Ryanair fecha base na Grécia e corta 700 mil lugares após guerra com aeroportos

-PUB-spot_img

A Ryanair anunciou o encerramento da sua base de três aeronaves em Salónica durante o inverno de 2026, numa decisão que vai resultar no corte de 700 mil lugares e no cancelamento de 12 rotas no mercado grego.

Segundo a companhia aérea, a redução da operação representa uma quebra de 45% face ao inverno de 2025 e inclui ainda o encerramento das operações nos aeroportos de Chania e Heraklion durante a época baixa.

A transportadora atribui esta decisão aos “custos extremamente não competitivos” praticados pela Fraport Greece e pelo Aeroporto de Atenas, acusando ambas as entidades de não terem repercutido nos passageiros a redução de 75% da Taxa de Desenvolvimento Aeroportuário (ADF), decidida pelo Governo grego em novembro de 2024.

De acordo com a Ryanair, a redução da taxa, de 12 para 3 euros por passageiro, deveria ter impulsionado a conectividade e o turismo durante todo o ano, mas os aeroportos optaram por manter as tarifas elevadas. A companhia refere ainda que as taxas aeroportuárias em Salónica estão atualmente 66% acima dos níveis pré-pandemia.

Como consequência, a low cost irlandesa decidiu transferir capacidade para mercados considerados mais competitivos, como Albânia, Itália e Suécia.

O corte operacional inclui a retirada de três aeronaves baseadas em Salónica, avaliadas em cerca de 300 milhões de dólares, além da eliminação de ligações para destinos como Berlim, Frankfurt, Veneza, Milão, Estocolmo, Zagreb e Atenas.

Jason McGuinness, diretor comercial da Ryanair, afirma que “estas reduções de tráfego, que poderiam ter sido evitadas, são uma consequência direta da falha dos aeroportos em repassar a redução do ADF, particularmente em Salónica, onde o monopólio da Fraport Greece aumentou as taxas aeroportuárias em 66% desde 2019”.

O responsável acrescenta que a retirada de 500 mil lugares e 10 rotas em Salónica “será devastadora para a cidade e região”, sublinhando que a Ryanair assegurou 90% da capacidade internacional do aeroporto durante o último inverno.

Apesar da decisão, a companhia garante ter apresentado ao Governo grego um plano de crescimento para atingir 12 milhões de passageiros anuais no país, acrescentar 10 aeronaves à frota local e lançar 50 novas rotas nos próximos cinco anos.

Contudo, a Ryanair condiciona esse investimento ao congelamento das taxas aeroportuárias e à aplicação integral da redução da ADF nos aeroportos gregos.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img