Domingo, Junho 16, 2024
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Poderá o turismo beneficiar do metaverso?

O conceito de metaverso remonta aos anos 90 do século passado, obtendo a sua relevância mais recentemente, através do seu avanço tecnológico.

Miguel Carvalhido Ferreira

Esta evolução despoletou um leque de oportunidades para o turismo no metaverso, no qual diferentes países e empresas procuram capitalizar. A ligação entre o metaverso e o turismo é evidente, e prende-se na facilidade de criação de objetos e ambientes virtuais pertencentes ao mundo real. Embora as tecnologias não sejam sinónimas, o metaverso anda de mãos dadas com o conceito de realidade virtual. No entanto, urge diferenciar o metaverso do turismo assistido através de realidade virtual.

Tal como um peixe num aquário não consegue ver além da sua parede de vidro, ainda não conseguimos ver que maravilhas aguardam à indústria turística no metaverso. Contudo, uma coisa é certa: o metaverso não substituirá a viagem física, mas certamente criará um maior desejo de viajar e melhorará as nossas experiências de viagem. Acresce ainda uma maior acessibilidade de destinos turísticos a indivíduos impossibilitados de viajar e que, de outro modo, se encontravam limitados.

No metaverso, os dispositivos tecnológicos permitem aos utilizadores obterem sensações distintas, tais como a visão, a audição, o taco e até o olfato.  O metaverso resulta da interação entre um utilizador, um dispositivo, o ambiente ou outras pessoas ao redor. Neste âmbito, um turista pode facilmente realizar um passeio no outro extremo do planeta, enquanto usufrui do conforto da sua casa.

Através de um avatar, o utilizador pode encarnar a figura de turista e percorrer um roteiro turístico virtual. Desta forma, o metaverso elucidará os viajantes relativamente às possibilidades inerentes a um eventual destino. Embora a experiência seja de facto virtual, estimula os diferentes campos sensoriais.

Por enquanto, os benefícios do turismo no metaverso não devem causar pânico no setor do turismo e das viagens. Na minha opinião, as experiências de viagem virtual não afetarão as reservas de férias convencionais, pelo contrário, muito provavelmente despertarão uma maior procura.

O mesmo conceito pode ser aplicado para comparar hotéis e meios de transportes. As experiências 3D e de realidade virtual ajudam os potenciais hóspedes a compreender as instalações e características que um hotel, restaurante ou resort tem para oferecer.  Em última análise, tal significa que um metaverso turístico poderá ajudar a encorajar os turistas a concluir a sua reserva.

O metaverso tem criado diversas oportunidades promissoras para o sector do turismo e das viagens. No mesmo sentido, os consumidores podem capitalizar estas oportunidades por intermédio de uma nova e mais imersiva forma de turismo. Assim sendo, os hotéis e outros meios de alojamento podem utilizar esta ferramenta como forma de melhorar a sua eficiência operacional. O turismo no metaverso está a mudar a relação entre as empresas e os seus clientes, uma vez que aproxima a realidade da potencial experiência física. No final, o conceito metaverso inspirará os clientes fornecendo informações valiosas e únicas sobre um destino.

Estarão as empresas do setor preparadas para abraçar os desafios do metaverso?

As empresas que identifiquem o metaverso como algo passível de adiamento estão a arriscar a sua própria competitividade futura. Como conselho deixo o mote: pensar grande, começar pequeno, evoluir rápido.

Por: Miguel Carvalhido Ferreira

Doutorando em Turismo e assistente convidado na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar.

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