Sábado, Abril 18, 2026
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Omã: Agências de viagens avaliam potencial do novo destino da Solférias

A Solférias acaba de anunciar Omã como o mais recente destino da sua programação. Para compreender como poderá ser recebido no mercado português, o TNews falou com cinco agências de viagens, que destacaram o potencial de atração do destino, mas também os desafios de divulgação e posicionamento junto dos clientes.

Interesse dos clientes: autenticidade e novidade no Médio Oriente

A nível geral, o consenso entre as agências de viagens é que Omã vai atrair sobretudo viajantes mais experientes, que procuram novas experiências culturais, diferentes dos destinos mais conhecidos do Médio Oriente. Embora haja entusiasmo em relação ao potencial do destino, reconhece-se que será necessária uma estratégia sólida de comunicação e promoção para despertar o interesse do grande público.

Para Marta Prata, da Be In Travel Portugal, Omã “desperta um elevado potencial de interesse junto de clientes que procuram experiências autênticas e diferenciadoras”, sublinhando que é “um destino que alia segurança, qualidade e diversidade cultural, características que têm vindo a ser cada vez mais valorizadas pelo viajante português”.

Na mesma linha, Raquel Hennig, da agência de viagens Raquel Hennig Travel & Comfort, observa o “interesse crescente” pelo destino, nomeadamente por parte de “viajantes mais experientes à procura de destinos com forte identidade cultural e que sejam menos explorados”.

Também Neusa Almeida, da Instantes de Evasão, vê o destino como resposta para “colmatar a procura dos clientes por novos destinos e novas experiências”. De acordo com a agente de viagens, “nos últimos anos, temos vindo a assistir a um interesse crescente por destinos do Médio Oriente, quer pela experiência cultural, quer pela segurança oferecida por estes países, e Omã será mais uma excelente opção”.

Sofia Silvério, da Viagens da Sofia, acredita que Omã poderá atrair clientes “em busca de novidades ou como alternativas ao Dubai ou Abu Dhabi, numa vertente mais autêntica e cultural”.

Mais cautelosa, Susana Antunes, da Azmude, considera que o interesse inicial dependerá de uma forte aposta na comunicação. “Creio que terá de haver divulgação nas redes sociais e meios de comunicação para que as pessoas comecem a ouvir falar de um destino que, inicialmente, parece longínquo e exótico”, afirma.

“Apenas por sugestão do agente de viagens será demorado [até se tornar] um destino de referência, tal como tem acontecido, por exemplo, com o Qatar, que continua a ser um destino de passagem e não se afirma em Portugal como destino final, ao contrário do Dubai e, mais recentemente, de Abu Dhabi”, acrescenta Susana Antunes.

Tendência ou nicho?

De forma geral, as agências reconhecem que Omã será, numa fase inicial, um destino de nicho. No entanto, há quem defenda que, com maior divulgação, novas ligações aéreas e a consolidação da oferta, poderá crescer e até tornar-se uma alternativa competitiva aos destinos mais populares.

“Inicialmente será um destino mais direcionado para nichos específicos, nomeadamente clientes já viajados e com apetência por destinos menos massificados”, afirma Marta Prata, embora defenda que, “à medida que a oferta for divulgada e experimentada, Omã tem condições para se afirmar como tendência no mercado português”.

Raquel Hennig sublinha ainda que, “à medida que vamos tendo mais ligações aéreas e novos programas, como o da Solférias, o destino poderá sair do “underrated” e passar a figurar nas “wishlists” de muitos”.

Susana Antunes aponta sobretudo para nichos com interesse cultural e histórico, bem como grupos temáticos, enquanto Sofia Silvério sublinha que o crescimento será “mais voltado para o viajante de luxo e premium a médio prazo”.

Para Neusa Almeida, no entanto, o destino poderá ir além do nicho. “Não creio, de todo, que seja só para nichos mais específicos. Acho que será, sim, uma boa alternativa para clientes que já conhecem o Dubai, Abu Dhabi, Doha, etc., e que pretendam aprofundar o conhecimento desta zona do globo e da sua cultura”, defende.

Atrativos: cultura, paisagem e segurança

Para as agências, os grandes atrativos de Omã residem na sua autenticidade cultural, no legado histórico e na diversidade das suas paisagens.

Segundo Marta Prata, o país apresenta uma oferta completa: a “segurança e qualidade das infraestruturas”; a “herança cultural e histórica”; e a “diversidade de experiências oferecidas, desde praias idílicas em Mascate e Salalah, às montanhas verdes de Jabal Akhdar, oásis verdejantes, paisagens desérticas, souks, mesquitas e fortalezas históricas, sem esquecer a gastronomia rica e variada, muito próxima do gosto do cliente português”.

Raquel Hennig sublinha também a oferta diversificada de paisagens “sem o ‘overcrowding’ ou massificação de outros destinos”, além da “segurança e gentileza do povo” que surgem como “elementos muito apelativos”.

“Além disso, a possibilidade de combinar aventura com conforto, luxo discreto e experiências únicas — como fjordes de Musandam em dhow privado, snorkeling nas Daymaniyat (reserva natural com tartarugas/recifes), desertos de Wahiba Sands com tendas de luxo e lodges de penhasco em Jabal Akhdar — corresponde ao desejo e gosto do nosso cliente”, acrescenta Raquel Hennig.

Susana Antunes refere que “definitivamente será o nosso legado histórico e cultural nessa terra que, no século XVI, era tão longínqua e exótica e que agora, com estas fantásticas ligações aéreas, se torna tão próximo que despertará curiosidade e interesse nos portugueses”.

Neusa Almeida destaca ainda a “presença de cadeias hoteleiras internacionais de grande qualidade, o que já é um dado adquirido nestes países”.

Desafios: falta de notoriedade e preço

A falta de conhecimento sobre o destino surge como o principal desafio apontado por todas as agências de viagens. “Muitos [clientes] ainda confundem Omã com outros países do Golfo ou associam a região apenas ao Dubai”, sublinha Raquel Hennig.

“O facto de ainda ser um destino pouco conhecido é, sem dúvida, um atrativo; todavia, poderá, para alguns clientes, ser também um entrave”, aponta Neusa Almeida. “Creio que aí entra o nosso trabalho, enquanto agentes de viagens, em procurar mostrar todas as potencialidades e pontos diferenciais do destino”.

Para que Omã ganhe notoriedade, Marta Prata defende que “será fundamental investir em comunicação clara, ações de promoção e formação especializada, de forma a transmitir a autenticidade, a segurança e a qualidade da experiência”.

Além disto, será também “essencial garantir boas ligações aéreas e uma seleção de parceiros confiáveis para assegurar a qualidade da experiência que o destino oferece”, de acordo com Raquel Hennig.

Sofia Silvério considera que poderá ainda haver “alguma hesitação inicial devido à imagem associada à região do Médio Oriente”, o que irá “exigir mais esclarecimento” da parte dos agentes de viagens.

Já Susana Antunes alerta ainda para a questão do preço e da personalização da oferta. “O fator preço será muito importante para concretizar a venda, assim como a divulgação de uma oferta variada de tours locais e os seus preços, para que se possa completar o pacote/promoção inicialmente proposto”, refere.

“Seria também importante que esses tours pudessem ser logo disponibilizados em privado para além do regular para satisfazer os clientes mais exigentes, pois será um público-alvo de gama superior, assim como ter a opção para transfers privados e não só partilhados”, acrescenta.

Perfil do viajante

No que toca ao perfil de viajante, as agências convergem na ideia de que Omã atrairá sobretudo clientes experientes, exigentes e à procura de experiências autênticas, muitas vezes já com conhecimento de outros destinos do Médio Oriente. 

Omã é “indicado para viajantes informados, exigentes e exploradores, que procuram autenticidade e cultura”, de acordo com Marta Prata, que indica que a viagem é ideal para “casais, viajantes individuais e pequenos grupos que já conheceram destinos tradicionais e desejam agora experiências mais exclusivas e memoráveis”.

Na mesma ótica, Raquel Hennig indica que “casais, pequenos grupos de amigos ou até famílias com adolescentes, dispostos a sair do lugar-comum, são perfis ideais”, bem como “viajantes interessados em cultura árabe, aventura suave e paisagens naturais dramáticas”.

Para Neusa Almeida, Omã “provavelmente será um destino mais procurado por quem já conhece outros países do Médio Oriente e sabe com o que poderá contar”.

Susana Antunes acredita que o perfil será o viajante com “idade superior a 45 anos”, que se enquadre na “gama média alta”. Já Sofia Silvério destaca o potencial do destino no “segmento premium, para quem procura exclusividade e experiências diferenciadoras”.

Procura esperada

Quanto à procura, a expectativa geral é de crescimento progressivo, mas ainda moderado.

“Numa fase inicial, essa procura irá depender muito da estratégia de divulgação da Solférias e depois, logicamente, do nosso próprio trabalho junto dos clientes”, afirma Neusa Almeida, da Instantes de Evasão, acrescentando que caberá aos agentes de viagens “estudar” o destino. “Ainda assim, antecipo que será um destino que poderá resultar muito bem no mercado português”.

Marta Prata, da Be In Travel Portugal, prevê “uma procura progressiva, mas sustentada, sobretudo nos segmentos médio-alto”. Já Susana Antunes, da Azmude, prevê “uma procura baixa/média, que deverá ser trabalhada e reforçada pela divulgação”.

Raquel Hennig, da Raquel Hennig Travel & Comfort, fala em “procura moderada, mas altamente qualificada”. A agente de viagens não espera “um volume alto no imediato, mas sim reservas bem trabalhadas, de maior valor agregado e com maior envolvimento na personalização”.

Por fim, Sofia Silvério, da Viagens da Sofia, acredita que, com o tempo, “Omã poderá ganhar progressivamente maior visibilidade e tornar-se uma aposta sólida no portfólio da agência”.

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