Quarta-feira, Julho 17, 2024
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Operadores mantêm apostas em 2022, mas com algumas novidades

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A pandemia vai causar alguma alteração na elaboração e no tipo de produto dos operadores em 2022? A pergunta foi lançada no painel “Mudanças e tendências no produto e comportamento da distribuição pós-covid na ótica dos fornecedores”, durante a convenção da GEA, em que participaram Nuno Mateus, diretor geral da Solférias, Duarte Correia, managing director da NewBlue e W2M, Nuno Aleixo, diretor geral da Nortravel, e Eduardo Cabrita, diretor geral da MSC Cruzeiros Portugal.

“É quase uma pergunta de um milhão de dólares”, começa por dizer Nuno Aleixo, diretor geral da Nortravel.O operador, que já está numa fase “muito avançada” de preparação da programação de 2022, tem como prioridade “voltar a  repor os produtos que tinha até 2019 e voltar aos destinos tradicionais”. No entanto, Nuno Aleixo nota uma tendência no produto que mais identifica a Nortravel, os circuitos. “As pessoas querem fazer esse tipo de viagem, mas muitas vezes, não querem fazer uma viagem multidestino – cinco, seis países em oito dias”. Em contrapartida, explica, querem “aprofundar mais as suas viagens a algumas cidades, cidades essas que têm conteúdo para que se esteja nela quatro dias, com conceito de circuito, ou seja, com guia acompanhante, refeições, hotéis e voos”.

Apesar da incerteza que a pandemia provoca, o operador acredita poder “voltar aos destinos tradicionais a breve trecho”. Uma das tendências notadas em 2021 foram as viagens em Portugal: “Além da Madeira e dos Açores – que já nos caraterizam há muito tempo, voltámos a fazer os circuitos em Portugal continental e, em 2022, vamos aumentar a diversidade desses circuitos. Temos notado que os clientes que faziam viagens para o Japão, Peru, Itália connosco estão a fazer esses circuitos. As pessoas têm necessidade de sair e preferem ficar por cá”.

“Aposta arrojada” da Solférias em Cabo Verde

O operador Solférias teve de reajustar-se e ganhar novas técnicas de programação, nestes 18 meses que foram “os desafios profissionais das nossas vidas”, afirma Nuno Mateus. “Claro que, quando se fala de 2022, a primeira questão é saber quais os destinos que vão estar abertos. No caso de um operador como a Solférias, que tem essencialmente a sua programação fora da União Europeia, é um desafio”, defende. A palavra de ordem é readaptação. “Quando começámos 2021 tínhamos uma expetativa, mas readaptámo-nos rapidamente às mudanças que foram surgindo”, diz o responsável, dando o exemplo das Maldivas. “Toda a gente dizia que as pessoas queriam curta distância, voos diretos, só que as Maldivas furaram todas as regras”. Nuno Mateus continua com o exemplo de Cabo Verde: Até maio de 2021, a fronteira de Cabo Verde estava fechada. Quando abriu, voltámos a pôr charters em junho, reforçámos no verão e foram até outubro. Existirão seis voos no fim-de-ano, que nunca existiram e, claro que, a nossa programação para Cabo Verde em 2022 vai ser extremamente arrojada e sairá dentro de pouco tempo”.

Nuno Mateus garante ainda que a Solférias vai privilegiar as curtas distâncias em destinos em que o movimento turístico está consolidado. “A maioria dos nossos charters tem quatro horas. Até pode ser um destino muito importante para nós, mas só abrirmos as vendas dois meses depois de estar consolidado para evitar a questão dos cancelamentos. Vamos claramente apostar nos charters de média distância, porque são os destinos onde os clientes sentem-se mais confortáveis”, conclui.

Por sua vez, nos cruzeiros da MSC, a previsão é que, “no final da primavera de 2022, todos os 19 navios da companhia estejam a navegar no globo”, afirma Eduardo Cabrita.

“A ideia é que 2022 possa ser um ano, não de recomeço, mas de rebuilt. A adaptação é constante, notamos isso de semana a semana, mês a mês, e temos de nos adaptar às circunstâncias desta pandemia. Esperamos que, no verão de 2022, a partir do final de março, toda a frota esteja a navegar em todas as regiões que tínhamos antes da pandemia (Caraíbas, Norte da Europa, Europa, Dubai, Sul da América e Sul de África). Sempre com protocolos de segurança e higiene muito mais fortes do que a própria sociedade o exige”, refere.

Já o operador da W2M, a NewBlue, voltará a apostar em Punta, Cana, Cancun e Cuba, no próximo verão, com Duarte Correia a anunciar que a companhia do grupo, a World2Fly já tem autorização para voar a partir de Lisboa. No capítulo das novidades, a W2M vai apresentar em Portugal o novo operador turístico especialista em grandes viagens do grupo W2M, Icárion, com destinos “muito apetecíveis para o mercado nacional, nomeadamente aqueles que vingaram este ano, tais como as Maldivas e as Seicheles”.

Alterações dos padrões de consumo

Nuno Aleixo identifica o last minute como uma das alterações no padrão de consumo. “Provoca-nos alguns constrangimentos em termos de programação e operação, mas compreendemos e era inevitável que acontecesse. Neste momento o last minute é uma realidade e acredito que em 2022 vá continuar. A par das reservas de last minute, o responsável da Nortravel aponta a “preocupação redobrada sobre a segurança nos destinos” como uma das principais mudanças observadas.

Nuno Mateus afirma que já esteve “mais pessimista em relação a essa matéria [last minute]”. Em 2021 o last minute foi dominante, mas, no caso do fim-de-ano, notamos uma inversão total, o período de antecedência de reserva aumentou consideravelmente, embora não aos níveis de pré-pandemia”, constata e dá outro exemplo. “Lançámos a operação do Senegal esta semana e, de imediato, começaram a cair reservas, o mesmo com a Tunísia. São destinos que começam em junho de 2022”.

O que mais surpreendeu o diretor geral da Solférias foi a Disney: “Reabriu em julho e em pouco mais de quatro meses chegou ao quarto destino mais vendido da Solférias. Concordo que não haverá a mesma antecedência média, mas não quer dizer que não haja antecipação”.

Na NewBlue, apesar de não haver comparativos por ser recente no mercado, Duarte Correia “concorda em absoluto que as reservas de 2021 foram em last minute”. “Chegámos a ter um grande número de passageiros a marcar na sexta para embarcar na segunda. Isto é muito difícil de operar. Acho que vai ser mais moderado em 2022. Contudo, temos de estar aptos para operar assim”, defende.

Reservas da MSC Cruzeiros para 2022 próximas dos níveis de 2019

Quanto aos cruzeiros, que são tradicionalmente reservados com maior antecedência, Eduardo Cabrita reconhece que as companhias “têm de se adaptar à realidade”. “Notamos que estão a ser feitas entre 6 meses e um mês antes da partida. Se não tivermos os destinos programados, não teremos reservas nem passageiros, portanto, os destinos têm de ser programados na mesma”, constata. “Na MSC, apesar da pandemia, continuamos a fazer o nosso trabalho, com o lançamento de novos navios, o Virtuosa, o Seashore. A capacidade dos operadores, especialmente dos cruzeiros, de continuar o seu programa de expansão mostra a resiliência do setor e a capacidade de acreditar que isto é tudo passageiro e que voltaremos aos níveis pré-pandemia rapidamente”. Para 2022, as reservas da MSC Cruzeiros estão, neste momento, próximas dos níveis de 2019. “O próximo ano promete que seja um ano muito próximo de 2019, se porventura não for melhor. E ainda não lançámos uma novidade que está a ser bem cozinhada para o mercado português”.

A 17ª convenção da GEA decorreu entre 26 e 28 de novembro, em Fátima.

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