Quarta-feira, Fevereiro 8, 2023
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O melhor e o pior de 2022 e desejos para 2023

Agora que estamos a chegar ao fim de 2022, quisemos saber que balanço fazem os profissionais de turismo do ano que termina. Saiba o que elegeram como o melhor e o pior de 2022 e os seus desejos para 2023.

Ana Jacinto, secretária geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP)

+ Melhor de 2022

De entre tantos aspetos negativos que fomos vivenciando ao longo de 2022, o que posso referir como mais positivo foi o facto do turismo, após dois anos de pandemia, conseguir assumir-se, uma vez mais, como o motor da nossa economia, muito fruto da qualidade do nosso produto, que é reconhecido e apreciado mundialmente. Não esqueçamos que os negócios do turismo acabam por ter um efeito multiplicador e as dinâmicas que gera acabam por beneficiar várias atividades, como por exemplo o comércio. Não posso também deixar de salientar que, para estes bons resultados,
muito contribuiu o espírito resiliente dos nossos empresários, que inovaram e se reinventaram para fazer face a uma pandemia que durou dois anos e que implicou encerramentos compulsivos e restrições de funcionamento. 
  
– Pior de 2022
Os custos de contexto sobre as empresas, que já eram muitos, não só não diminuíram em 2022, como se agravaram. Uma crise inflacionista, agravada pelo despoletar de uma inusitada guerra na Europa, fez disparar os custos de operação, nomeadamente de energia e combustíveis, com repercussão também na escassez e custos de matérias-primas essenciais para as atividades que a AHRESP representa.

Este cenário tem vindo a reduzir significativamente as margens das empresas, com consequências negativas nas suas tesourarias e na sua saúde financeira. Por outro lado, o ano de 2022 foi também muito marcado pela escassez de trabalhadores disponíveis para trabalhar nos setores de alojamento turístico, restauração e bebidas. 

Desejo para 2023
O ano de 2023 perspetiva-se como um ano difícil e de muitos desafios. O que desejo, desde logo, é que se ponha um fim à guerra da Ucrânia e que isso possa contribuir para que o cenário de inflação, no mínimo, não se agrave de forma contínua como aconteceu em 2022, e que a economia portuguesa possa crescer.

Toda a conjuntura que vivemos este ano foi muito marcada pela incerteza e este é um fator que prejudica o desenvolvimento de qualquer negócio. Seja como for, acredito que o turismo continuará a comandar a nossa economia e a impulsioná-la, mas é preciso que o ambiente em que se desenvolvem os negócios seja mais amigo das empresas, para que possam crescer de forma sustentada e sustentável.

Não chega aumentar a procura, é necessário que crescimento se traduza em maior produção de riqueza.

Miguel Mota, Sales Manager da Air France, KLM e Delta Air Lines em Portugal   

+ Melhor de 2022

O fim da maioria das restrições de viagem e a retoma da procura por viagens foram, definitivamente, os eventos mais impactantes e interligados para o setor em 2022. Mas devo destacar igualmente os seguintes eventos e temas: (i) a crescente relevância (estratégica e operacional) da sustentabilidade para todas as partes do setor do turismo, um compromisso de décadas do Grupo Air France-KLM. A esse respeito, destaco que tanto a Air France como a KLM já incorporam até 1% de SAF por ano nos seus voos com partida de França e dos Países Baixos, o que vai além dos requisitos obrigatórios da UE; (ii) a escolha de Lisboa (Air France) e do Porto (KLM) para a operação dos voos de médio curso mais sustentáveis de cada uma das companhias aéreas no âmbito do Skyteam Sustainable Flight Challenge em maio de 2022; (iii) o nosso programa de renovação da frota com aviões da família A320neo, que oferecem o melhor desempenho da sua categoria com uma redução de 15% no consumo de combustível e emissões de CO2 e uma pegada de ruído 50% menor. E a introdução das novas cabines de longo-curso Business da Air France e Premium Comfort da KLM, um novo padrão de viagem que reflete a atenção do Grupo ao cliente.

– Pior de 2022

Prefiro falar de desafios… desafios nas viagens para a Ásia, sobretudo para a China, desafios decorrentes da situação na Ucrânia e, por último, mas não menos importante, alguns desafios operacionais ainda relacionados com os impactos da pandemia.

Desejo para 2023

Globalmente, desejo um mundo e uma geopolítica mais pacíficos ou menos conflituosos; para o setor, definitivamente uma indústria do turismo mais sustentável, onde todas as partes e stakeholders estão comprometidos e agem de forma a ousarem e chegarem mais longe e mais além neste propósito.

Fernando Garrido, presidente da Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP)

+ Melhor de 2022

Sem qualquer margem para dúvidas, o melhor de 2022 foi o fim das restrições associadas à pandemia e a consequente retoma da atividade, com uma elevada procura do destino Portugal, por clientes estrangeiros acompanhada por igual comportamento do cliente nacional.

– Pior de 2022

A falta de recursos humanos (qualificados e não qualificados), que impactou a qualidade do serviço prestado, levando mesmo unidades a não conseguirem reabrir em pleno;
A ausência de um aeroporto em Lisboa que permita prestar um serviço adequado à procura que temos, quer a nível de capacidade (que passará sempre por uma nova infraestrutura), quer a nível de serviços (como foi o caso do controlo aduaneiro com tempos de espera elevadíssimos);
Ainda na esfera do aeroporto a ausência de decisão, para a localização da nova infraestrutura, tão importante para o futuro do turismo nacional. Acrescendo o facto de se ter recuado nas soluções já estudadas anteriormente (nova realização de estudos de impacto ambiental);
A Guerra no leste europeu, a qual impactou fortemente os custos operacionais das unidades e os custos de vida dos nossos colaboradores. Com fortes aumentos das matérias primas, energias, produtos e serviços;

Desejo para 2023

A consolidação dos resultados obtidos no ano de 2022, que devido ao contexto de guerra e crise económica em grande parte dos nossos mercados emissores, nos deixa algo expectantes.
e permitam-me o pedido de um segundo desejo, que julgo ser transversal a toda a população mundial, O FIM DA GUERRA!

Vítor Neto, presidente do NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve

+ Melhor de 2022

Resposta: O «melhor de 2022», depois de dois anos de crise duríssima, foi a rápida capacidade de resposta da oferta turística (empresas) perante os sinais de retoma da procura.

Que resulta sobretudo da conjugação entre a perspetiva de alguma recuperação da evolução económica e uma vontade dos consumidores em romper psicologicamente com dois anos desconforto depressivo provocados pela crise.

– Pior de 2022

A incerteza gerada por uma crise que continua, uma crise que ninguém sabe como vai evoluir e muito menos quando irá acabar.

Desejo para 2023

O desejo é ambicioso e seria de consolidação dos fatores de recuperação verificados em 2022.

Mas esses fatores não estão consolidados e já deram sinais de alguma hesitação nos últimos meses.

Importa por isso ter presente que os fatores de crise se mantêm ( guerra, evolução das economias nos mercados emissores) e geram incertezas permanentes.

Este quadro impõe também uma atenção permanente e uma mobilização das empresas e instituições do Turismo.

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