A presença de portugueses na lista dos 100 melhores gestores hoteleiros do mundo em 2025 confirma o posicionamento da hotelaria nacional ao mais alto nível internacional. Para Pedro Almeida Santos, diretor-geral do MYRIAD by SANA, Tânia Leal Rodrigues, diretora-geral do Hyatt Regency Lisboa, e Manuel Carneiro Machado, diretor-geral do Sheraton Cascais Resort, esta distinção valida percursos consistentes, mas reforça também responsabilidades num setor em profunda transformação.
Para Pedro Almeida Santos, esta distinção não altera o rumo do trabalho desenvolvido.
“Não muda nada de forma estrutural. Este reconhecimento valida o trabalho que está a ser desenvolvido e reforça uma convicção clara: a hotelaria portuguesa, com grupos nacionais sólidos como o Grupo SANA, compete hoje ao mais alto nível internacional quando aposta naquilo que é genuinamente seu.”
Ainda assim, sublinha a responsabilidade acrescida de afirmar o valor do que é português:
“Sinto, sobretudo, a responsabilidade de influenciar positivamente as pessoas e as equipas, reforçando a confiança no valor do que é nosso. Muitas vezes temos tudo isso, mas falta-nos afirmá-lo com maior convicção. Esta distinção é uma oportunidade para reforçar esse orgulho e para mostrar que somos bons no que fazemos. Quando acreditamos na nossa identidade e trabalhamos com exigência e ambição, os resultados surgem naturalmente.”
Também Tânia Leal Rodrigues, diretora-geral do Hyatt Regency Lisboa, destaca a dimensão coletiva do reconhecimento: “Integrar esta lista é, acima de tudo, um reconhecimento coletivo. É reflexo do trabalho consistente de equipas excecionais, do privilégio de estar rodeada de pessoas talentosas e comprometidas, e da confiança da marca.”
Já Manuel Carneiro Machado, diretor-geral do Sheraton Cascais Resort, encara a distinção como um marco pessoal e geracional: “Esta distinção internacional representa um marco na minha carreira. Enquanto diretor-geral de 37 anos, espero que também possa servir de inspiração aos mais jovens, como prova de que a dedicação, o esforço consistente e a resiliência tornam possíveis os nossos objetivos.” A nível pessoal, acrescenta: “Esta nomeação é, sobretudo, um reconhecimento à minha família, que sempre me apoiou nas minhas decisões. Desde jovem estabeleci vários objetivos para a minha vida pessoal e profissional, e este reconhecimento simboliza persistência e foco.”
“Esta distinção é uma oportunidade para reforçar esse orgulho e para mostrar que somos bons no que fazemos.”
Pedro Almeida Santos
Liderar é, antes de tudo, liderar pessoas
Para Tânia Leal Rodrigues, os fatores-chave que distinguem hoje um gestor hoteleiro de excelência passam pela liderança próxima: “Um gestor hoteleiro de excelência distingue-se pela vontade genuína de bem receber, de fazer sempre melhor, com consistência e paixão. Essa entrega reflete-se no cuidado com o detalhe, na forma como se inspira e valoriza as equipas e na capacidade de criar experiências memoráveis para os hóspedes.”
Manuel Carneiro Machado reforça uma visão humanista da liderança: “Acreditar nas pessoas, investir no seu desenvolvimento, manter uma postura ética e humanista nos negócios e nunca perder de vista os valores que nos orientam” são, para si, decisões determinantes. “Se esta distinção puder motivar outros a acreditarem nos seus sonhos e a perseverarem na sua visão de futuro, então o seu significado torna-se ainda mais profundo.”
“Um gestor hoteleiro de excelência distingue-se pela vontade genuína de bem receber, de fazer sempre melhor, com consistência e paixão.”
Tânia Leal Rodrigues
No segmento de luxo, a consistência surge como um dos maiores desafios. Pedro Almeida Santos explica que essa solidez começa na cultura interna: “A consistência num hotel de luxo nasce de uma identidade clara, de uma liderança próxima e de equipas bem preparadas.” A esta base junta-se, sublinha, uma gestão rigorosa: “Uma gestão financeira equilibrada e responsável permite investir de forma contínua na propriedade, mantendo o hotel sempre atual e cuidado. Paralelamente, é essencial dar autonomia às equipas, partilhar informação de forma clara e trabalhar com KPI acessíveis, para que cada departamento compreenda o seu impacto e contribua para a melhoria contínua. Quando pessoas, espaço e números estão alinhados, a consistência passa a fazer parte da cultura.”
Portugal no radar do luxo internacional
Os três gestores concordam que Portugal está hoje mais visível no radar internacional da hotelaria de luxo. “Portugal ganhou uma visibilidade muito clara no radar internacional da hotelaria de luxo. O país posicionou-se como um destino seguro, autêntico e com elevada qualidade de serviço, aliando património, gastronomia, lifestyle e um nível de hospitalidade cada vez mais alinhado com padrões internacionais”, afirma Tânia Leal Rodrigues.
A responsável destaca ainda o impacto da consolidação de marcas globais: “A entrada e consolidação de marcas internacionais de luxo e lifestyle reforçou a confiança do mercado e contribuiu para atrair um perfil de turista mais exigente, com maior poder de compra e procura por experiências personalizadas.”
Manuel Carneiro Machado reforça este posicionamento com resultados concretos:
“Somos mais do que um destino de eleição: somos uma verdadeira comunidade profissional, com um mercado laboral altamente qualificado”, sublinha, referindo as múltiplas distinções internacionais alcançadas pelo Sheraton Cascais Resort em 2025.
“Somos mais do que um destino de eleição: somos uma verdadeira comunidade profissional, com um mercado laboral altamente qualificado”
Manuel Carneiro Machado
O futuro da liderança hoteleira
Olhando para os próximos anos, Pedro Almeida Santos antecipa uma liderança mais simples e autêntica. “A liderança hoteleira será cada vez mais centrada nas pessoas e na capacidade de criar culturas fortes. As experiências simples, autênticas e emocionalmente relevantes que os hóspedes procuram, silêncio, espaço, conforto e tempo de qualidade, só são possíveis com equipas bem formadas, envolvidas e alinhadas com a identidade do projeto. O luxo estará menos na complexidade e mais na fluidez e na verdade da experiência. Caberá aos líderes formar, capacitar e dar contexto às equipas para que a experiência seja natural, ligada ao lugar e capaz de criar memórias. Projetos como o MYRIAD by SANA mostram que é possível conjugar desenvolvimento de talento, autenticidade e excelência operacional”.
Tânia Leal Rodrigues aponta a conjugação entre pessoas, dados e tecnologia. “A liderança hoteleira será cada vez mais orientada para pessoas, dados e propósito”, com especial atenção à Inteligência Artificial e à sustentabilidade. “Com a crescente aposta de marcas internacionais em Portugal, torna-se essencial expor as equipas a diferentes realidades, através de experiências tanto nacionais como internacionais, bem como de talks, formações e momentos de partilha que promovam o crescimento contínuo e a troca de conhecimento”.
Já Manuel Carneiro Machado antecipa desafios globais, mas considera que Portugal parte de uma posição favorável: “Portugal posiciona-se como um país que oferece estabilidade e segurança, criando condições favoráveis para o desenvolvimento sustentado do turismo de luxo, mesmo num contexto internacional desafiante.”
Entre os principais desafios, destaca o crescimento dos fluxos turísticos, a exigência crescente do cliente de luxo, a transformação digital, a sustentabilidade e a atração e capacitação de talento.
As prioridades para 2026 passam, afirma, por “um equilíbrio entre tecnologia, investimento, inovação e pessoas, garantindo uma gestão sólida, preparada para os desafios do futuro e alinhada com os mais elevados padrões da hotelaria de luxo”.




