Sexta-feira, Novembro 26, 2021
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Sustentabilidade e Tecnologia – os conceitos do futuro na hotelaria

Esta crónica é sobre os conceitos presentes e futuros da hotelaria. A sustentabilidade e a tecnologia são temas do quotidiano, pois já fazem parte das nossas vidas, mas são simultaneamente conceitos do futuro, ou dito de outra forma, fazem parte das tendências da hotelaria.

Por um lado, e apesar do clichet, se a forma como nos relacionamos com o planeta e consumimos os recursos não sofrer alterações, teremos problemas graves no curto prazo. Por outro lado, as tecnologias que usamos todos os dias, das quais a torradeira e o telemóvel fazem parte (e, portanto, não são só do futuro) tendem a mudar cada vez mais o nosso dia-a-dia. Actualmente um hotel é uma commodity transformada pela tecnologia que tem permitido o aparecimento de conceitos inovadores. Um exemplo, são os hotéis sem pessoas na recepção e, portanto, inevitavelmente a pergunta que surge é: e para quando um hotel sem hóspedes?

A democratização do turismo e a facilidade com que viajamos robusteceram a figura de globetrotter – aquele que viaja pelo mundo. O facto do nosso planeta ser mesmo uma aldeia, motiva-nos a procurar o que é local, o que é autêntico e alimenta a vontade de nos mover, de viajar, de conhecer novas culturas e novos hábitos. A co-criação empurra-nos para uma comunhão com a natureza, onde mais uma vez, a hotelaria é um reflexo dos valores da atual sociedade.

Tentamos salvar espécies em vias de extinção e nestes movimentos surgem unidades hoteleiras como a Frégate Island localizada nas Ilhas Seychelles. Este pequeno resort apenas permite a permanência máxima de 40 pessoas na ilha para o seu habitat não ser colocado em causa, protegendo a fauna e a flora. O grupo hoteleiro HBD aplica causas semelhantes na Ilha do Príncipe, em São Tomé, onde incrementa um projeto local que pretende ser o maior eco-resort de luxo do mundo. Baseado nesta premissa, desenvolve projetos de proteção às tartarugas que ali vivem e ao mesmo tempo auxilia e protege a comunidade, ensina a saber-fazer, garante casas e educação para as crianças, respeitando os valores e as tradições da população. De outra índole, mas com o objetivo de proporcionar experiências únicas no contacto com a natureza, o L´And hotel, em Montemor-o-novo permite aos hóspedes deitados na cama, admirar o céu e apreciar as múltiplas estrelas que nele habitam.

As tendências da hotelaria apontam para uma versão self service em que os hóspedes se servem sozinhos. O Hotel Buddy (www.hotel-buddy.de) em Munique não tem empregados e auto denomina-se como sendo o mais inteligente, ‘the cooler’ e o mais inovador. O conceito do hotel baseia-se numa forte componente tecnológica, onde grande parte da interação do hóspede com o hotel passa pelo seu tablet. O Hotel Henn-na (https://www.hennnahotel.com/ginza/en/) em Nagasáqui tem o seu front-office representado por robôs. Apesar de haver uma equipa de humanos, o check-in pode ser feito por um dinossauro que fala fluentemente inglês. Esta é uma das várias ideias que estão na base da concepção deste hotel, uma vez que “henn” em japonês significa ‘mudar’ e representa o compromisso do hotel ‘para a evolução na procura de sensações e conforto extraordinários que estão além do comum. O Hotel KViHotel (www.kvihotelbudapest.com) em Budapeste é totalmente controlável via app, perfeito para os hóspedes que valorizam a independência. Na China foi inaugurado o FlyZoo, o primeiro projeto hoteleiro do gigante Alibaba a abrir num centro comercial em Hangzhou. Para ter acesso ao hotel, o hóspede apenas precisa da sua face, uma vez que grande parte dos serviços são feitos através do reconhecimento facial.

Outra das tendências da hotelaria é a mobilidade. Os dispositivos móveis permitem-nos comunicar, comprar, vender, fazer operações bancárias, consultas, em qualquer parte do mundo, basta para isso ter um telemóvel e acesso à internet. Ora, na hotelaria o processo é idêntico, e os especialistas afirmam que os hotéis do futuro também são móveis – apelidando-os de hotéis nómadas. Já existem empresas a produzir casas pré-fabricadas, transportáveis para qualquer parte do mundo, permitindo conforto, a quem as utiliza. Sendo que a grande dúvida latente é o transporte, mas quem idealizou o hotel nómada, previu também o seu transporte por helicóptero.

Continuando a falar sobre os conceitos do futuro, já aqui foi descrita a tentativa de o Homem conquistar o espaço e tornar esta viagem acessível para as massas. Os hotéis em pipeline (dado o sucesso das experiências da viagem) são o hotel da lua – Lunatic Hotel (www.bestourism.com) que segundo o seu criador Hans Jurgen Rombau, ficará concluído até 2050. O seu objetivo é criar quartos em forma de cápsulas inclinadas e integradas em torres de 160 metros de altura, sendo que o grande desafio neste momento é transportar toneladas de aço e de água para lua. Existe quem antecipe ainda outros problemas, como a escuridão necessária para os hóspedes poderem dormir…. Na opinião dos seus designers, existem pessoas atraídas pelos preços baixos, outras pelo número de estrelas, este hotel é ideal para quem procura um design futurista agregado a um serviço hoteleiro de luxo.

Estas e outras histórias mostram porque é que a hotelaria é um negócio tão apetecível. Todos querem ter um hotel, a maioria deseja… e alguns compram cadeias hoteleiras. Um exemplo é a compra da cadeia hoteleira de luxo ‘Four Seasons’ pelo fundador da Microsoft, Bill Gates. Uma marca de luxo com mais de 60 anos e mais de 120 hotéis e resorts espalhados pelo mundo que continuará a ser governada pelo requinte e inspirada pela tecnologia. Uma relação que promete!

Por Sofia Almeida

É professora na Universidade Europeia e investigadora no CEG/Territur, Universidade de Lisboa.

salmeida@universidadeeuropeia.pt 

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