A AT&T e a Verizon Communications, operadoras de telecomunicações norte-americanas, concordaram na passada terça-feira, dia 18, em adiar temporariamente a ativação de algumas torres 5G perto dos principais aeroportos do país, para evitar uma interrupção significativa nos voos.
A AT&T e a Verizon deveriam ativar esta nova tecnologia de internet móvel ultrarrápida no conjunto do país esta quarta-feira, dia 19, mas a autoridade federal de regulação da aviação (FAA), inquietou-se com a possível interferência entre as frequências utilizadas pela 5G e instrumentos de bordo essenciais à aterragem dos aviões em algumas condições, e exigiu ajustamentos, noticia a Reuters.
A FAA já validou a utilização de alguns modelos radio-altímetros e deu a sua aprovação para 48 dos 88 aeroportos dos EUA mais diretamente afetados pelos riscos de interferências, impondo, contudo, restrições em alguns casos.
Os dirigentes de 10 sociedades de transporte aéreo tinham apelado, na passada segunda-feira, dia 17, às autoridades federais que agissem “imediatamente”, para impedirem “uma importante perturbação operacional para os passageiros, os transportadores, as cadeias de aprovisionamento e a entrega de fornecimentos médicos essenciais”.
Várias companhias aéreas viram-se obrigadas a cancelar os voos, exemplo disso foram a Japan Airlines, a Emirates, a ANA, a Delta Airlines, a Air Indian, a All Nippon Airways e a American Airlines, que emitiram comunicados de imprensa a informar o público de que iriam suspender alguns voos.
“Não se sabe o suficiente sobre a maneira como as ondas de rádio 5G podem interferir nas ondas de rádio do altímetro e, por esse motivo, a FAA colocou várias restrições operacionais aos aviões, incluindo como e quando podem voar para certos aeroportos, principalmente em condições climáticas adversas. ”, disse o diretor de operações da American Airlines, Henry Harteveldt. “Prevemos que teremos atrasos, desvios e cancelamentos de voos que estão muito além do nosso controle”, sublinha.
Neste contexto, a AT&T e a Verizon, que já adiaram por várias vezes o desenvolvimento do 5G, desde dezembro, aceitaram diferir a ativação das torres de telefonia móvel em torno de alguns aeroportos, mas mantendo o lançamento do 5G no resto do país.
A AT&T, por exemplo, decidiu não ativar as torres instaladas num perímetro de 3,2 quilómetros em torno dos aeroportos especificados pela FAA.
Em comunicado, Biden agradeceu aos dois operadores por esta decisão, que evita, na sua opinião, perturbar o tráfego aéreo, ao mesmo tempo que permite a ativação da imensa maioria das torres de telefone móvel para a 5G, elemento considerado essencial para a competitividade dos EUA.
Os peritos da Casa Branca vão continuar a trabalhar com os operadores telefónicos, as transportadoras aéreas e os fabricantes de aviões, para se “alcançar uma solução permanente e funcional em torno de aeroportos-chave”, assegurou Biden.
Os dois operadores lamentam, contudo, que as autoridades tenham levado tanto tempo a reagir ao desenvolvimento do 5G, previsto pelo menos desde há dois anos.
A FAA e as transportadoras aéreas “não foram capazes de resolver a problemática do 5G perto dos aeroportos, apesar de estar instalado de forma segura e eficaz em mais de 40 países”, segundo um porta-voz da Verizon, em mensagem transmitia à AFP.
A questão das consequências do desenvolvimento do 5G nos EUA começou a ganhar dimensão em novembro, depois da publicação pela FAA de um boletim especial, em que solicitou às empresas envolvidas que transmitissem informações específicas sobre os radio-altímetros.
Este radar, que mede a distância que separa o avião do solo, é essencial aos instrumentos de noite, nomeadamente para aterrar ou em caso de má visibilidade.
Algumas frequências atribuídas, por várias dezenas de milhares de milhões de dólares, no início de 2021, à AT&T e à Verizon, para o desenvolvimento do seu 5G, que vão de 3,7 a 3,98 gigahertz (GHz), estão com efeito próximas das utilizadas pelos radio-altímetros, que funcionam no espetro dos 4,2 a 4,4 GHz.
Se não há risco de interferência direta entre as frequências, a potência de emissão das antenas 5G ou uma parte das emissões dirigidas para o alto poderia colocar problemas a alguns altímetros.
Os construtores Airbus e Boeing já tinham alertado as autoridades federais, em dezembro, para estas “potenciais interferências”, dado que os EUA tinham, por exemplo, escolhido frequências mais próximas dos radio-altímetros do que na Europa ou na Coreia do Sul.
Dez transportadoras aéreas, de pessoas e cargas, como UPS e Fedex, tinham sublinhado, na sua carta dirigida ao governo de Joe Biden, consultada pela AFP, que em um dia como domingo “mais de 1.100 voos e cem mil passageiros estariam sujeitos a anulações, desvios ou atrasos”, devido ao desenvolvimento do 5G.



