Com os Estados Unidos a tornarem-se um destino cada vez mais controverso para viajantes LGBTQ+, Portugal está a ganhar destaque como alternativa “segura e inclusiva”. Muitos turistas norte-americanos estão não só a escolher o nosso país para férias, mas também a considerá-lo como possível destino de residência, revela a Euronews Travel.
O clima político e social nos EUA, nomeadamente após políticas restritivas da administração Trump – como o reconhecimento exclusivo de dois sexos biológicos -, tem gerado incertezas entre viajantes LGBTQ+. Estas medidas criam receios quanto a documentação com marcadores de género alternativos e agravam a perceção de insegurança em vários estados norte-americanos.
Perante este cenário, está a surgir uma nova tendência: cada vez mais cidadãos LGBTQ+ dos EUA estão a virar-se para a Europa, e Portugal destaca-se como um dos destinos preferidos, tanto para férias como para uma possível mudança de vida, indica a Euronews Travel.
Portugal e Espanha no topo das preferências
Segundo Darren Burn, fundador da Out of Office, agência especializada em viagens de luxo para a comunidade LGBTQ+, há uma mudança clara no perfil dos pedidos que recebe de clientes norte-americanos. Em declarações à Euronews Travel, o especialista revelou que “nos últimos meses, temos registado um aumento significativo nos pedidos de viajantes LGBTQ+ norte-americanos interessados em passar mais tempo fora dos EUA, sobretudo em destinos europeus”.
Estes viajantes, diz Burn, não estão apenas interessados em conhecer novos locais. “Acreditamos que, atualmente, não querem apenas descobrir novos destinos e mergulhar na cultura e experiências locais, mas também procuram a sensação de segurança e inclusão que muitos países europeus oferecem”, afirmou à mesma publicação.
O especialista acrescenta que as viagens domésticas estão a tornar-se menos frequentes entre os norte-americanos LGBTQ+. “Suspeito que muitos estejam preocupados com a sua capacidade de viajar em segurança dentro do próprio país e, por isso, olham para destinos como a Europa como alternativa”, explica Burn.
Portugal com avanços legislativos relevantes
De acordo com Burn, Portugal e Espanha são atualmente dois dos destinos europeus mais procurados por viajantes LGBTQ+, não só pelas suas qualidades enquanto locais de férias, mas também como opções reais para viver. “Alguns partilharam connosco que estão a visitar certos locais com o plano de, eventualmente, se mudarem para lá”, revelou o especialista.
Este interesse é apoiado por avanços legislativos relevantes em ambos os países. Em Espanha, foi aprovada em 2022 a Lei Zerolo, que proíbe a discriminação com base na orientação sexual e identidade de género no acesso ao emprego e a serviços. No ano seguinte, foi aprovada a Lei 4/2023, que garante a igualdade das pessoas trans e os direitos das pessoas LGBTI.
Portugal, por sua vez, deu um passo importante em janeiro de 2024 ao criminalizar as práticas forçadas de conversão sexual, uma medida considerada pioneira e exemplar na Europa.
Portugal entre os melhores destinos para expatriados LGBTQ+
Portugal e Espanha integram o ranking mais recente da William Russell, especialista em seguros de saúde para expatriados, que identifica os melhores países do mundo para pessoas LGBTQ+ que procuram viver fora do seu país de origem. Espanha surge em 4.º lugar e Portugal em 9.º, destacando-se entre os destinos europeus mais acolhedores.
O estudo teve em conta vários critérios, incluindo o número de eventos LGBTQ+, o nível de segurança e a existência de políticas eficazes contra a discriminação. Os Países Baixos lideram a lista: estima-se que 14% da população se identifique como LGBTQ+ e o país registou a pontuação mais elevada em termos de inclusão – 1,527 num índice de segurança com base em cinco e 0,81 (em um) no índice de políticas anti-discriminação. Já em 2024, os Países Baixos tinham liderado a mesma classificação.
A Bélgica ocupa o segundo lugar, com uma pontuação de 0,79 no índice anti-discriminação e 1,510 no índice de segurança.



