Rotas para o Brasil são “claramente o maior ativo estratégico” da TAP no processo de reprivatização, diz CEO

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Luís Rodrigues, CEO da TAP, disse à imprensa esta terça-feira, 9 de dezembro, que o facto de estarem interessados na companhia “os três maiores grupos europeus” no processo de reprivatização “diz tudo”, destacando como principais ativos da transportadora as rotas para a América do Sul, nomeadamente o Brasil, a área da manutenção e “a qualidade das nossas pessoas”.

Num encontro com jornalistas, realizado esta terça-feira, em Lisboa, Luís Rodrigues enquadrou o atual processo de privatização com as tentativas anteriores, lembrando que, em 2012, houve “uma primeira tentativa de privatização com um único potencial de operador que nem foi sequer reconhecido pelo Governo como tal”, processo que acabou por “morrer”. Já na segunda tentativa, “apareceu um operador que não era de primeira linha e que deu origem a uma operação de privatização entre 2016 e 2019”.

Agora, sublinhou, o cenário é diferente. “Neste momento, evoluímos dramaticamente para os três maiores grupos europeus, e dos três maiores do mundo, estarem interessados na companhia. Acho que isso diz tudo”, sublinhou, numa referência aos grupos IAG, Lufthansa e Air France-KLM.

O CEO mostrou-se confiante quanto ao desfecho da privatização, destacando que “o calendário definido pelo Governo está a ser cumprido” e que não tem “razões para não estar otimista”, defendendo que o processo deve encerrar “o melhor possível, o mais rapidamente possível”.

Entre os principais ativos estratégicos da TAP no processo da reprivatização, Luís Rodrigues destacou três pilares. “A nossa posição estratégica no mercado sul-americano é claramente o maior ativo estratégico que a companhia tem”, afirmou, sublinhando em particular “as rotas para o Brasil”. A par disso, apontou que “a operação de manutenção em todos os níveis é definitivamente um dos ativos estratégicos que a companhia tem”, acrescentando que “a qualidade das nossas pessoas é o terceiro fator estratégico”.

Questionado sobre as longas filas de espera no controlo de fronteiras do aeroporto de Lisboa, após a implementação do novo sistema europeu, o CEO explicou que se trata de um tema discutido “a nível europeu”. Nesse âmbito, adiantou que está a ser equacionada a possibilidade de “desligar o sistema — pode-se chamar assim — durante o período das viagens de Natal e Ano Novo” para mitigar os constrangimentos.

“Estamos a melhorar todos os dias. É um caminho de aprendizado que não se passa só aqui, passa-se na generalidade dos aeroportos na Europa e toda a gente está a dar o seu melhor para que a situação se resolva rapidamente”, garantiu.

Greve geral de 11 de dezembro

Em relação à greve geral marcada para 11 de dezembro, dia em que a TAP operará com serviços mínimos após proceder ao cancelamento de voos, Luís Rodrigues garantiu que a prioridade foi proteger os passageiros. “Não estamos preocupados com isso. Estamos preocupados em garantir que a operação que vai ocorrer na quinta-feira, que foi acordada com os sindicatos, corra da melhor maneira possível”, referiu.

O objetivo, disse, foi evitar surpresas no aeroporto. “Não queremos é ter passageiros a chegar ao aeroporto e descobrir que o seu voo não está lá”, disse, sublinhando que, “para isso, todas as equipas de serviço ao cliente fizeram um trabalho fantástico de contactar todos os clientes possíveis” e de propor alternativas para “minimizar os impactos de uma greve que ninguém quer ter”.

Segundo o CEO, “um dia normal nesta altura do ano tem cerca de 250 a 260 voos”, estimando que, no dia da greve, “um terço da operação far-se-á”. Quanto à reação dos passageiros, destacou que “na generalidade não lhes faz muita diferença se vão um dia antes ou um dia depois, querem é ir”.

Sobre os custos associados à paralisação, admitiu que “essa contabilidade não está feita e nem estou preocupado com isso agora”.

2026 e perspetivas de crescimento

Com o ano de 2025 a aproximar-se do fim, Luís Rodrigues apontou como principal desafio “continuar o desafio de transformação”, mostrando-se confiante num cenário de crescimento. “Todos queremos acreditar que seja um ano de crescimento” em passageiros e em receita, afirmou, reconhecendo, ainda assim, um contexto geopolítico global “complexo” e limitações ao nível do aeroporto e da frota.

“À medida que a poeira vai assentando, as pessoas vão querer continuar a viajar e querem continuar a viajar. Portanto, acho que vamos, dentro do modesto crescimento que conseguimos ter, dadas as limitações de aeroporto e as limitações de frota, conseguir continuar mais um ano de crescimento”, acrescentou.

Sobre o fim do plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia em 2025, remeteu esclarecimentos para Bruxelas e para o acionista, frisando que à gestão compete “conduzir a operação o melhor possível todos os dias”.

Relativamente à revisão de destinos ou lançamento de novas rotas no próximo ano, afirmou que, para já, “isso ainda está no segredo dos deuses”, sublinhando que “qualquer dos sete continentes seria uma possibilidade”. 

Após ter regressado recentemente de Macau, no âmbito do 50.º Congresso da APAVT, revelou ainda que o aeroporto de Hong Kong “fez um pitch significativo para que voássemos para lá, mas isso está em consideração como muitos outros destinos para onde a companhia pode operar”.

Quanto à expansão da frota, adiantou que “pode passar os 100 [aviões] e, se tudo correr normalmente, há de passar os 100”, acrescentando que “esse tema ainda está a ser afinado”. “Estamos em fase de construção do orçamento e das projeções financeiras. Ainda não há um número certo, mas com 99 não seria difícil passar os 100”, explicou.

Nesse sentido, as relações com a Airbus, disse, “são ótimas”, frisando que “sempre estivemos bem e estamos bem agora”. “Temos um tema que nasceu em 2016 e que leva a que haja uma entrega de aviões até 2030, se não me engano. Esse plano continua e, só pelo cumprimento desse plano, a frota naturalmente passará aos 99 aviões”, disse.

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