Solverde entra numa “nova fase” após renovação das concessões dos casinos

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A Solverde considera que a renovação das concessões dos casinos de Espinho, Vilamoura, Monte Gordo e Praia da Rocha, que ocorreu no início de 2026, uma “nova fase” na história do grupo. Em entrevista ao TNews, Marta Violas, diretora de marketing da Solverde Casinos & Hotéis, mostra-se otimista para 2026, prevendo que o mercado nacional possa representar metade dos seus hóspedes até ao final do ano e anuncia uma nova plataforma digital que integra reservas, espetáculos e experiências num único local.

“Os casinos são parte integrante da identidade e da história do grupo e estão na origem do seu desenvolvimento e da expansão para a atividade hoteleira. Felizmente, no início deste ano, foi anunciado que vencemos as concessões às quais concorremos, um resultado que reforça a confiança no trabalho desenvolvido ao longo de décadas e na nossa capacidade de continuar a contribuir para a valorização dos territórios onde estamos presentes”, refere a responsável.

Apesar da importância deste processo, a operação do grupo nunca abrandou. Em 2025, a Solverde recebeu 229 mil hóspedes e registou uma ocupação média de 59%. Em 2026, a tendência mantém-se positiva. “O primeiro semestre de 2026 registou um aumento das reservas e uma evolução positiva dos principais indicadores de desempenho, em linha com a estratégia definida para esta nova fase do grupo. Em destaque, podemos adiantar que estamos a registar um aumento de 8% nas dormidas no Hotel Casino Chaves”, adianta Marta Violas

Verão positivo, com Algarve próximo da capacidade máxima

A época alta está a decorrer de forma favorável para o grupo, sobretudo nas unidades algarvias, que se aproximam da ocupação máxima em vários períodos dos meses de julho e agosto. Também Espinho tem vindo a beneficiar da crescente procura pelo turismo balnear no Norte do país. “A ocupação média do grupo situa-se em torno de 70% no acumulado do verão, com um ADR de 159€, o que representa um crescimento face ao período homólogo”, refere.

A responsável destaca ainda a qualidade da procura e a capacidade das unidades em proporcionar experiências integradas: “Temos conseguido crescer em receita direta e em estadias que combinam alojamento com spa, gastronomia, espetáculos e casino, o que valoriza a estadia média e reflete o posicionamento integrado das nossas unidades.”

Uma das principais tendências identificadas pela Solverde em 2026 é o reforço do mercado nacional, que representa atualmente cerca de 40% dos hóspedes do grupo. “É uma tendência que identificámos cedo e para a qual temos vindo a orientar a oferta, em particular para as famílias portuguesas.”

A diretora de Marketing acredita mesmo que os portugueses poderão vir a representar metade dos hóspedes até ao final do ano. “Estimamos que [o mercado nacional] possa chegar a metade até ao final do ano.”

Depois dos portugueses, Espanha continua a ser o principal mercado emissor, apesar de uma ligeira quebra, enquanto a Alemanha registou um crescimento de 16%. No entanto, são os Estados Unidos e o Brasil que mais têm crescido. “Os mercados que mais crescem são os EUA e o Brasil, que evidenciam que o turismo nacional deve, cada vez mais, apostar as fichas nos hóspedes norte-americanos e brasileiros”, defende.

Marta Violas
Marta Violas

“Estimamos que [o mercado nacional] possa chegar a metade até ao final do ano”

Para os próximos meses, a Solverde pretende continuar a reforçar a sua presença no mercado nacional, sobretudo fora da época alta. “Temos uma oferta que combina alojamento, spa, gastronomia, entretenimento e casino no mesmo espaço, o que nos permite ser um destino atrativo durante todo o ano, e queremos que mais portugueses descubram essa proposta na época baixa e intermédia.” No plano internacional, a estratégia passa pela consolidação dos mercados de proximidade e pela aposta continuada nos EUA e no Brasil. “Os EUA são outro mercado prioritário, ainda mais com o elevado poder de compra que demonstram e preferência pelas estadias mais longas.”

Talento, custos e digitalização entre os principais desafios

Questionada sobre os principais desafios da gestão hoteleira, Marta Violas identifica três prioridades: talento, custos operacionais e transformação digital. “Atrair e reter pessoas qualificadas continua a ser a maior dificuldade estrutural do setor, sobretudo em regiões com forte sazonalidade”, constata. A pressão sobre os custos da energia, das matérias-primas e dos salários continua igualmente a exigir uma gestão rigorosa, enquanto a digitalização assume um papel cada vez mais relevante. “O hóspede compara, reserva e avalia em canais digitais, e os operadores que não investirem em canais diretos, em dados e em tecnologia própria ficarão dependentes de intermediários e perderão margem e relação com o cliente. Na Solverde, este último desafio transformámo-lo em prioridade estratégica”, conta

Num contexto internacional marcado pela instabilidade económica e geopolítica, a responsável reconhece que o setor continua atento, embora Portugal não tenha sido significativamente afetado até ao momento. “As consequências de um agravamento deste contexto podem ser relevantes, tendo em conta que o turismo é um dos pilares da economia portuguesa.”

Plataforma digital marca primeiro investimento após renovação das concessões

“Acreditamos que esta modernização contribuirá para acelerar o crescimento das reservas diretas, para as quais estimamos um aumento de cerca de 20% no próximo ano.”

Entre os projetos previstos para este ano, destaca-se o lançamento de uma nova plataforma digital, apresentada pela Solverde como o primeiro investimento visível ao público após a renovação das concessões. “Tudo acontece sem sair do website da Solverde, refletindo no universo digital a experiência integrada que já se encontra nas várias áreas de atividade do grupo”, explica Marta Violas.

A plataforma permite reservar alojamento, adquirir bilhetes para espetáculos e marcar experiências num único local, reforçando a aposta do grupo na autonomia tecnológica. “Acreditamos que esta modernização contribuirá para acelerar o crescimento das reservas diretas, para as quais estimamos um aumento de cerca de 20% no próximo ano.”

Na área da inteligência artificial, a Solverde tem optado por uma abordagem gradual. “A nossa abordagem é pragmática: usá-la primeiro para tornar as equipas mais eficientes, na análise de dados, no apoio às áreas de marketing e operação, e progressivamente na personalização da experiência do cliente.” Já ao nível da sustentabilidade, a energia continua a ser uma das principais frentes de atuação. “Todas as nossas unidades hoteleiras têm certificação energética e o nosso contrato de fornecimento de energia garante que 85% da energia que consumimos provém de fontes renováveis.”

“Acredito na força do turismo do Norte. Creio que esta região se afirmará como um destino de referência para os portugueses”

Solverde acredita que 2026 será melhor do que 2025

Para Marta Violas, todos os indicadores apontam para um fecho de ano superior ao registado em 2025. “A renovação das concessões deu-nos estabilidade e visibilidade de longo prazo, o verão está a decorrer de forma positiva e entramos no segundo semestre com um instrumento novo, a plataforma digital, que nos vai permitir crescer nas reservas diretas e na venda integrada de experiências.” A responsável acredita ainda que o turismo nacional continuará a ganhar peso nos próximos anos e que o Norte de Portugal tem condições para afirmar-se como um dos destinos de referência do país. “Acredito na força do turismo do Norte. Creio que esta região se afirmará como um destino de referência para os portugueses.”

Segundo Marta Violas, fatores como o aumento dos custos noutras regiões costeiras, as alterações climáticas e a procura por experiências integradas poderão contribuir para uma redistribuição da procura turística dentro do território nacional. “As zonas costeiras do Norte, como Espinho, ganham atratividade para o turismo balnear, graças ao seu clima mais ameno e a uma oferta com preços, em muitos casos, abaixo da média nacional. São fatores que poderão contribuir para uma redistribuição da procura turística dentro do território nacional”, conclui.

Factos

Grupo Solverde

  • 1974: abertura do Casino Espinho, marco fundador do Grupo Solverde; Sede do grupo localizada em Espinho;
  • Opera atualmente cinco casinos: Casino Espinho, Casino Vilamoura, Casino Monte Gordo, Hotel Algarve Casino e Hotel Casino Chaves;
  • Conta com quatro unidades hoteleiras:Hotel Solverde Spa & Wellness Center (Vila Nova de Gaia), Hotel Casino Chaves, Hotel Algarve Casino e Hotel Apartamento Solverde (Espinho);
  • Atua nos segmentos de hotelaria, jogo, entretenimento, spa, restauração e bem-estar; É uma das principais marcas portuguesas nas áreas da hospitalidade e do entretenimento.

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