Quinta-feira, Fevereiro 9, 2023
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Reservas na hotelaria: “2023 vai ser como 2022, ou ainda melhor”

Depois de 2022 ter-se revelado o melhor ano de sempre para a hotelaria nacional, a questão que se coloca agora é se o ano de 2023 terá um comportamento semelhante. A avaliar pelos dados compilados pela GuestCentric, empresa fornecedora de websites hoteleiros e soluções de reservas para hotéis, 2023 pode mesmo ultrapassar 2022 em número de reservas e até em preço médio.

Durante o Open Day de Natal, realizado no passado dia 19 de dezembro para um grupo de clientes, no seu escritório em Lisboa, a GuestCentric analisou os dados de 2022 e avançou perpetivas para 2023, com base numa amostra de 293 unidades de alojamento que constam do portefólio da empresa, distribuídas por todo o território, e com uma dimensão média de 55 quartos.

Ao TNews, Pedro Colaço, CEO da GuestCentric, resumiu as principais conclusões deste encontro. Começando pelo ano que agora findou, 2022 foi “de longe o melhor ano de sempre”, com destaque para o preço médio por noite por quarto que aumentou 27% face a 2019 (+38 euros). Verificou-se crescimento em todas as regiões mas especialmente no Algarve, Alentejo e o Porto. “Quem cresceu mais em preço médio foi o Algarve que cresceu de 119, em 2019, para 173. O preço médio foi claramente a estrela do ano, e permitiu este desempenho enorme das nossas unidades. Por outro lado, se somarmos isso ao facto do canal direto ter crescido (+7% do que em 2019), o desempenho financeiro foi excelente”.

Para 2023, os indicadores recolhidos pela empresa apontam no sentido ascendente. “Todos os indicadores que temos para janeiro, fevereiro, março e para o verão estão acima da procura que tínhamos em 2019 para 2020. Parece-me que 2023 vai ser bastante melhor, pelo menos é que os nossos números indicam. Em suma, 2023 vai ser como 2022, ou potencialmente ainda melhor”, afirma.

O preço médio em 2023 vai continuar a subir?

A esta questão, Pedro Colaço responde com os números já registados: “Neste momento, o preço médio para 2023 está 17% acima de 2022, mais do que a inflação esperada. Obviamente, que estamos à espera que os custos de produção se compliquem em 2023, porque não há staff, os salários vão ter de subir. No entanto, janeiro está 34% acima de 2022”.

Embora a temporada de reservas esteja ainda no início, é possível perspetivar um boom de reservas já em este mês. “A temporada de reservas normalmente começa em janeiro, ainda não temos propriamente indicadores para 2023, mas curiosamente tivemos muitas reservas na última semana de dezembro. Porquê? Porque em 2022 os preços subiram muito e as viagens de last minute foram quase impossíveis e agora muitos chegaram à conclusão que pagaram caro ou na realidade não conseguiram fazer reservas e vão reservar mais cedo. Portanto, a minha expetativa é que temporada de reservas chegue mais cedo este ano devido aos preços elevados”.

Para Pedro Colaço, o preço é “um fator essencial, neste momento, na forma como os hotéis se apresentam ao mercado. O que aconteceu é que os hotéis decidiram agarrar-se ao preço e trabalhar com operações mais baixas”, explica, constatando ainda que esta é uma mudança de paradigma no mercado.

Do feedback obtido por parte dos hotéis presentes no Open Day, é possível aferir que os preços vão continuar a subir, pelo menos no segmento alto. Contundo, o CEO da GuestCentric deixa um alerta: “Estamos a chegar a níveis de preço que depois o serviço não acompanha. Quem paga 500, 600 euros por noite está à espera de um nível de serviço muito elevado – é uma preocupação que tenho.”

GuestCentric aposta em Portugal, EUA e Escandinávia

Apesar de um arranque de ano difícil com a variante Ómicron, o ano de 2022 acabou por revelar-se bom para a GuestCentric, que alcançou, pela primeira vez, uma presença em 60 países. “Desde que começou a pandemia, estendemos muito o apoio aos nossos clientes, o primeiro trimestre foi francamente bom, em termos de aquisição de hotéis, mas em termos de resultados ainda não foi o que esperávamos, depois foi melhorando ao longo do ano e terminámos o ano em grande, tivemos um grande último trimestre. Crescemos muito bem em Portugal, nos EUA tivemos o melhor ano de sempre. Apesar de 2022 não ter sido o nosso melhor ano de sempre, a nossa expetativa é que 2023 vai ser significativamente melhor que 2019”.

Em 2023, os vetores de crescimento da empresa estão identificados: “Queremos continuar a crescer em Portugal, porque há muita coisa a abrir e outras unidade que ainda não estão connosco; queremos crescer nos EUA, mercado no qual estamos a fazer um grande investimento e que já representa, neste momento, 15% da nossa receita; e por fim, queremos crescer na Escandinávia, onde temos um parceiro importante, que é a Small Danish Hotels. Fizemos um enorme projeto com eles este ano, em termos da reestruturação tecnológica”.

Quanto a apostas tecnológicas em 2023, a empresa está a trabalhar em novidades que irá apresentar na Bolsa de Turismo de Lisboa. Sem revelar ainda de que se trata, Pedro Colaço diz apenas que a GuestCentric vai “entrar numa nova fase, o canal direto assumiu-se como um canal muito importante para a generalidade dos hotéis, portanto, vai ser preciso fazer mais e oferecer uma visão melhor aos hotéis do que podem fazer com tecnologia”.

Analisando o impacto que a pandemia teve nos hotéis e na forma como olham para o canal direto de reservas, Pedro Colaço acredita que é algo “que veio para ficar”, a avaliar pelos pedidos dos clientes. “No final do ano fomos abordados por imensos clientes que nos pediram ajuda para terem melhores resultados. Isto era algo que não acontecia. Na realidade, a grande maioria dos clientes [hotéis] precisava de ter uma solução direta, mas não estava ativamente a trabalhar na diferenciação da oferta, etc. A subida do preço médio e o facto de não pagarem comissões no direto – que é o nosso modelo, ou seja, pagam uma avença pelo software – , fez com que houvesse um novo foco no canal direto. E a proximidade ao cliente final também está a entrar na cabeça dos hoteleiros”.

Três conselhos para os hotéis

Se tivesse de dar três conselhos aos hotéis, Pedro Colaço diria manter o preço, “mesmo que tenham uma ocupação mais baixa”; pensar em automação, ou seja, “como é que a tecnologia os pode ajudar por causa da falta de pessoal. “Vai ser cada vez mais difícil, os custos com pessoal estão a aumentar e, portanto, a tecnologia vai ter que ser uma solução importante, não só na área das reservas, mas também na operação, nos pagamentos. No caso dos pagamentos, penso que vai haver uma transformação enorme nos próximos dois anos. Temos de pensar em como criar uma estrutura de pagamento que faça sentido”. Por fim, “otimismo, porque julgo que vai correr bem, não quer dizer que não haja altos e baixos, as empresas têm de ser ágeis. Na realidade, não sabemos o dia de amanhã. Hoje em dia estamos com ótimos indicadores, amanhã as coisas podem piorar, portanto, temos que ter alguma flexibilidade nas nossas organizações, aprendeu-se muito na pandemia, tivemos hotéis que fecharam andares porque havia menos procura”, conclui.

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