Passavam poucos minutos das 11h da manhã, quando as portas do gabinete de Abdulla Mausoom, no centro da capital das Maldivas, Malé, se abriram. A entrevista ao ministro do Turismo das Maldivas não estava planeada na viagem de familiarização ao destino que se iniciara uns dias antes, a convite da DIT Portugal, da Turkish Airlines e do receptivo IMTM Travel, mas foi prontamente adicionada ao programa.
Assim que nos sentámos com Mausoom no seu gabinete, o ministro do Turismo quis saber o que o grupo de agências de viagens português já tinha visitado e o que estavam a achar da viagem. Mausoom é um exemplo da arte de bem receber do povo das Maldivas, hospitaleiro e simpático. Na meia hora que se seguiu, falámos sobre a resposta das Maldivas à pandemia, investimento estrangeiro no país, promoção, e até das semelhanças entre a cultura portuguesa e a das Maldivas.

Em 2020, enquanto o mundo estava em confinamento, as Maldivas preparavam-se para receber novamente visitantes. Na verdade, o país esteve fechado apenas três meses, ou 110 dias precisamente. Graças a uma forte aposta na promoção e campanhas da Maldives Marketing and Public Relations Corporation e a uma estratégia liderada pelo presidente do país, foi possível congregar esforços em torno de um objetivo comum: receber em segurança todos aqueles que quisessem voltar a viajar para um destino idílico.
“Toda a gente foi envolvida, o turismo é a nossa principal indústria, responsável por 40% do PIB”, refere o ministro. “O presidente tomou a liderança e envolveu todos os stakeholders e juntos conseguimos elaborar uma estratégia de abertura. Quisemos garantir a segurança e saúde de todos: turistas, staff e visitantes no geral”, recorda. Adicionalmente, mantiveram um política externa forte: “Fizemos boas relações públicas no estrangeiro, a nossa política de negócios estrangeiros foi muito forte, fomos capazes de fazer muitas coisas, com entidades internacionais, como a WTTC e a Organização Mundial do Turismo. Quando seguimos as ‘guidelines’ destas entidades, as pessoas confiam em nós. Foi uma parceria internacional com a indústria. Também trabalhámos com as companhias aéreas, precisávamos de voos e dos resorts abertos”.
Investir nas Maldivas
Com aproximadamente 1190 ilhas de corais, das quais apenas 188 são habitadas e 160 são resorts turísticos, as Maldivas são um destino único no mundo para quem quer viajar, mas também para quem quer investir. “Todos os países dizem: venham para o nosso país, porque é uma terra de oportunidades. Nós dizemos: Venham para as Maldivas, porque é uma terra e mar de oportunidades”, afirma Mausoom.” “Esses são os nossos recursos, temos um ambiente natural único, ótimas praias, ótimas ilhas, ótima fauna e flora, e um ótimo clima de investimento, com um quadro legislativo favorável aos investidores”, garante. No entanto, deixa uma recomendação: “Podem investir juntamente com um empresário local, isso torna o investimento muito forte. Os investidores vão para onde toda gente vai, todas as cadeias internacionais estão cá, se não estão, estão ‘a falhar o show’, venham e façam parte do destino considerado o melhor do mundo por três anos consecutivos”, recorda.
“Todos os países dizem: venham para o nosso país, porque é uma terra de oportunidades. Nós dizemos: venham para as Maldivas, porque é uma terra e mar de oportunidades”
O ministro do Turismo não esconde que o foco do destino é “uma ilha, um resort”. “O nosso portfólio é composto por ultra-luxo, uma ilha, um resort, estamos focados nesse conceito. Mas também temos um conceito midscale, ilhas locais como Maafushi. Temos produtos para todos, desde os clientes de jatos privados para os resorts de ultra-luxo até aos clientes de classe business e económica ou low budget. No que quer que queiram investir, a oportunidade existe, o retorno no investimento é muito rápido. Num resort, o investimento pode ser recuperado em dez anos se for bem gerido”, afirma.
No que diz respeito ao desenvolvimento conceptual dos projetos, existem apenas duas restrições, alerta o responsável: “Uma relacionada com o ambiente, e outra com a segurança e saúde, caso contrário, o céu é o limite”.
De destino de mergulho a destino para todos
Abdulla Mausoom atribui o sucesso das Maldivas no pós-pandemia também às agências de viagens. “O nosso sucesso durante a pandemia deveu-se às agências de viagens, Os clientes sentiam que havia alguém no destino que tomaria conta delas. O nosso turismo vive da parceria de todos, hotéis, companhias aéreas, agências”, defende. “Agora somos conhecidos como um destino para todos, antes éramos conhecidos como um destino de mergulho, inicialmente vinham para caça submarina, os italianos. Depois tornámo-nos um destino popular para as luas de mel e, em seguida, para as famílias. Agora somos um destino de famílias e seguimos a tendência de saúde e bem estar. Há diferentes resorts focados nesse tema”, constata. “Penso que temos semelhanças com os portugueses, a nossa hospitalidade é muito forte, aliás, a hospitalidade das Maldivas é o nosso principal cartão de visita, vem de nós, não é uma coisa que treinamos, é natural”, defende.
O ministro não tem dúvidas de que as Maldivas estão agora posicionadas “como um destino onde o turista pode fazer o que quiser”. “Se quiser ser um nómada digital, pode vir, a internet é ótima, as Maldivas são um destino para qualquer um neste momento”, afirma. A isto, Abdulla Maussom acrescenta que o destino pretende focar-se no turismo cultural, porque “o novo turismo é sobre experiências, cultura, herança, gastronomia, ecossistemas, é por isso que a nossa nova estratégia foca-se nestas coisas, fazer das Maldivas um destino sustentável, através da proteção do ambiente, preservar e manter a cultura e a cozinha local”.
IMTM Travel dá a conhecer as Maldivas aos agentes de viagens portugueses
Foi alinhada com esta estratégia, que a agência IMTM Travel organizou a viagem de familiarização para oito agências de viagens da DIT Portugal, que decorreu entre os dias 18 e 25 de maio.
Shiuna Khalid é natural das Maldivas e fundou em 2018 a IMTM Private Limited, uma empresa focada em três áreas de negócio: marketing, eventos e viagens. Conheceu Sónia Guimaro em 2020, e pouco tempo depois começaram a trabalhar em conjunto para trazer mais portugueses às Maldivas.
“Desde o início que queremos promover diferentes experiências, porque as Maldivas não são apenas focadas no ultra-luxo e luas de mel, hoje em dia é um destino trendy e acessível para qualquer pessoa que queira visitar”, começa por referir Sónia Guimaro, que hoje em dia representa a IMTM Travel em Portugal. “Para o mercado português estamos a apostar mais nas experiências e a mostrar que as Maldivas têm cultura. Os clientes podem ficar três dias numa ilha pública, contactar com os locais, fazer passeios de barco para ver golfinhos, scuba diving, sunset fishing, experimentar a gastronomia típica das Maldivas”, exemplifica, até porque, defende, “as experiências nas ilhas locais são mais acessíveis, nos resorts são três vezes mais caras”. A esta experiência, o cliente pode juntar a experiência de estar num resort. “O que notamos é que no mercado português, toda a gente se foca nos resorts e no ultra-luxo”, remata. “Aqui podemos ter wellness, até MICE e mercado corporate. Além das luas de mel, podem vir com grupos, amigos, desfrutar do destino, ou até fazer uma workation, de três semana”, complementa Shiuna Khalid, managing director da IMTM Travel

Outra das apostas da IMTM Travel para o mercado português são as surf trips e, para isso, sugerem os “liveaboards” (embarcações adaptadas para o turismo de mergulho, onde é possível dormir mais do que uma noite). “A melhor opção para as surf trips é ir de uma ilha para a outra e, nesse caso, o liveaboard é o ideal”, afirma Shiuna Khalid.
Nesta viagem de familiarização dos agentes de viagens portugueses, optou-se pela estadia em vários tipos de alojamento, desde resorts de luxo, a hotéis e guest houses em ilhas locais. O objetivo, explicam as responsáveis, foi mostrar as vantagens de elaborar um programa que inclua a estadia numa ilha pública ou numa ilha local. “Os clientes que ficam alojados numa ilha local podem ter a experiência de ir a um resort durante um dia, almoçar, ir ao spa, no fundo realizar um ‘day trip’, ou ir a um ‘sand bank’, por exemplo”.
“Desde o início que queremos promover diferentes experiências, porque as Maldivas não são apenas focadas no ultra-luxo e luas de mel, hoje em dia é um destino trendy e acessível para qualquer pessoa que queira visitar”
Foi com a premissa de ajudar a desenvolver o turismo local que nasceu a área de negócios de viagens na IMTM, conta Shiuna Khalid. “Queremos focar-nos nas viagens e ajudar o turismo nas ilhas locais, foi assim que iniciámos a componente de viagens”. Por sua vez, a empresa também desenvolve uma vertente mais social, como explica a fundadora: “O foco da nossa empresa é empoderar as mulheres nas Maldivas, a maior parte do staff da IMTM é composto por mulheres. Por outro lado, criamos um ambiente favorável para viajar, queremos promover as Maldivas como um destino seguro para as mulheres viajarem sozinhas”.
Como parceira das agências de viagens, os serviços incluem as várias componentes da viagem: desde os transfers para os hotéis (em speed boat ou hidroavião, por exemplo) até ao alojamento. “Não deixamos o cliente no aeroporto. Damos-lhe um serviço premium, quer vá para um resort de ultra luxo e ou para uma guest house”, afirma Sónia Guimaro.
Com a realização desta fam trip, Shiuna Khalid espera que o mercado português conheça outros segmentos de oferta nas Maldivas, porque a “perceção é apenas de resorts de ultra luxo, queremos apresentar-lhes todos os segmentos. Por isso, organizámos transfers em speed boat, hidroavião, uma estadia numa ilha local e resort. Quando veem e experimentam, mais facilmente podem vender aos seus clientes. No final, terão mais ferramentas para falar das Maldivas”, conclui.
“Estamos muitos interessados e entusiasmados em trabalhar com o mercado português. Esperamos aumentar os números de Portugal, e estamos a tentar desenvolver uma ligação direta, levará tempo, temos de fazer crescer os números primeiro”, remata.

Por sua vez, Ruben Nunes, diretor comercial da DIT Portugal afirma que “deixamos as Maldivas com o sentimento de dever cumprido”. Com o objetivo de “criar experiências únicas, optámos por conhecer, além dos resorts de luxo, ilhas locais onde a cultura das Maldivas está espelhada em cada passo que damos, numa aventura única que todos os recantos que estas ilhas têm para nos oferecer”.
Para o diretor comercial do grupo de gestão, as Maldivas são “muito mais do que resorts de luxo, bungalows sobre a água e uma vida luxuriante sobre uma água translúcida que se confunde com o céu”.
“Deixamos as Maldivas com uma ideia completamente diferente daquela para a qual fomos formatados, e percebemos que “há muito mais Maldivas além do luxo”, conclui.
*Viajou para as Maldivas a convite da DIT Portugal, Turkish Airlines e IMTM Travel






