Radar TNews 2025 | Nelson Almeida

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Com o ano a chegar ao fim, é tempo de olhar para trás e identificar os sinais que marcaram 2025.

No âmbito da rubrica Radar TNews: O que marcou o ano, o TNews convidou profissionais do setor do turismo a partilhar a sua leitura sobre os acontecimentos mais relevantes, os sinais positivos e os alertas que merecem atenção no futuro.

Ao longo das próximas semanas, publicamos as perspectivas individuais dos nossos entrevistados.


Nelson Almeida | Head of Account Management, Portugal & Spain da Travelport

O que entrou no seu radar em 2025?
Ainda que se fale de IA há alguns anos, nomeadamente neste setor, em diversos fóruns e encontros, este ano marca uma viragem: passamos de um tema meramente conceptual para começarmos, de forma progressiva, a assistir aos primeiros passos práticos da aplicação da IA em múltiplas soluções e negócios do setor.
Além da aplicação já conhecida em muitas soluções de suporte ao cliente — como a da Travelport, onde um agente virtual responde a questões colocadas pelos utilizadores através da pesquisa numa base de dados existente, encontrando respostas de forma muito mais rápida do que qualquer humano — começam também a surgir os primeiros desenvolvimentos na criação de modelos baseados em padrões e em grandes volumes de dados, como motores de reservas.
Estes modelos ajudam o consumidor ao filtrar e entregar conteúdos mais alinhados com as suas próprias preferências. Embora ainda em desenvolvimento, irão conduzir a uma melhor experiência por parte do consumidor de viagens.

Que sinal positivo destacou no setor?
A capacidade de Portugal se reinventar e, uma vez mais, ser premiado em várias categorias numa indústria cada vez mais competitiva. Apesar de todas as limitações e constrangimentos conhecidos — com o Aeroporto de Lisboa à cabeça — o reconhecimento internacional de várias regiões, como a Madeira ou o Algarve, é prova do extraordinário trabalho que tem sido desenvolvido de forma transversal em todo o setor.
Trata-se de um esforço realizado muitas vezes em competição com mercados que dispõem de maior capacidade de investimento na promoção turística. Frequentemente, os portugueses não reconhecem plenamente o bom trabalho desenvolvido em diversas áreas. Creio que, no que diz respeito ao turismo, o país e todos os que trabalham no setor só podem sentir orgulho.

Que alerta ou tendência emergente devemos observar em 2026?
Puxando a brasa à minha sardinha, destaco algo que não tardará a surgir também em Portugal: as agências de viagens híbridas, com agentes de IA a oferecer soluções de viagem aos consumidores, validadas por equipas de consultores experientes que, numa fase inicial, irão filtrar a qualidade da informação prestada.
Não ficarei surpreendido se, quer no segmento corporate, mas sobretudo no lazer, surgirem os primeiros projetos deste tipo em Portugal.

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