“Admitindo-se um desempenho turístico semelhante ao de 2025, o principal desafio continuará a ser o equilíbrio entre oferta, preços e sustentabilidade económica, num contexto marcado por fiscalidade elevada, pressão regulatória e necessidade de investimento contínuo”
O ano de 2025 encerra um dos períodos mais exigentes da história recente do setor de rent-a-car em Portugal. Após vários anos marcados por choques sucessivos — pandemia, disrupções nas cadeias de abastecimento, crise dos semicondutores, inflação persistente e subida acentuada do custo do capital — o setor entra agora numa fase que não pode ser descrita como uma simples recuperação, mas antes como um processo de consolidação estrutural, com profundas implicações económicas, operacionais e regulatórias.
Em termos de procura, 2025 confirmou-se como um ano globalmente positivo. A atividade turística manteve um bom desempenho, sustentando níveis elevados de utilização da frota, especialmente nos períodos de maior sazonalidade. No entanto, esta evolução favorável da procura não se traduziu numa recuperação significativa das margens do setor. A intensa concorrência, num mercado altamente transparente e maduro, continuou a exercer forte pressão sobre os preços, dando continuidade ao ajustamento tarifário iniciado em 2024.
Este enquadramento ocorreu num contexto de reforço significativo da capacidade instalada. A frota de veículos ligeiros de passageiros em operação ascendeu, em 2025, a cerca de 108 mil viaturas, face a aproximadamente 96 mil no período homólogo. Nos veículos ligeiros de mercadorias, a frota atingiu cerca de 9.800 unidades. Em termos de frota de pico, o setor passou de cerca de 115 mil veículos em 2024 para aproximadamente 124 mil em 2025, refletindo a normalização do fornecimento por parte dos fabricantes e a aposta das empresas na defesa da sua capacidade de resposta à procura.
O turismo continuou a ser o principal motor da atividade, representando mais de 60% do volume de negócio nos períodos de maior intensidade, com especial destaque para os mercados norte-americano e francês, que registaram crescimentos expressivos. Itália e Alemanha consolidaram igualmente a sua relevância. Paralelamente, o mercado empresarial e o setor público mantiveram um peso estrutural importante, contribuindo para a mitigação da sazonalidade e para a estabilidade da utilização da frota ao longo do ano.
Do ponto de vista financeiro, 2025 foi um ano de equilíbrio exigente. A pressão sobre as margens manteve-se num contexto de custos operacionais elevados e de exigências crescentes de investimento, nomeadamente na eletrificação das frotas, na digitalização e no cumprimento de um enquadramento regulatório cada vez mais complexo. Ainda assim, o setor demonstrou resiliência e capacidade de adaptação, não se identificando fragilidades sistémicas generalizadas, mas sim uma diferenciação crescente entre operadores em função da sua eficiência e posicionamento estratégico.
As perspetivas para 2026 apontam para a continuidade deste quadro de exigência. Admitindo-se um desempenho turístico semelhante ao de 2025, o principal desafio continuará a ser o equilíbrio entre oferta, preços e sustentabilidade económica, num contexto marcado por fiscalidade elevada, pressão regulatória e necessidade de investimento contínuo. Acrescem riscos específicos em alguns territórios, como as Regiões Autónomas, onde abordagens regulatórias desproporcionadas podem comprometer a competitividade turística e a viabilidade das empresas.
Neste contexto, o setor de rent-a-car reafirma-se como um pilar essencial da mobilidade turística e económica do país. A ARAC continuará a assumir um papel ativo e responsável na defesa de um enquadramento fiscal e regulatório equilibrado, na promoção de concorrência saudável e na valorização de uma atividade que gera emprego, assegura mobilidade e contribui de forma decisiva para a competitividade de Portugal enquanto destino turístico e económico.
Por Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC




