Restauração e alojamento em Portugal estão 31% mais caros do que antes da pandemia

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Entre 2019 e 2024, os preços praticados em Portugal por restaurantes, cafés, bares e alojamentos aumentaram 31,4%. A informação foi avançada pelo jornal Público, que citou os dados do Boletim de Outono do Banco de Portugal.

A variação foi consideravelmente superior à dos países do Mediterrâneo da União Europeia, cuja média se situou nos 19,7%.

A evolução do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) revela que Portugal registou um aumento mais expressivo do que alguns dos seus principais parceiros europeus. Em França, o crescimento situou-se nos 15,3%, enquanto na Grécia, Itália e Espanha as subidas oscilaram entre os 20,7% e os 21,9%.

No primeiro semestre de 2024, os preços associados ao turismo aumentaram 4,7% em Portugal. Este valor supera ligeiramente os 4,3% registados em Espanha, mas permanece abaixo da subida de 6,9% observada na Grécia, segundo os dados mais recentes.

Apesar deste aumento, o nível médio de preços em Portugal continua abaixo da média europeia. De acordo com a publicação diária, em 2024, os custos dos serviços de alojamento e restauração no país representavam 76% da média da UE, contra 84% em Espanha e 110% em França.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, desde o início do ano, os aumentos de preços no setor do turismo foram sempre superiores à variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC). Entre janeiro e agosto, a inflação nos serviços de alojamento e restauração manteve-se acima dos 5%, atingindo em agosto os 7,67% — o valor mais elevado dos últimos 18 meses —, muito acima dos 2,8% registados no IPC geral.

Paralelamente, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) nos alojamentos turísticos atingiu em agosto um novo recorde de 116,8 euros, mais 2,6% face ao período homólogo de 2024. O Algarve registou o valor mais elevado, com 174,9 euros por quarto, um crescimento de 4,7%. Até agosto, o número de hóspedes cresceu 3,2%, as dormidas 2,4% e os proveitos totais 7,9%, ultrapassando os 4,89 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal atribuiu esta evolução ao aumento da procura externa. Entre 2019 e 2024, as dormidas de turistas estrangeiros em Portugal aumentaram 15,6%, quase o dobro da média europeia, que se situou nos 8,3%. As exportações nominais de turismo, por sua vez, subiram mais de 50% no mesmo período, atingindo 27,6 mil milhões de euros em 2024, cerca de dez mil milhões acima do valor pré-pandemia.

Apesar de ligeiras perdas de quota nos últimos três anos, o setor acumulou ganhos significativos desde 2020, ano em que a pandemia da Covid-19 provocou uma disrupção nos fluxos turísticos. No primeiro semestre de 2025, o crescimento das exportações abrandou para 5,6%, refletindo um menor aumento de visitantes estrangeiros, de apenas 1%.

O Turismo de Portugal sublinhou ainda as diferenças entre mercados: as dormidas de turistas britânicos registaram uma ligeira queda de 0,1% em Portugal, enquanto em Espanha aumentaram 3,8%. Por outro lado, o mercado norte-americano teve um desempenho mais favorável em território português, com um crescimento de 7,5%, face a um modesto aumento de 0,4% no país vizinho.

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