Reservas globais de viagens estimadas em 1,4 mil milhões de euros em 2025

O mercado global de viagens continua a crescer de forma sustentada após a pandemia, com as reservas a atingirem um valor estimado de 1,67 biliões de dólares (cerca de 1,42 mil milhões de euros) em 2025. A conclusão é de um relatório da Phocuswright, que analisa dados e tendências do setor a nível mundial.

De acordo com a consultora, o ritmo de crescimento abrandou face ao forte efeito de recuperação registado em 2023 e 2024, mas a procura mantém-se robusta e transversal a diferentes regiões e segmentos, confirmando o peso do turismo como um dos setores de consumo mais dinâmicos da economia global.

A retoma é fortemente impulsionada pelo regresso das viagens internacionais. A região da Ásia-Pacífico destaca-se com fluxos recorde de viagens para o exterior, alterando padrões globais, enquanto a Europa e as Américas continuam a gerar volumes estáveis tanto no lazer como no corporativo. Apesar de fatores como inflação, taxas de juro elevadas e tensões geopolíticas, os dados indicam que os consumidores continuam a privilegiar o gasto em experiências, incluindo viagens.

Impacto económico global significativo

À escala macroeconómica, o turismo e as viagens deverão gerar mais de 11,7 biliões de dólares em PIB global (aproximadamente 9,95 mil milhões de euros) em 2025, representando cerca de 10% do total da despesa mundial e suportando perto de 371 milhões de empregos. O gasto de visitantes internacionais deverá alcançar um novo máximo histórico de 2,1 biliões de dólares (cerca de 1,79 mil milhões de euros), ultrapassando, pela primeira vez, os níveis pré-pandemia. Ainda assim, a Phocuswright alerta para uma recuperação desigual entre regiões.

A América do Norte e a Europa entram numa fase de maior estabilização após dois anos de forte crescimento, sustentadas pela procura interna e por ecossistemas turísticos consolidados, mas com taxas de crescimento mais moderadas. Em contraste, a Ásia-Pacífico mantém-se como o principal motor de expansão, apoiada pela dimensão populacional, pelo aumento do rendimento e pela normalização total das ligações internacionais.

Mercados emergentes na América Latina e no Médio Oriente também registam aceleração, embora a partir de bases mais reduzidas, beneficiando de investimentos em aviação, hotelaria e infraestruturas digitais.

Estados Unidos lideram, mas Ásia ganha peso

Os Estados Unidos continuam a ser o maior mercado de viagens do mundo, com reservas projetadas em 506,8 mil milhões de dólares (cerca de 430,8 mil milhões de euros) em 2025. No entanto, o crescimento abranda, refletindo a transferência de dinamismo para a Ásia e outras economias emergentes.

China e Japão ocupam o segundo e terceiro lugares no ranking global, com o Japão a destacar-se por um crescimento anual próximo de 10%, um dos mais elevados entre os grandes mercados turísticos. Na Europa, Alemanha, Reino Unido e França continuam a sustentar a procura regional, apesar de serem ultrapassados em termos de crescimento por outros mercados.

Os Emirados Árabes Unidos, Índia e Arábia Saudita lideram os ganhos no Médio Oriente e em parte da Ásia, impulsionados por estratégias de turismo agressivas e pelo alargamento da classe média. Ao mesmo tempo, crescimentos de dois dígitos no Brasil, México e Rússia refletem um reequilíbrio gradual do mercado global, com estes países a aumentarem a sua quota de reservas totais e online.

O outlook da Phocuswright para 2025 aponta, assim, para um setor cada vez menos concentrado apenas nos mercados tradicionais. Embora estes continuem a ser determinantes em escala, o centro de gravidade do turismo mundial está a deslocar-se progressivamente para economias em rápido crescimento, desenhando um panorama mais diversificado e competitivo nos próximos anos.

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