O VidaMar Resort Hotel Algarve vai renascer como Wine & Books by the Sea, Algarve Resort, após uma profunda renovação de 12 milhões de euros que abrange quartos, lobby, restaurantes e piscina. A unidade prepara-se para reabrir a 15 de fevereiro de 2026, com o objetivo de se posicionar “num segmento de cinco estrelas, mas não high-end”, adiantou Maria Fernandes, diretora de Vendas e Marketing, em entrevista ao TNews.
O investimento, estimado em 12 milhões de euros, acompanha a estratégia do grupo PBH, que detém a marca Wine & Books e conta atualmente com dois hotéis abertos em Lisboa e no Porto, sendo o último pertencente à Small Luxury Hotels.
Em 2026, o portfólio irá expandir-se para quatro unidades, com a reabertura do agora Wine & Books by the Sea, Algarve Resort, em fevereiro, e a inauguração do Wine & Books Sintra em março. A unidade algarvia, localizada na Herdade dos Salgados, será o primeiro resort da marca hoteleira.
No total, o grupo soma 738 quartos, 800 colaboradores e prevê atingir os 50 milhões de euros de faturação em 2025.

Transformação profunda
A renovação do Wine & Books by the Sea, Algarve Resort arrancou em janeiro deste ano, num processo gradual, e vai estender-se até à reabertura da unidade hoteleira, marcada para 15 de fevereiro de 2026. O resort encerrará a partir do próximo janeiro para executar as obras mais intrusivas.
O número de quartos passará de 260 para 250, dando lugar a dez Suites Club mais amplas, que oferecerão serviços diferenciados, como pequeno-almoço à la carte no espaço Library, acesso ao Mar Club by Quebramar e amenities premium. O hotel reforçará ainda a oferta para famílias, aumentando de 12 para 30 os quartos comunicantes.
Todos os 250 quartos vão sofrer mudanças a nível de decoração, apresentando “um design contemporâneo, com uma paleta de cores mais neutra”, de acordo com Maria Fernandes, que realçou a aposta “nos tons de branco casca de ovo, verde-oliva, castanhos e dourado para a nova marca”.
As zonas comuns também serão transformadas. O lobby, que será modernizado com madeiras envernizadas, vai integrar três novos espaços: a Barra da Tasca da Memória, um conceito já presente nos hotéis do Porto e Lisboa em formato de restaurante; uma mezzanine que dará destaque a vinhos algarvios, regionais e internacionais; e a mercearia Iksir, aberta também ao público externo, com pastelaria, azeite, vinho, pão caseiro e degustações de chocolate, café e chá.
Quanto à oferta gastronómica, o restaurante Ocean Buffet passará a chamar-se Moby Dick e será alvo da maior intervenção, enquanto o italiano Primadonna e o asiático Aji vão manter-se. Já o restaurante e bar da piscina Sunset será fechado em vidro, terá novo mobiliário e piso, e mudará de nome para Cocos. O Library, por sua vez, “vai ter intervenção mais a nível de decoração”.
O grupo PBH conta ainda com o restaurante e beach club Praia de São Rafael, que se situa a cerca de dez minutos da unidade. “Para o ano, a nossa ideia é termos um shuttle que faça a ligação entre o nosso hotel e São Rafael”, adiantou Maria Fernandes.
A área da piscina foi alvo de requalificação entre janeiro e finais de março deste ano, com substituição de telas, pavimento antiderrapante, novos guarda-sóis e espreguiçadeiras, além de “uma redecoração do ambiente a nível paisagístico”. No exterior, está ainda prevista a renovação da fachada, com pintura em tons de “branco casca de ovo”.
O Wine & Books by the Sea, Algarve Resort irá dispor também de “novos conceitos aliados à cultura portuguesa, como a prática de prova, de vinhos, de azeite e da gastronomia muito associada ao mar”, bem como a iniciativa literária ‘As Tertúlias’ e o Wine & Books Club.

“Queremos posicionar-nos num segmento de cinco estrelas, mas não high-end. Não queremos estar com um serviço de ostentação, porque não é esse o ADN da marca Wine & Books, mas queremos sim primar pela qualidade e pelo serviço”
Reposicionamento do resort
O resort algarvio VidaMar abriu há cerca de 13 anos, “com um ADN muito forte na contratação de tour operadores, tanto do mercado alemão como do mercado inglês, e com uma força muito grande a nível de segmento de negócios”, referiu Maria Fernandes.
A VidaMar Hotels & Resorts permanecerá na ilha da Madeira, com um resort de cinco estrelas no Funchal, orientado para “um segmento bem mais focado no lazer, mas no mercado de tour operação”. Já o Wine & Books by the Sea procurará destinar-se “a uma franja de mercado de agências dentro do segmento de luxo, onde queremos reposicionar a unidade”.
A responsável de Vendas e Marketing falou sobre o objetivo de “trazer a singularidade da cultura portuguesa, que já temos com o Wine & Books Porto e com o Wine & Books Lisboa”, ainda que “mais associada aos costumes e às práticas do Algarve”.
Esta marca “alia a cultura e a gastronomia e, mais do que um bom serviço, acrescenta valor a quem nos visita com uma experiência memorável”, disse, reconhecendo que “este tipo de serviço tailor-made é mais fácil em unidades pequenas, como é o caso do Porto, Lisboa e Sintra”. Agora, “o desafio é trazer essa tradição e essa expectativa para o Wine & Books by the Sea Algarve”.
“Queremos posicionar-nos num segmento de cinco estrelas, mas não high-end. Não queremos ter um serviço de ostentação, porque não é esse o ADN da marca Wine & Books, mas queremos sim primar pela qualidade e pelo serviço”, sublinhou Maria Fernandes. O símbolo de marca, disse, será “um camaleão com duas palmeiras”.
Para reforçar o posicionamento, o Wine & Books by the Sea Algarve integrará a Kiwi Collection, um “portfólio interessante de hotéis mais lifestyle”, avançou. “Vão ajudar-nos no posicionamento e no branding da unidade, pois são fortíssimos a nível de marketing e de redes sociais”.
Maria Fernandes destacou que o “compset primário” do resort será o Kimpton Atlântico Algarve, igualmente situado na Herdade dos Salgados, e procurará também estar na “linha de concorrência” do Epic Sana Algarve Hotel e do Pine Cliffs Resort.
“O rebranding será muito positivo para nós, mas também para toda a Herdade dos Salgados. Este último ano tivemos colegas de profissão a intervir nas suas unidades, e há também unidades novas, e não queremos ficar para trás. Queremos que o resort fique alinhado”, frisou Maria Fernandes.
“O rebranding será muito positivo para nós, mas também para toda a Herdade dos Salgados. Este último ano tivemos colegas de profissão a intervir nas suas unidades e não queremos ficar para trás”
Estratégia de mercados e desempenho
O novo Wine & Books by the Sea, Algarve Resort quer ganhar maior equilíbrio na procura e reduzir a dependência do mercado nacional, defendendo que o resort é destinado “para todos os segmentos e mercados”.
Até à data, a taxa de ocupação anual situa-se nos 50%, tendo em conta as obras realizadas entre janeiro e março, com um preço médio de 258 euros. No fecho do ano, a previsão aponta para 59% de ocupação e um ADR de 230 euros.
Segundo Maria Fernandes, agosto foi “o melhor mês de agosto desde a abertura do hotel, não em preço médio, mas em ocupação”. Já a Páscoa, junho e julho ficaram aquém das expectativas: “foram meses em que grande parte do mercado nacional preferiu viagens lá fora”, justificou.
O perfil de hóspedes continua a ser dominado pelo mercado português, seguido pelo alemão e pelo inglês. Ainda assim, a responsável destacou que “este ano já conseguimos trazer para o Top 5 o mercado americano e o espanhol, só com estas renovações”.
No rebranding da unidade, o objetivo é claro: diversificar. “Para o Wine & Books Algarve, gostávamos de ter um mix mais saudável, ou seja, não ter 60% do mercado nacional, por exemplo, e quase uns 30% ou 20% do mercado alemão, e depois apenas uma franja pequenina para os restantes. Isso vai dar-nos o equilíbrio para conseguirmos trabalhar uma boa tarifa média”, apontou.
O mercado norte-americano surge como estratégico para o posicionamento como cinco estrelas, segundo Maria Fernandes. “É importante porque conseguem pagar tarifas de 500 euros por noite. O que o português pode pagar e o que o americano consegue pagar são completamente diferentes, mas também é [um cliente] mais exigente”.
Ainda assim, a expansão para novos mercados depende das ligações aéreas. “Este ano tivemos um voo direto de Nova Iorque para Faro pela United Airlines, mas não sabemos se se vai manter a rota no próximo ano. Uma das grandes dificuldades é trabalharmos a unidade sem ser sazonal, porque não temos ligações aéreas definidas e constantes ao ano. Portanto, temos muita capacidade de camas na região do Algarve, mas um serviço diminuto de voos”, lamentou.
Apesar dos constrangimentos, a procura internacional mostra sinais positivos. “Um dos mercados que tem crescido no Algarve e no nosso hotel em particular tem sido o americano e o canadiano”, concluiu.



