“Ambos sabem que um erro na medição pode ser fatal: um blazer mal ajustado arruina um casamento; uma tarifa mal definida arruina o orçamento do trimestre”
Se um alfaiate e um revenue manager entrassem num bar, provavelmente um deles sairia com uma camisa nova e o outro com a ideia de rever os preços dos cocktails com base na procura da happy hour.
À primeira vista, não podiam ser mais diferentes. Um trabalha com linhas, tecidos e botões. O outro, com Excel, relatórios e pressão sanguínea acima do normal. Mas, se olharmos com mais atenção, e com um pouco de humor, percebemos que estes dois profissionais têm mais em comum do que parece.
1. Tudo começa com a medição
O alfaiate mede ombros, peito e comprimento da perna. O revenue manager mede ocupação, ADR e pick-up. Ambos sabem que um erro na medição pode ser fatal: um blazer mal ajustado arruina um casamento; uma tarifa mal definida arruina o orçamento do trimestre.
2. Ajustar é uma arte
Tal como o alfaiate vai ajustando a bainha até que fique no ponto, o revenue manager ajusta as tarifas conforme a sazonalidade, o tempo e até o estado de espírito do mercado (sim, há dias em que o mercado acorda com vontade de cancelar em massa). Ambos são artistas do “quase lá, só mais um retoque”.
3. Clientes difíceis? Conhecem bem
O alfaiate lida com o cliente que quer parecer o James Bond, mas veste como o Mr. Bean. O revenue manager ouve do diretor comercial: “Temos de subir preços, mas sem perder volume, ok?” É preciso paciência, escuta ativa e, acima de tudo, saber sorrir enquanto, por dentro, se grita.
4. Trabalham nos bastidores
Raramente os vemos. Mas, sem eles, o espetáculo não acontece. O noivo estaria com as calças a arrastar no chão. O hotel estaria com tarifa única o ano todo. O trabalho deles só se nota quando corre mal — e, mesmo assim, alguém vai dizer que “não foi o preço, foi o tempo”.
5. Ambos têm uma tesoura invisível
O alfaiate corta o tecido. O revenue corta tarifas. Ambos sabem onde cortar e, mais importante, quando não cortar. Porque cortar demais dá mau resultado: ou se vê a canela, ou se fica com prejuízo.
6. E, claro, ambos ouvem a mesma frase: “Isso é caro!”
“Uma camisa feita à medida por 120€?” “Uma diária por 180€, numa terça-feira de março?” E lá vão eles, pacientemente, explicar o valor, a personalização, a lógica por trás do número. E, no fim, o cliente agradece… ou vai à Zara e ao Booking.
Conclusão
Se um dia se cruzar com um revenue manager ou um alfaiate, lembre-se: são profissionais que vivem de detalhes. Não vendem só produto, vendem precisão, personalização e previsibilidade (dentro do possível). E, convenhamos, ambos têm o poder de transformar algo comum em algo que se encaixa perfeitamente.
O segredo? Medir bem, cortar com sabedoria e ajustar com arte.
Agora, se me der licença, vou ali rever a tarifa de sábado, parece que o alfaiate do bairro vai fazer um workshop no hotel. E dizem que vem gente com medidas muito específicas.
Por Bruno Simões Ferrão
Business Development Manager Portugal da BedsRevenue



