A Ryanair vai cortar mais 1,2 milhões de lugares nos aeroportos regionais espanhóis durante a época de verão. O anúncio foi feito esta segunda-feira pelo administrador delegado da companhia, Eddie Wilson, que recordou que, desde o verão de 2024, já tinham sido eliminados três milhões de lugares.
Na base deste corte estão as taxas aeroportuárias, que o responsável classificou como “elevadas” e “absolutamente pouco competitivas”. No entanto, apesar da redução na operação, a Ryanair mantém a aposta nos principais aeroportos espanhóis, assegurando que a capacidade total em Espanha deverá permanecer estável.
O CEO da Ryanair defendeu que o Governo espanhol prefere “embolsar” um dividendo de 834 milhões de euros do gestor aeroportuário “sem fazer nada para travar o colapso do tráfego” nos aeroportos regionais, que continuam subutilizados em cerca de 70% e a perder rotas, turistas e postos de trabalho.
Para Eddie Wilson, o Governo “deve utilizar a sua participação de 51% na Aena para reinvestir os lucros do seu monopólio na redução das taxas aeroportuárias e em incentivos nos aeroportos regionais para impulsionar o tráfego, em vez de investir em aeroportos no Brasil e embolsar dividendos extraordinários”.
Segundo a companhia low-cost, se forem introduzidas taxas aeroportuárias competitivas, a Ryanair poderia atingir um crescimento de 40% no país, com a adição de 33 aviões, a abertura de cinco novas bases regionais e o aumento do tráfego para 77 milhões de passageiros anuais até 2031.
O responsável antecipou que o próximo ano poderá marcar uma inversão de tendência, sendo “muito provavelmente” o primeiro ano sem crescimento da companhia no mercado espanhol desde o início da sua operação no país.
Por outro lado, a companhia irlandesa prepara um reforço da operação noutros destinos turísticos, nomeadamente Marrocos, onde prevê crescer 11%, e Itália, com um aumento de 9%. A decisão surge porque estes mercados são considerados mais atrativos, sendo “dado que esses países são significativamente mais competitivos”, explicou Eddie Wilson, durante uma conferência de imprensa em Madrid.
Na semana passada, a Ryanair anunciou também o encerramento da sua base em Berlim, na Alemanha, justificando a decisão, uma vez mais, com os custos elevados das taxas aeroportuárias.


