvenil e cívica. Criamos uma nova estratégia de emissão, associada à digitalização, segmentada em três faixas etárias: dos 12 aos 17, dos 18 aos 24 e dos 24 aos 30 anos. Para permitir uma maior universalização do Cartão Jovem e para que o preço não seja uma limitação ao acesso, tornamos o cartão gratuito.

Já há resultados desta nova estratégia para o Cartão Jovem?

Crescemos mais de 50% no número de jovens aderentes ao Cartão Jovem, com cerca de 157 mil membros em comparação com os 98 mil de 2023.

Há parcerias com empresas de turismo?

Participamos de atividades com entidades públicas, como o Turismo de Portugal e a Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo.

Quais são os desafios que a Movijovem antecipa para 2024?

O grande desafio é alcançar os objetivos delineados para o programa “Anda Conhecer Portugal”, porque isso representa um aumento de cerca de 20% na nossa ocupação. O grande desafio é atrair e mostrar aos jovens portugueses que o programa que preparámos para eles, de forma gratuita, é atrativo, interessante e que através dele podem conhecer Portugal.

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