Portugueses mantêm “forte vontade” de viajar apesar da instabilidade e sobem orçamento para 1.662 euros

-PUB-

O desejo de viajar mantém-se elevado entre os portugueses, mesmo num contexto marcado pela instabilidade geopolítica e pelo aumento do custo de vida. De acordo com a 25.ª edição do Barómetro Anual de Férias de Verão da Europ Assistance, realizado em parceria com a IPSOS, 82% dos portugueses tencionam viajar em 2026, um valor apenas superado pelo Reino Unido (84%).

Segundo o estudo, esta “forte vontade de viajar” reflete-se também no orçamento médio para férias, que registou um aumento de 147 euros face a 2025, fixando-se nos 1.662 euros. Apesar da subida de 10%, Portugal permanece abaixo da média europeia, situada nos 2.089 euros.

Entre os 11 países europeus analisados, ocupa a nona posição, enquanto a Suíça lidera com 3.100 euros. No ranking global dos 26 países incluídos no estudo, Portugal desce para a 19.ª posição, com a Suíça a manter a liderança, seguida pelos Estados Unidos (3.049 euros) e Austrália (3.035 euros).

Turismo interno ganha expressão

No que diz respeito aos destinos, cresce a preferência por viajar dentro do país, opção escolhida por 47% dos portugueses. Já as viagens internacionais registam um ligeiro decréscimo, passando de 43% em 2025 para 42% em 2026. Espanha (21%), Itália (8%) e Brasil (9%) destacam-se como os destinos internacionais preferidos, com este último a entrar pela primeira vez no top 3.

A escolha do destino é cada vez mais influenciada por questões de segurança. Em Portugal, 70% dos inquiridos referem os conflitos armados como fator de preocupação e 67% apontam o risco de ataques terroristas – valores superiores à média europeia (59% e 53%, respetivamente). Na Europa, 30% dos viajantes já consideram a segurança um critério determinante na escolha do destino, refletindo uma tendência crescente.

De acordo com o estudo, “os conflitos armados no Médio Oriente parecem ter afetado o interesse de alguns viajantes pela região”, com países como os Emirados Árabes Unidos a surgirem entre os destinos que os viajantes ponderam evitar devido ao clima político, a par dos Estados Unidos.

Globalmente, a Ásia e a América do Norte registam uma quebra no interesse como destinos, refletindo o impacto das tensões geopolíticas e perturbações em grandes hubs aeroportuários.

Custos continuam a travar planos de férias

Apesar da forte intenção de viajar, as questões financeiras permanecem o principal entrave. Entre os portugueses que não planeiam férias, 49% apontam a necessidade de poupança como principal motivo. A inflação continua a ser o fator mais condicionante, sendo Portugal o país europeu onde este receio é mais evidente (90%, mais 5% do que em 2025).

Ainda assim, 78% dos portugueses planeiam fazer pelo menos uma viagem este verão, um valor estável e acima da média europeia (77%). Alemanha e Bélgica destacam-se como os países com menor intenção de viajar, com 70% e 72%, respetivamente.

Inteligência Artificial ganha terreno no planeamento

O estudo destaca também o crescimento do uso de ferramentas de Inteligência Artificial no planeamento de viagens. Em Portugal, 27% dos inquiridos já recorrem a estas tecnologias, um aumento de 11% face a 2025, colocando o país entre os que mais utilizam IA na Europa.

As principais utilizações incluem encontrar sugestões de rotas, locais a visitar e atividades (96%), descobrir experiências e atrações no destino (94%), ajuda na escolha de destino (87%). 

Entre os principais benefícios apontados estão o acesso rápido à informação (54%), a personalização dos itinerários (50%) e a possibilidade de encontrar melhores ofertas e preços competitivos (48%).

A nível europeu, cresce também o recurso a agências de viagens online, com 35% dos inquiridos a utilizarem plataformas como o Booking.com, valor que em Portugal se situa nos 34%.

A maioria dos portugueses começa a planear as férias entre dois a quatro meses antes da viagem (28%), privilegiando a procura de melhores ofertas. O avião continua a ser o principal meio de transporte (52%) e os hotéis lideram nas preferências de alojamento (51%).

Sustentabilidade em destaque

Portugal volta a destacar-se como um dos países europeus mais comprometidos com práticas sustentáveis no turismo. Este ano, 91% dos inquiridos manifestam intenção de adotar comportamentos responsáveis, evitando o desperdício de recursos locais – o valor mais elevado entre os países analisados.

Desejo de viajar mantém-se apesar dos desafios

Segundo Virginie Babinet, CEO de Seguros de Viagem e Assistência da Europ Assistance, “o desejo de viajar continua forte e inalterado, apesar das escolhas mais difíceis e do custo de vida continuar a ser uma das principais preocupações a nível global”. A responsável sublinha, porém, que “as considerações de segurança têm um peso cada vez maior na escolha dos destinos, com as decisões a serem cada vez mais moldadas por considerações de risco”.

“Ao mesmo tempo, a inteligência artificial é agora uma verdadeira ferramenta de planeamento para uma parcela crescente de viajantes em todo o mundo, demonstrando um rápido impulso, particularmente nos mercados emergentes e de alto crescimento”, acrescenta.

Globalmente, até oito em cada dez inquiridos afirmam estar entusiasmados com a ideia de viajar em 2026, confirmando que “as intenções de viajar estabilizaram-se num nível elevado”, mesmo perante um contexto internacional desafiante e com o custo de vida a manter-se como uma preocupação central.

O estudo conclui, assim, que “isto confirma que o pico atingido no ano passado se mantém firme, apesar de um contexto geopolítico global instável e apesar de o custo de vida continuar a ser uma das principais preocupações globais, com quase metade dos viajantes europeus a planear aumentar o seu orçamento para férias em comparação com o ano passado”.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui