Quarta-feira, Abril 15, 2026
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“O Algarve continua a ter oferta para todas as carteiras”

O presidente do Turismo do Algarve, André Gomes, rejeita a ideia de que a região se tornou inacessível aos portugueses. André Gomes garante que o mercado nacional continua a ser prioritário e reforça que há oferta para todas as carteiras. Em entrevista, aponta os desafios da promoção interna e critica o caos nas fronteiras.

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Os dados do primeiro quadrimestre deste ano são promissores. Quais são as suas projeções para o verão de 2025?

As nossas expectativas estão em linha com o crescimento consolidado e sustentado que a região tem vindo a registar nos últimos anos. Temos batido recordes todos os anos em comparação com a referência que era 2019. Creio que já podemos deixar essa referência para trás. Por isso, projetamos mais um ano de crescimento sustentado e consolidado.

Esperamos um crescimento moderado, sobretudo ao nível dos indicadores que colocam maior pressão sobre as infraestruturas e o território, nomeadamente o número de hóspedes e dormidas. Mas, acima de tudo, queremos continuar a crescer em valor, ou seja, em termos de proveitos globais, que têm vindo a aumentar a um ritmo superior aos restantes indicadores.

Só no mês de abril, no Algarve, registámos um crescimento superior a 10% no número de hóspedes, com contributos significativos tanto do mercado nacional como do internacional. Em termos de dormidas, voltámos a crescer mais de 11%, e os proveitos aumentaram acima dos 16%. Estes números, agora divulgados, colocam-nos numa trajetória de crescimento positivo para 2025.

“Esperamos um crescimento moderado, ao nível dos indicadores que colocam maior pressão sobre as infraestruturas e o território, nomeadamente o número de hóspedes e dormidas. Mas, acima de tudo, queremos continuar a crescer em valor, ou seja, em termos de proveitos globais”

Os dados evidenciam muito o peso dos mercados externos face ao mercado nacional. No verão passado, houve mesmo uma quebra no mercado interno. O Algarve está a tornar-se inacessível para os portugueses?

Já estamos habituados a essa narrativa. Aliás, como foi evidente no verão passado, com essa ideia de um eventual “divórcio” do Algarve com o mercado nacional, ou de que os turistas nacionais não têm dinheiro para a oferta.

Qual deve ser a leitura correta desses dados?

A leitura que faço é aquela que demonstram os factos. Por isso é que eu falava em “narrativa”, porque, de facto, aquilo que os números efetivos, contabilizados pelo INE, vieram mostrar, contraria essa perceção.

Saliento claramente a questão de “contabilizados”, porque sabemos que não é contabilizado o alojamento local (AL) com menos de 10 camas, e sabemos o quão prejudicial isso é para as contagens destes indicadores no Algarve. Mas, não obstante, dentro daquilo que foi contabilizado pelo INE, relativamente aos quatro meses que compõem o verão, registou-se um crescimento ao nível do mercado nacional.

Portanto, isso contrariou essa narrativa ou perceção de que há um divórcio, ou de que os portugueses deixaram de vir para o Algarve. Aliás, terminámos 2024 com o mercado nacional como o principal mercado do Algarve, tanto em número de hóspedes como em número de dormidas. Continuamos a ter oferta, como costumo dizer, para todas as carteiras. Toda a gente encontra no Algarve uma oferta, seja do ponto de vista do alojamento turístico, seja do ponto de vista da animação, de acordo com aquilo que são as suas possibilidades.

Ainda a propósito do mercado nacional, é com agrado que vemos o reconhecimento da marca Algarve como marca de confiança, por parte dos turistas nacionais, e já consecutivamente há vários anos. Fomos agora mais uma vez reconhecidos a esse nível pela Reader’s Digest.

E, para isso, obviamente, beneficia-nos muito o facto de sermos uma região que tem capacidade e condições para receber turismo durante todo o ano. Como costumamos dizer, o Algarve está logo ali para qualquer português que tenha um fim de semana, um fim de semana prolongado ou até uma segunda habitação, e que venha visitar a região ao longo do ano sempre que tem possibilidade.

 “terminámos 2024 com o mercado nacional como o principal mercado do Algarve, tanto em número de hóspedes como em número de dormidas. O que contraria a narrativa que há um Divórcio com os Portugueses”

Para contrariar essa narrativa, sentem necessidade de reforçar a promoção no mercado nacional? Há algo planeado?

Planeamos dentro daquilo que temos capacidade para fazer, sobretudo do ponto de vista financeiro. Há um aspeto pouco percetível para muitas pessoas: temos muito mais meios para trabalhar o mercado externo do que o interno.

Regiões como o Algarve e Lisboa têm muito menos acesso a fundos comunitários do que outras regiões do país. A dotação financeira para a promoção externa é significativamente superior à disponível para o mercado interno que, segundo a Lei n.º 33, inclui também o mercado interno alargado, como Espanha.

Reconheço que não temos tanta capacidade para trabalhar no mercado nacional como efetivamente poderíamos e deveríamos ter. Ainda assim, continuamos a estar presentes nas principais feiras e encontros do setor em Portugal e em Espanha, e desenvolvemos campanhas de comunicação dirigidas ao mercado nacional todos os anos.

“Reconheço que não temos tanta capacidade para trabalhar no mercado nacional como efetivamente poderíamos e deveríamos ter”

Se tivessem mais meios, fariam mais promoção junto do mercado nacional?

Claro que sim. Gostaria de ter uma presença mais efetiva da marca Algarve no mercado nacional. Mas, dentro do modelo atual de financiamento das Entidades Regionais de Turismo, não temos essa capacidade ao mesmo nível do que temos para a promoção externa.

O novo sistema de controlo de fronteiras tem gerado filas com esperas superiores a quatro horas, afetando sobretudo turistas britânicos e norte-americanos. Até que ponto isto pode comprometer a imagem do destino? Que respostas está o Turismo do Algarve a articular com o Governo e parceiros?

O impacto tem sido evidente. As imagens e notícias dos nossos aeroportos falam por si. Não é um problema exclusivo de Faro, acontece também em Lisboa e, mais recentemente, até no Porto, onde não era habitual.

É lamentável que, após tantos meses de preparação, a implementação deste novo sistema de controlo, da responsabilidade da Segurança Interna, esteja a causar este caos. O que exigimos é que o Governo atue dentro das suas competências. Quanto ao Turismo do Algarve e ao Aeroporto de Faro, temos feito tudo o que está ao nosso alcance para minimizar o impacto.

Recordo que, em anos anteriores, face a constrangimentos, que não estavam ligados a este novo sistema, mas sim à falta de meios da PSP, houve resposta. O aeroporto instalou novas infraestruturas para agilizar os fluxos, e houve reforço dos efetivos com a transição do SEF para a PSP.

Agora, é urgente fazer mais. Nomeadamente, reforçar os meios de apoio a este novo sistema, como o Governo já anunciou. Mas é incompreensível como é que, após tanta preparação, se permite que este sistema entre em vigor nestas condições.

“É lamentável que, após tantos meses de preparação, a implementação deste novo sistema de controlo, da responsabilidade da Segurança Interna, esteja a causar este caos”

Novas marcas internacionais

Nos últimos anos, o Algarve tem assistido à entrada de várias marcas internacionais na hotelaria. O que significa esta mudança para o posicionamento turístico da região?

É um excelente contributo para a nossa estratégia de qualificação da oferta, sobretudo ao nível do alojamento turístico. Temos assistido com agrado à entrada de grandes marcas internacionais e a investimentos significativos.

Diria que 80% a 90% desses investimentos dizem respeito à requalificação de infraestruturas existentes, elevando a qualidade dos serviços e das unidades hoteleiras. Este movimento é impulsionado também pelas novas rotas que temos conquistado, fruto de um trabalho conjunto com o Aeroporto e com o Turismo de Portugal.

Isso ajuda a consolidar o Algarve como um destino de excelência, com uma oferta cada vez mais qualificada.

Ainda podem surgir mais marcas internacionais?

Sim, e é desejável que continuem a surgir, tanto em requalificação como em novos projetos. Se queremos continuar a crescer de forma sustentável, precisamos de novos investimentos, sobretudo que ajudem a gerir os fluxos de pressão turística.

Dou-lhe um exemplo: das 21 milhões de dormidas registadas pelo INE em 2024, cerca de 70% concentraram-se em apenas três concelhos. E mesmo dentro desses concelhos, sobretudo nas zonas costeiras. Esse é o grande desafio: crescer de forma equilibrada e sustentável.

A promoção da sustentabilidade não é contrária crescimento.  Ou seja, nós não temos que deixar de crescer para promover a sustentabilidade do nosso território e da nossa oferta. 

Ainda há margem para mais hotéis e oferta de alojamento?

Sim, há. Tenho conhecimento de novos projetos e investimentos previstos, que vão reforçar esta elevação da qualidade da nossa oferta turística.

“A promoção da sustentabilidade não é contrária crescimento.  Ou seja, nós não temos que deixar de crescer para promover a sustentabilidade do nosso território e da nossa oferta” 

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