Sábado, Julho 13, 2024
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Tecnologia para “salvar o Turismo”

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Por Tiago Rodrigues

Desengane-se o leitor que ao ler o título deste artigo, acha que o Turismo está a ter uma quebra na procura ou a apresentar indicadores negativos. Nada disso. Arrisco-me até a dizer que, nunca como antes, o Turismo em Portugal ganhou tanta preponderância na nossa Economia. De resto, basta olhar para os números mais recentes que nos dão conta de que já ultrapassámos os números pré-pandemia mas não só. Lembro-me bem de nos meus tempos de estudante fazer-se referência a um peso já muito significativo do setor no PIB nacional. De lá para cá, o peso do setor na economia nacional continua a crescer e para que se perceba o quanto vem crescendo, no relatório “Economic Impact Research (EIR) 2023”, o WTTC antecipa que o turismo deverá ter um contributo para o Produto Interno Bruto (PIB), em 2033, na ordem dos 56,4 mil milhões de euros, o que significa que irá representar de forma direta cerca de 21,1% da economia portuguesa, sendo que dados de 2022 apontavam para um peso de 15,8%. Estes números e projeções dizem bem do crescimento da importância do Turismo na nossa Economia e mesmo que esta relevância continue a não ser devidamente reconhecida por todos (basta pensarmos que continuamos a não ter um Ministério próprio e que como se isso não bastasse este tem agora que ser dividido com a pasta dos serviços), não há como negar que este é um dos principais motores da economia da Nação.

Mas voltando ao título deste artigo e sobre “salvar o turismo” importa recordar que, na data em que escrevo este artigo, estamos já em outubro e os termómetros marcam mais de 30 graus numa semana que ficou marcada por se ter registado o dia mais quente de sempre na Madeira. Ainda que possa não parecer e por mais que saiba bem estar na praia em pleno outubro, há motivos para alarme. Mas porque motivo está então o Turismo em risco? Um estudo recente da Comissão Europeia prevê que, caso esta tendência de aquecimento se mantenha, muito por culpa das alterações climáticas, o destino Portugal possa perder turistas nos meses mais quentes e principalmente nas regiões do Alentejo e do Algarve, sendo mesmo o terceiro país da União Europeia mais afetado pelo possível aumento das temperaturas médias (só atrás do Chipre e da Grécia). O mesmo estudo defende que, quanto mais expressivo for o aquecimento global, mais se vai acentuar uma deslocação da procura turística do sul para o norte da Europa. E os desafios não ficam por aqui já que com o aumento da temperatura média, existirão mudanças na sazonalidade e com a qual seremos obrigados a repensar os modelos de negócio, produtos e serviços que oferecemos.  E ainda que segundo um estudo levado a cabo a nível global pela Deloitte, dirigido a CEO’s ou presidentes executivos, cerca de 96% dos inquiridos digam que nos próximos três anos o clima terá algum ou muito impacto nos seus negócios, continuamos a assistir, não só no Turismo, a uma inoperância ou a esforços que são insuficientes e que colocam em risco não só os destinos, património e atrações como a base de todos eles: o próprio planeta. De resto, de pouco servirá que a estratégia turística de qualquer Nação promova e valorize os seus recursos, se não tiver bem presente a perceção de que todos eles, cada um à sua maneira, são dependentes da realidade ambiental e climática.  E onde entra a tecnologia nesta retórica? Conforme defendemos na obra “Turismo e Hotelaria Futureland – Sustentabilidade e Tecnologias para o Futuro”, lançada em setembro no Auditório do Turismo de Portugal, a tecnologia pode efetivamente ajudar a salvar o turismo e através da sua implementação transversal, minimizar e retardar os efeitos do aquecimento global e consequentemente preservar o turismo enquanto modelo de negócio a funcionar nos moldes que todos conhecemos. A título de exemplo basta pensarmos no Turismo Virtual e em todas as suas potencialidades quando nos permite viajar até à outra parte do mundo sem sair de casa e por isso sem o impacto ambiental associado, recordando que um estudo recente da Universidade de Sidney, aponta o turismo como sendo um dos sectores que mais contribui para as alterações climáticas, representado 8% do total de emissões de CO2.

Por Tiago Rodrigues, diretor do Departamento de Marketing e Comunicação do ISCE – Instituto Superior de Lisboa e Vale do Tejo; Coautor do livro Turismo e Hotelaria Futureland – Sustentabilidade e Tecnologias para o Futuro (2023), da LIDEL

Com a colaboração de:

Luiz Moutinho

BA, MA, PhD, MAE, FCIM. | Professor Convidado de Marketing na University of Suffolk (Reino Unido) e na The Marketing School (Portugal). Professor Adjunto de Marketing, GSB, FBE, na University of the South Pacific (Fiji). Membro da Academia Europaea.

Nuno Abranja

Diretor do Departamento de Turismo do ISCE – Instituto Superior de Lisboa e Vale do Tejo | Autor da Lidel – Edições Técnicas

Alfonso Vargas-Sánchez

Professor Catedrático de Gestão na Universidade de Huelva (jubilado) | Académico Titular da Academia Andaluza de Ciência Regional (Espanha).

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