Quarta-feira, Abril 22, 2026
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Plataforma para agências de viagens da Ryanair é “artifício enganoso”, defende ANAV

A ANAV – Associação Nacional das Agências de Viagens defende que a nova plataforma de distribuição direta para agências de viagens offline, lançada pela Ryanair esta quinta-feira, é “um artifício enganoso” e “mais uma tentativa clara de desintermediação camuflada de parceria”.

Na passada segunda-feira, 28 de julho, a Ryanair anunciou o lançamento do Travel Agent Direct, uma nova plataforma de distribuição direta e autorizada, que permite às agências de viagens offline reservar voos da companhia aérea, de forma “direta” e “transparente”.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, 30 de julho, a ANAV afirma que, “após meses de conversações com a companhia aérea”, a associação “reconhece que, embora tenham sido alcançados alguns avanços pontuais, o resultado global do diálogo ficou aquém das expectativas legítimas do setor”.

A ANAV sublinha que a transportadora low-cost se mantém “inflexível na estratégia de acesso direto ao cliente final, contornando o papel fundamental das agências de viagens no ecossistema turístico nacional” – uma abordagem que é “terminantemente rejeitada” pela associação, considerando-a “lesiva para os interesses das agências e dos clientes”.

Citado no comunicado, o presidente da ANAV, Miguel Quintas, alerta que “o chamado ‘Portal do Agente’ da Ryanair pode rapidamente transformar-se num artifício enganoso para as agências de viagens”.

“A companhia aérea continua a utilizar um discurso de aproximação, mas insiste em retirar as agências da equação, apropriando-se do cliente final de forma sub-reptícia. Estamos perante uma tentativa clara de desintermediação camuflada de parceria”, acrescenta o responsável.

Neste contexto, a ANAV defende, na mesma nota, que a nova plataforma “não responde a várias das exigências que foram colocadas pela associação em nome do setor”, nomeadamente: a “transparência total na relação contratual com as agências”; a “garantia de não contacto direto com o cliente final”; e o “suporte pós-venda acessível e eficaz via agências”.

Para a ANAV, “este modelo híbrido, sem garantias de proteção dos interesses dos agentes, não é aceitável”, acreditando que “a Ryanair está a usar o pretexto de um “canal oficial” para seduzir as agências com promessas incompletas, ao mesmo tempo que prossegue com a sua lógica de desintermediação”.

A ANAV afirma ainda que apelará às instâncias nacionais e europeias competentes para que “este tipo de práticas, que distorcem o equilíbrio do mercado, sejam escrutinadas e, quando necessário, travadas”.

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