Sexta-feira, Julho 12, 2024
Sexta-feira, Julho 12, 2024

SIGA-NOS:

O melhor e pior de 2023

-PUB-spot_img

O ano está a acabar e quisemos saber que balanço fazem os profissionais de turismo de 2023. Saiba o que elegeram como o melhor e o pior do ano e os seus desejos para 2024. Com as opiniões de Teresa Gonçalves, Tiago da Encarnação, Roberto Santa Clara e Luís Santos.

Teresa Gonçalves, CEO da SATA

+Melhor

O turismo é reconhecido como um elemento essencial para a recuperação e crescimento económico. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o turismo internacional fechará 2023 perto de 90% dos níveis pré-pandemia, sendo este um marco muito significativo.

No caso concreto dos mercados onde a SATA opera, o aumento foi favorecido por uma sólida procura dos EUA, tendo a Região Autónoma dos Açores beneficiado da forte procura de viagens por norte-americanos.

O facto de os Açores serem vistos como um destino sustentável, desde a pandemia, tendo sido recentemente reconhecidos como Melhor Destino Mundial de Turismo de Aventura (World Travel Awards), levou a um elevado crescimento da procura turística. Nos 10 meses do ano de 2023, as dormidas de estrangeiros na Região Autónoma dos Açores aumentaram 25,7% em relação ao período homólogo, sendo a maioria dos turistas da Alemanha e Estados Unidos. A SATA tem sido um grande motor deste crescimento, consolidando a sua oferta no mercado da América do Norte, com ligação à Europa e a Portugal continental, Açores e Madeira.

-Pior

2023 fica marcado por grandes desafios económicos, como a inflação elevada, o aumento constante das taxas de juro e a debilidade das cadeias de abastecimento, bem como das tensões e conflitos geopolíticos, que levaram a subidas do combustível a níveis muito penalizadores para o turismo e para a indústria da aviação em especial.

Apesar destes fatores, em 2023 a SATA não viu a sua operação impactada, mantendo sempre um crescimento na procura para os mercados para onde voa.

Um desejo para 2024

Em 2024 espera-se que o turismo recupere plenamente os níveis anteriores à pandemia, apesar dos desafios económicos, também sentidos durante o ano de 2023. 2024 será um ano de crescimento mais contido, com o mercado interno a retrair-se, de acordo com o que se está a observar em termos de reservas. Contudo, poderemos esperar uma procura crescente do mercado da América do Norte.

O desejo da SATA é que a procura dos Açores, e de todos os mercados para onde voa, continue elevada, com o Grupo SATA a ter oportunidade para continuar a servir os seus passageiros com um serviço distintivo. Adicionalmente, é fundamental que a situação mundial estabilize e seja mais favorável.

Tiago da Encarnação, diretor operacional da Lusanova

+Melhor

O melhor de 2023 foi claramente a manutenção do crescimento da atividade turística a nível nacional e mundial. Se 2022 foi claramente o ano da retoma, 2023 foi o ano de consolidação, onde em alguns destinos superamos os valores de 2019.

-Pior

O pior de 2023 foi claramente a continuidade da guerra na Ucrânia e mais recentemente o conflito no médio oriente. Para além destes dois conflitos, o aumento da procura, principalmente para alguns destinos europeus, criou algumas dificuldades ao nível da operação turística, que apesar de terem sido ultrapassados, não deixaram de criar dificuldades ao longo do ano.

Um desejo para 2024

Mantemos os desejos de 2023. Em primeiro lugar o fim dos conflitos armados (agora com mais um conflito) e ao nível do sector, que a procura para 2024 se mantenha e não diminuía com toda a instabilidade que se avizinha.

Roberto Santa Clara, CEO da Savoy Signature

+Melhor 

O crescimento dos mercados tradicionais, como o europeu, aliado ao aumento significativo do turismo proveniente de mercados emergentes, impulsionou a diversificação do perfil de turistas. De sublinhar ainda a integração de tecnologias inovadoras nos serviços hoteleiros que permitem otimizar processos e melhorar a experiência do cliente.

-Pior 

Alguns desafios no recrutamento de profissionais qualificados. Ao mesmo tempo, acredito que seja crucial que as diversas partes envolvidas no setor não se deixem seduzir apenas pelos números. É vital ter em mente a necessidade de preservar de maneira exemplar a qualidade do produto turístico.

Um desejo para 2024

Tenho três desejos: saúde, que a Savoy Signature mantenha consistentemente a sua performance e que a Madeira se consolide como um destino de referência no Turismo e Hotelaria.

Luís Santos, Diretor Comercial da Soltour para Portugal e Espanha

+Melhor
Em retrospetiva, 2023 representou um marco importante para o setor do turismo, tendo representado a consolidação de uma recuperação pós-pandémica que se começou a compor em 2022. Considero que essa consolidação foi a nota mais positiva do ano, mostrando que os portugueses continuam ávidos de viajar e descobrir novas geografias.
No caso particular da Soltour, essa consolidação traduziu-se no retomar da nossa maior operação – para Samaná – que estava interrompida desde 2019 e que foi muito bem recebida no mercado nacional.

-Pior
O cenário internacional incerto foi seguramente um fator desafiante, que nos obrigou a manter um acompanhamento atento mesmo perante uma resposta bastante positiva à oferta que colocámos no mercado. Esta instabilidade tem impacto na confiança dos consumidores e, a jusante, pode afetar a estabilidade das operações, sendo por isso da maior importância para o setor das viagens.
Também a conjuntura socioeconómica representa um desafio que temos acompanhado com atenção. Se por um lado registámos uma grande apetência para viajar, não podemos desconsiderar a postura mais cautelosa que os viajantes têm adotado, valorizando sobretudo a dimensão “value for money”.
Estes desafios exigem do setor uma adaptação contínua a que os mais diferentes players, desde os operadores e as agências de viagens aos hotéis e outros serviços, têm mostrado uma notável capacidade de resposta.

Um desejo para 2024
O nosso principal desejo é continuarmos com um crescimento sustentável do setor do turismo e das viagens. Desejamos que as viagens continuem a assumir o seu papel fundamental na vida das pessoas, não apenas como lazer, mas como uma forma de ampliar horizontes e ligar culturas. Os consumidores procuram cada vez mais experiências autênticas, que sejam mais do que umas simples férias. Esta tendência é uma oportunidade para criarmos produtos com mais valor, que promovam ligações mais profundas com as culturas e os habitantes locais, contribuindo para um turismo mais próximo e sustentável.

E, claro, queremos continuar a trabalhar lado a lado com as agências de viagens, atores-chave na cadeia de valor do turismo e que estão no centro do nosso trabalho.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img
-PUB-spot_img