Portugal representa menos de 1% dos mercados emissores internacionais para a Suíça, mas é atualmente um dos que mais cresce em termos percentuais. A expectativa para 2025 é “superar os 100 mil” visitantes portugueses, revelou esta segunda-feira ao TNews Leslie Bent, responsável do Turismo da Suíça em Portugal, à margem do primeiro workshop realizado pela entidade em Lisboa.
Segundo a responsável, apesar de ainda faltarem os dados relativos a dezembro e ao ano completo de 2025, o mercado nacional mantém uma trajetória crescente. Em 2024, a Suíça recebeu quase 90 mil turistas portugueses, que geraram cerca de 185 mil dormidas. Já no ano passado, até novembro de 2025, contabilizam-se 166 mil dormidas, com um crescimento de 4,5% face ao período homólogo.
“Faltam os dados de dezembro, que é sempre um mês muito bom porque tem os mercados de Natal e tem os dois feriados em Portugal, por isso vai ser ainda mais positivo e vai ser outro ano recorde”, sublinhou Leslie Bent.
Quanto às perspetivas para 2026, Leslie Bent reconhece que o ritmo de crescimento tende a estagnar. “O crescimento de 2024 a 2025 já é um pouco mais pequeno do que de 2023 a 2024, também porque, depois da pandemia, [o turismo] estabilizou-se”, admitiu.
Ainda assim, o sentimento é de confiança: “estamos sempre na expectativa de que vai ser um ano ainda melhor, especialmente porque temos mais parcerias e este workshop vai ajudar ainda mais as vendas”.

Crescimento de 45,5% em dez anos
A evolução do mercado português tem sido particularmente expressiva na última década. “De 2014 a 2024, nos últimos dez anos, tivemos um aumento de mais 45,5% de pernoitas”, destacou a responsável, acrescentando que, em 2024, Portugal foi “um dos melhores dos mercados do turismo da Suíça em termos de percentagem de crescimento”, com uma subida superior a 14,5%.
Apesar do peso reduzido no total internacional, sendo que “Portugal significa menos de 1% do total do resto do mercado mundial”, o desempenho supera o de vários mercados europeus tradicionais, registando “um dos melhores resultados em termos de aumento de pernoitas”.
Atualmente, os principais mercados da Suíça são o mercado doméstico, seguido da Alemanha, França e Estados Unidos. Já o peso do mercado espanhol “é quatro vezes maior do que o de Portugal”.
“Isso mostra uma nova tendência: que os portugueses vão mais à Suíça do que costumavam ir”, salientou. “Por exemplo, a Alemanha já é um mercado muito maduro para nós – [os turistas alemães] costumam ir à Suíça há muito tempo – e, por isso, tem um crescimento menor.”
Outro dado relevante é o perfil do turista nacional: 53,5% dos portugueses que viajam para a Suíça são “first time visitors”. A estada média situa-se entre duas a três noites, revelando potencial para aumentar a permanência no destino.
Para Leslie Bent, este crescimento poderá estar associado a alterações no comportamento do viajante. “Talvez o facto de os portugueses estarem a mudar o comportamento e procurarem mais destinos que têm natureza. O impacto da pandemia afetou as pessoas e fez com que procurassem mais proximidade e lugares mais seguros. A Suíça atrai [turistas] porque tem essa segurança, tem tudo o que funciona”, referiu.
As redes sociais e o reforço da promoção têm igualmente contribuído para esta evolução. “Faz quatro anos que estamos em Portugal e começámos a desenvolver mais atividades”, recordou, destacando a sinergia com a equipa em Espanha no desenvolvimento de campanhas conjuntas.


Workshop marca “início de negócios entre agentes portugueses e parceiros da Suíça”
O Turismo da Suíça realizou esta segunda-feira, 23 de fevereiro, o seu primeiro workshop em Lisboa, juntando 31 parceiros suíços – entre hotéis, destinos e outras entidades de turismo – e agentes e operadores portugueses.
Para Leslie Bent, o evento assinala uma nova fase na consolidação do destino em Portugal. “Faz quatro anos agora que temos presença em Portugal, comigo em Lisboa. Tivemos primeiro a experimentar, a ver se tinha potencial e a fazer contactos”, explicou.
Numa primeira fase, o trabalho passou pelo contacto com agências de viagens, estabelecimento de parcerias com operadores portugueses e realização de webinars. “Depois, trabalhámos com os nossos parceiros na Suíça e decidimos apresentar a proposta de fazer o primeiro workshop em Lisboa”, acrescentou.
“Tivemos muito bons números em termos de inscrições. Tivemos 85 agentes ou operadores [portugueses] que se registaram”, destacou, considerando que o evento pode ser “uma abertura muito boa para o início de negócios entre os agentes portugueses e os parceiros da Suíça”.
“Esperamos que [o evento] traga ainda mais vendas e entusiasmo. Os agentes em Portugal ainda não têm muito conhecimento da Suíça e esta é uma boa oportunidade para mostrar exatamente o que podem vender. É o início de mais workshops no futuro, espero”, garantiu.
Estratégia de colaboração com parceiros portugueses
A estratégia do Turismo da Suíça em Portugal tem passado por trabalhar diferentes segmentos. “No início, fizemos muito trabalho com a imprensa para mostrar uma Suíça diferente, porque as pessoas conheciam mais a neve e os mercados de Natal, mas é um país de quatro estações e tem um verão lindo”, explicou.
Em paralelo, houve uma aposta nas redes sociais, com recurso a criadores de conteúdos e influenciadores, para aumentar o conhecimento do destino. Ao nível da distribuição, foram desenvolvidas, “pouco a pouco”, atividades com os agentes de viagens e operadores para “ver onde havia a possibilidade de melhorar e criar novos produtos”.
“Fizemos campanhas com a Abreu e a Bestravel para ver aquilo que funcionava, aquilo que faltava, e para realizar formações e webinars para melhorar o conhecimento sobre a Suíça”, acrescentou.
Entre os parceiros portugueses destacam-se a Viagens El Corte Inglés, Abreu, TUI, Lusanova, Nortravel e Pinto Lopes Viagens. “Fizemos a nossa primeira fam trip há dois anos, com um grupo de cinco operadores, e vamos fazer ainda mais”, adiantou. O destino promove ainda a sua própria feira profissional, a Switzerland Travel Mart, onde no ano passado foram convidados cinco operadores e agentes portugueses.
A relação com as agências, disse, foi sendo construída gradualmente. “Demorou um pouco no início, também porque era o fim da pandemia e os próprios agentes tinham outros focos. Foi pouco a pouco, mas evoluiu muito bem”, afirmou, apontando como exemplo o crescimento das reservas através da Viagens Abreu e da Bestravel.



