O tráfego de passageiros nos aeroportos europeus cresceu 3,8% em março face ao mesmo mês de 2025, mantendo um ritmo semelhante ao registado em fevereiro (+4,2%), apesar do impacto do conflito no Médio Oriente iniciado a 28 de fevereiro. Os dados foram divulgados esta terça-feira pela ACI Europe, associação que representa os aeroportos europeus.
Segundo o relatório, os aeroportos do mercado EU+ – que inclui União Europeia, Espaço Económico Europeu, Suíça e Reino Unido – registaram um crescimento de 4,1% no tráfego de passageiros, acima dos 3,9% verificados em fevereiro, enquanto os aeroportos do resto da Europa abrandaram para um crescimento de 2,6%, depois dos 5,9% registados no mês anterior. A ACI Europe atribui esta desaceleração sobretudo ao impacto do conflito nos aeroportos israelitas, cujo tráfego caiu 86,3%.
Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI Europe, afirma que “o primeiro mês da guerra no Médio Oriente voltou a evidenciar a resiliência da procura pelo transporte aéreo perante mais um grande choque geopolítico”. Segundo o responsável, apesar de muitos aeroportos europeus terem perdido ligações diretas à região, “os fluxos de tráfego com ligação à Ásia adaptaram-se rapidamente através de rotas alternativas diretas e indiretas”.
Jankovec acrescenta que esta adaptação acabou mesmo por apoiar “alguns fluxos intraeuropeus”, enquanto “o mercado transatlântico se manteve extremamente dinâmico”.
O responsável refere ainda que, para os meses de pico do verão, a associação não antecipa “uma contração dos volumes de passageiros”, exceto no caso de surgirem “escassezes significativas de combustível de aviação”. Segundo a ACI Europe, as companhias aéreas do Médio Oriente estão já a restaurar a sua rede europeia, enquanto as transportadoras europeias fizeram apenas “ajustes limitados de capacidade”.
Ainda assim, Olivier Jankovec alerta que, após os meses de verão, “as perspetivas para o tráfego aéreo são ainda muito incertas para a indústria”, acrescentando que tudo dependerá “da geopolítica e das consequências da crise petrolífera”, incluindo “o risco de um choque no custo de vida que ponha à prova a resiliência da procura”.
Entre os mercados da União Europeia e associados, os aeroportos da Eslováquia (+130,7%), Eslovénia (+17%), Dinamarca (+13,8%), Malta (+12,5%) e Croácia (+10,8%) apresentaram os melhores desempenhos em março.
No extremo oposto, os aeroportos de Chipre registaram uma quebra de 15,3%, afetados pela cobertura mediática do incidente com drones numa base britânica próxima, apesar de a situação de segurança na ilha “se manter estável”, segundo a associação.
Entre os maiores mercados europeus, Itália (+4,8%) e Espanha (+3,9%) registaram os melhores resultados. Já Alemanha (+3,1%), Reino Unido (+2,8%) e França (+1,2%) ficaram abaixo da média do setor, situação que a ACI Europe associa, “em grande parte”, às taxas nacionais sobre a aviação.
Fora do espaço EU+, os maiores crescimentos ocorreram nos aeroportos da Macedónia do Norte (+36,3%), Moldávia (+25,3%), Bósnia-Herzegovina (+21,3%), Uzbequistão (+15,9%), Turquia (+11,3%) e Sérvia (+11,3%).
Entre os maiores aeroportos europeus, Istambul (+7,7%) e Istambul Sabiha Gökçen (+7,2%) lideraram o crescimento do tráfego de passageiros em março. O aeroporto de Londres Heathrow (+6,9%) manteve-se como o mais movimentado da Europa, com 6,64 milhões de passageiros.
Os aeroportos espanhóis também apresentaram crescimento expressivo, com Barcelona (+5,4%) e Madrid (+4,2%). Já Frankfurt (+2,1%), Munique (+1,4%) e Amesterdão (+1,4%) registaram crescimentos mais moderados, enquanto Londres Gatwick (-2,5%) e Roma-Fiumicino (-0,1%) apresentaram ligeiras quedas.
A ACI Europe destaca ainda que os pequenos aeroportos, com menos de um milhão de passageiros anuais, continuam a ser os mais afastados dos níveis pré-pandemia. Apesar de terem registado o maior crescimento homólogo em março (+8,9%), permanecem 32,1% abaixo dos volumes de 2019.




