As taxas turísticas continuam a expandir-se a nível global, contribuindo para o aumento do custo das viagens em inúmeros destinos. Impostos aplicados às dormidas em alojamentos, taxas de entrada em cidades, parques naturais ou centros históricos, bem como encargos associados a autorizações eletrónicas de viagem, integram uma tendência que deverá intensificar-se em 2026.
Estas medidas são geralmente justificadas pelas autoridades como resposta ao aumento da pressão turística em destinos mais procurados. O objetivo passa, na maioria dos casos, por mitigar os efeitos da massificação, financiar infraestruturas, proteger património natural e cultural e melhorar a gestão dos fluxos de visitantes.
Entre os exemplos mais conhecidos, Veneza mantém uma taxa de cinco euros para visitantes de um dia, com o objetivo de dissuadir o turismo de curta duração. Na Grécia, destinos como Santorini e Mykonos anunciaram a aplicação de uma taxa de 20 euros aos passageiros de cruzeiros durante a época alta. Em Roma, foi introduzida recentemente uma taxa de dois euros para o acesso à Fontana di Trevi, uma medida que pretende controlar os elevados fluxos num dos pontos mais visitados da cidade.
Também na Suíça, a localidade alpina de Zermatt está a ponderar a cobrança de uma taxa a excursionistas de um só dia, podendo ascender a cerca de 12 francos (cerca de 13 euros), como resposta à crescente saturação. Em Itália, nas Dolomitas, proprietários locais instalaram torniquetes em trilhos muito procurados, cobrando cerca de cinco euros pelo acesso. Já no Chile, o Parque Nacional Torres del Paine vai implementar, a partir de maio de 2026, um novo sistema de tarifas diferenciadas, com valores mais elevados e associados a circuitos específicos.
Fora da Europa, a tendência mantém-se. A Nova Zelândia aplica uma taxa turística de cerca de 57 euros, destinada ao financiamento de serviços públicos e à preservação do património. No Japão, além do imposto municipal sobre o alojamento – que em Quioto poderá atingir os 10.000 ienes por noite (cerca de 58 euros) – existe ainda um imposto de saída do país de 1.000 ienes (cerca de 5,50 euros), já incluído no preço dos bilhetes aéreos. O Butão continua a aplicar uma das taxas de entrada mais elevadas do mundo, atualmente fixada em 100 dólares por dia (85 euros), enquanto as ilhas Galápagos, no Equador, reforçaram a taxa de entrada para turistas internacionais para 200 dólares (170 euros).
Impostos sobre dormidas continuam a alargar-se na Europa
Na Europa, o imposto sobre as pernoites em alojamentos turísticos permanece a forma mais comum de tributação. Amesterdão destaca-se como uma das cidades com maior carga fiscal, ao aplicar uma taxa de 12,5% sobre o valor do alojamento. Edimburgo prepara-se para introduzir, a partir de 2026, um imposto de 5% sobre as dormidas, com o objetivo de financiar serviços urbanos e infraestruturas.
Em Portugal, o debate sobre a implementação ou reforço de taxas turísticas tem vindo a ganhar espaço nos últimos anos, com vários municípios a ponderarem novos modelos ou atualizações das taxas já existentes, sobretudo em contextos de elevada procura turística e pressão urbana.
Além das taxas aplicadas nos destinos, o aumento dos custos de viagem é também impulsionado pela generalização de sistemas de autorização eletrónica, que estão progressivamente a substituir os vistos turísticos tradicionais. Estas plataformas digitais implicam novos encargos financeiros, bem como maiores exigências de planeamento por parte dos viajantes.
Nos Estados Unidos, o sistema ESTA viu o seu custo duplicar em 2025, passando para 40 dólares por pessoa. No Reino Unido, entrou em vigor em abril de 2025 o sistema ETA, que obriga cidadãos europeus, incluindo portugueses, a obter uma autorização prévia de viagem no valor de 16 libras (18,36€).
A União Europeia prepara também a implementação do sistema ETIAS, prevista para o terceiro trimestre de 2026, com um custo de 20 euros. A nova autorização será obrigatória para viajantes de países isentos de visto que pretendam entrar no espaço Schengen.




