Com o ano a chegar ao fim, é tempo de olhar para trás e identificar os sinais que marcaram 2025.
No âmbito da rubrica Radar TNews: O que marcou o ano, o TNews convidou profissionais do setor do turismo a partilhar a sua leitura sobre os acontecimentos mais relevantes, os sinais positivos e os alertas que merecem atenção no futuro.
Ao longo das próximas semanas, publicamos as perspectivas individuais dos nossos entrevistados.
Nuno Mateus | Diretor geral da Solférias
O que entrou no seu radar em 2025?
Em 2025, há dois fatores claros que marcaram o nosso radar.
Do lado negativo, mantém-se um elevado nível de instabilidade e crispação a nível global. Embora alguns focos de tensão estejam hoje mais controlados do que no passado recente, o contexto internacional continua complexo, o que nunca é positivo para o turismo e pode afetar determinados destinos — ainda que, felizmente, fora da nossa programação.
Por outro lado, o aspeto positivo é muito relevante: 2025 foi um ano bastante forte e consolidou uma mudança clara no comportamento do consumidor, sobretudo no que diz respeito à antecipação das compras. Se anteriormente predominavam as reservas tardias, hoje, muito impulsionadas pela gestão dinâmica de preços das companhias aéreas e dos hotéis, as pessoas perceberam que reservar mais cedo traz vantagens claras, permitindo planear melhor e obter melhores condições para as suas férias.
Que sinal positivo destacou no setor?
Sem dúvida, a antecipação das reservas é o sinal mais positivo a destacar. Trata-se de uma mudança estrutural que beneficia todo o setor. Ao recebermos reservas com maior antecedência, ganhamos capacidade de planeamento, incluindo a análise de possíveis aumentos de oferta ou de capacidade em determinados produtos.
Este comportamento reflete-se também no calendário de vendas. Se há alguns anos o pico ocorria em maio, depois passou para abril e mais recentemente para março, hoje verificamos uma procura cada vez mais forte logo a partir do final de setembro e outubro. A Black Week tornou-se, inclusivamente, um dos momentos mais importantes do ano em termos de vendas, o que confirma uma transformação profunda nos hábitos do consumidor.
Que alerta ou tendência emergente devemos observar em 2026?
Ao nível dos alertas, a principal preocupação continua a ser a infraestrutura aeroportuária, em particular o Aeroporto de Lisboa, que se encontra claramente no limite da sua capacidade. Para operadores como nós, com forte foco no outgoing, a ausência de uma solução ou de um calendário concreto para uma alternativa a Lisboa representa um constrangimento sério.
É verdade que contamos com uma TAP hoje mais envolvida e próxima dos operadores, o que tem ajudado a mitigar alguns problemas. No entanto, mesmo no Aeroporto do Porto, apesar de existir potencial de crescimento, a lentidão na execução das obras pode vir a criar novos constrangimentos no futuro.
Quanto às tendências, a antecipação das reservas não só se mantém como se reforça. Se 2024 já tinha marcado uma preparação antecipada para 2025, este ano essa tendência ganhou ainda mais expressão. Estamos perante um comportamento cada vez mais consolidado, com um peso significativamente superior ao do ano passado, e que deverá continuar a moldar o setor nos próximos anos.




