Sábado, Abril 13, 2024
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Trimestre positivo dá novamente alento às rent-a-car

A recuperação de algum turismo internacional foi “decisiva” para que a partir de finais de julho as frotas das empresas associadas da ARAC-Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor registassem níveis de ocupação elevados, o que levou a um consequente aumento de preços, não esquecendo, no entanto, que o número de veículos disponíveis para aluguer foi de cerca de 60% dos registados em 2019. Em entrevista ao TNews, o secretário–geral da ARAC, Joaquim Robalo de Almeida, fala do atual estado do setor e as perspetivas para 2022.

Qual o balanço que se pode fazer da operação de rent-a-car até setembro de 2021?
Começo por dizer que os últimos 20 meses foram seguramente os mais difíceis da história do aluguer de automóveis sem condutor em Portugal e de uma maneira geral em todos os países do mundo.

É sobejamente sabido o que se passou no ano 2020, o qual queremos apagar da nossa memória, por isso nesta entrevista vou-me concentrar no que aconteceu apenas em 2021.
Após algum alívio nas medidas de confinamento no final de 2020, o natal e a passagem de ano (ao contrário do que era esperado) foram acontecimentos que contribuíram de forma decisiva para o período muito difícil para o nosso país e todos os outros de uma maneira geral. Durante os primeiros 5 meses registou-se um número de contágios muito elevado e com um crescimento em espiral do número de mortes, situação que em alguns casos ameaçou o colapso do apoio hospitalar em quase todos os países do mundo.

Em todo o caso, tendo os profissionais de saúde portugueses fizeram um esforço quase sobrehumano na tentativa de salvar o maior número de pessoas.

Apesar da dificílima situação económica que as empresas representadas pela ARAC atravessavam, foi de grande importância a manutenção das estações de rent-a-car abertas. As atividades económicas essenciais de produção em que se incluem o rent-a-car e o rent-a-cargo puderam levar a toda uma população tudo o que é necessário para que o país continuasse a funcionar, valendo também a pena lembrar que ao longo da crise a maioria das empresas de rent-a-car e rent-a-cargo viram-se obrigadas a fazer adaptações para responder aos novos desafios.

Devido ao isolamento imposto pela pandemia, houve a necessidade de as empresas representadas pela ARAC adaptarem e agilizarem os canais de venda online, que já dispunham de modelos de trabalho remoto para promover a continuidade da atividade.
Houve a necessidade de as obrigar a aumentar os investimentos em tecnologia para suportar a transição tecnológica e, consequentemente a segurança digital, passando a formação dos trabalhadores a ser ainda mais prioritária.

Verificamos que as previsões da OMT – Organização Mundial do Turismo foram muito acertadas, nomeadamente quanto á quebra da atividade turística de 75% em 2020 face a 2019, à antevisão de que a recuperação se faria através do combate á pandemia e da intensificação da vacinação, o que foi decisivo para a melhoria da mobilidade dos turistas a nível internacional e a essencialidade do apoio às empresas. Destacamos aqui as medidas aplicadas no tempo oportuno pelo governo português, das quais merecem especial relevo o layoff simplificado, o Apoio à Retoma, as moratórias bancárias e as linhas de crédito.
No passado mês de junho, o turismo começou a apresentar sinais de retoma, ainda que de uma forma tímida e com muitas incertezas, pois a pandemia ainda não estava totalmente controlada e a atuação dos governos dos vários países não foi igual, sendo que alguns deles revelaram algumas incoerências.

No nosso país, assistimos desde então a uma clara recuperação da atividade turística sobretudo na clientela nacional, a qual infelizmente é residual para o rent-a-car nacional, sendo que apenas teve influência nos Açores e Madeira.

No entanto paulatinamente fomos assistindo à recuperação de algum turismo internacional, o que foi decisivo para que a partir de finais de julho as frotas das empresas associadas da ARAC registassem níveis de ocupação elevados, o que levou a um consequente aumento de preços (não esquecendo, no entanto, que o número de veículos disponíveis para aluguer foi de cerca de 60% dos registados em 2019).

Em finais de outubro, podemos afirmar que as taxas de ocupação continuam satisfatórias sobretudo para esta época do ano, sublinhando novamente que se operou uma forte redução das frotas das empresas.

De acordo com os elementos estatísticos disponíveis, podemos afirmar que os últimos meses têm sido decisivos para dar alento à débil situação das empresas registada no primeiro semestre, podendo antever-se (caso não surjam imprevistos originados pela pandemia) um cenário de recuperação para 2022 e anos seguintes, prevendo a OMT em 2023/2024 um cenário semelhante a 2019.

Tal cenário da OMT não é aplicável uniformemente a todas as atividades que compõem o Turismo, pois no caso do rent-a-car, a situação da falta de semicondutores essenciais à fabricação de veículos automóveis, pode ser determinante para a recuperação deste setor da mobilidade – essencial – para o conjunto das restantes atividades turísticas, pois nunca podemos esquecer que sem mobilidade não existe turismo, sem nunca esquecera importância do rent-a-car, o qual é em muitos casos o primeiro e último produto turístico utilizado por quem nos visita.

Entendemos que é essencial que até ao final do ano, os indicadores continuem a melhorar face a 2020 e que se comecem a aproximar dos registados em 2019, sendo para tal indispensável que o combate à pandemia continue na ordem do dia e que cheguem os tão esperados apoios da bazuca europeia.

“Apesar das melhorias operadas a partir de junho passado, prevemos uma quebra de faturação certamente entre 30% e 40% no que respeita ao rent-a-car”

Qual é a quebra de faturação média do setor da rent-a-car este ano e como estimam fechar o ano?
Devemos ter em consideração a comparação com 2019 e com 2020, pois não podemos esquecer que este último ano foi um ano atípico.
Assim se a comparação de 2021 for com 2020, prevemos que um crescimento da faturação, não devendo também esquecer que os meses de janeiro, fevereiro e primeiras 3 semanas de março de 2020 foram, em face dos meses homólogos de anos anteriores, os melhores de sempre.

No que respeita à comparação do corrente ano de 2021 com 2019 e apesar das melhorias operadas a partir de junho passado, prevemos uma quebra de faturação certamente entre 30% e 40% no que respeita ao rent-a-car.

A ARAC tem conhecimento de rent-a-car que encerraram a sua atividade por causa da pandemia?
As empresas de rent-a-car representadas pela ARAC mostraram uma grande resiliência e uma gestão profissional, atenta e rigorosa, tendo apesar da crise resistido recorrendo à redução do número de veículos e de abandono de algumas instalações (venda de ativos). A referida venda de ativos criou uma faturação artificial que impediu muitas das empresas de acederem aos apoios que foram concedidos às micro e pequenas empresas e que apesar de ter sido solicitado ao Governo, que se excluísse do cálculo dos limites da faturação os valores, constantes do e-fatura correspondentes a vendas de ativos fixos tangíveis, desde que claramente ligados a situação de profunda crise do sector, não foi tal pedido aceite pelo Governo devido á inexistência de sistema informático para o efeito.

Em síntese foi com grande esforço que as empresas se mantiveram vivas durante os anos de 2020 e 2021 evitando o recurso a processos de insolvência – “venderam-se os anéis para ficarem os dedos”.

Como perspetivam a atividade até ao final de 2021? E para 2022?
Após um verão que foi bastante positivo para o rent-a-car no que respeita a taxas de ocupação e rentabilidade das viaturas – não se devendo esquecer que a frota disponível para aluguer foi de cerca de menos 38% face a 2019 – dir-se-á que estamos a encarar os próximos meses até final do ano com algum otimismo, esperando-se assistir à recuperação do tráfego aéreo, com o consequente aumento de turistas desembarcados nos principais aeroportos do país.

A área de corporate já terá uma retoma mais efetiva em 2022 (para níveis de 20219) que a do lazer/turismo?
Os alugueres de curto e médio prazo verão certamente aumentar a sua procura à semelhança dos últimos anos.

Estão a ser criados produtos de mobilidade cada vez mais flexíveis para os clientes, que já estão a ser disponibilizados por empresas de aluguer de automóveis sem condutor, que se estão a transformar em consultores e fornecedores de mobilidade. Procuram e oferecem as soluções mais adequadas a uma clientela cada vez mais exigente, que alugam vários tipos de veículos em regime de curta, média, longa duração e de partilha como é o caso do carsharing.

Atualmente, particulares e empresas procuram cada vez mais eliminar todos os custos supérfluos, o que irá contribuir certamente para uma melhoria da sua gestão, umas vezes, por iniciativa dos gestores, outras vezes, por imposições legais, nomeadamente fiscais.
O nosso objetivo é oferecer estes serviços em consonância com a transição digital e uma economia verde, tendo em atenção um turismo sustentável e uma mobilidade inteligente e amiga do ambiente.

“foi com grande esforço que as empresas se mantiveram vivas durante os anos de 2020 e 2021 evitando o recurso a processos de insolvência – “venderam-se os anéis para ficarem os dedos”

É expectável uma subida de preços, devido à falta de semicondutores? As rent-a-car vão refletir esse aumento nos preços aos clientes?
Com vista a proceder à renovação das frotas, as empresas têm vindo a deparar-se com a falta de veículos disponíveis para venda no mercado, devido essencialmente à falta de semicondutores necessários à sua construção e ao aumento do custo das matérias-primas utilizadas na construção dos automóveis, o que conduzirá sem qualquer margem para dúvidas a um aumento do preço dos veículos.

Assim com os automóveis mais caros, (principal ativo das empresas de renta-car e rent-a-cargo), a que se junta a escassez do produto, será fortemente provável um aumento das tarifas de aluguer de veículos sem condutor.

“Nos próximos tempos assistiremos certamente à aquisição de veículos elétricos e híbridos plug-in novos”


Que desafios se colocam à atividade no pós-covid?
No pós-covid, certamente que o principal objetivo das empresas associadas da ARAC será a sua recuperação económica.

As atividades representadas pela ARAC (rent-a-car, rent-a-cargo, carsharing e ALD) há muito que se envolveram na missão de tornar o planeta mais limpo e atrativo para as atuais e futuras gerações, sendo um setor moderno em matéria de soluções técnicas para a descarbonização, nunca sendo demais referir que a nível mundial o rent-a-car sempre foi o porta-estandarte da mostra ao público das mais recentes novidades em matéria automóvel e de mobilidade.

Conscientes da necessidade do cumprimento das ambiciosas metas estabelecidas pela Comissão Europeia e pelo Estado Português com vista à redução das emissões de gases com efeitos de estufa nos próximos anos, com o objetivo de atingir a neutralidade carbónica em 2050 e tendo em atenção todo o atrás exposto, entendemos que a implementação da mobilidade elétrica, com recurso a veículos automóveis elétricos e veículos plug-in é imprescindível para a aposta no novo paradigma da mobilidade sustentável, através da substituição progressiva de veículos de combustão interna por veículos elétricos e híbridos plug-in. Entendemos por isso justificar-se a atribuição de incentivos financeiros destinados à aquisição, pelas empresas de rent-a-car, rent-a-cargo e carsharing, de veículos elétricos e híbridos plug-in, com o objetivo da concretização, de forma célere, os objetivos do combate às alterações climáticas.

Nos próximos tempos assistiremos certamente à aquisição de veículos elétricos e híbridos plug-in novos, nomeadamente veículos automóveis ligeiros, motociclos, ciclomotores, triciclos motorizados ou quadriciclos e velocípedes com motor, instalação de estações de carregamento para veículos elétricos e híbridos plug-in, aquisição e desenvolvimento de sistemas de entrega e receção de veículos com recurso a sistemas de contactless, aquisição e desenvolvimento de soluções informáticas com vista à otimização de processos e à eliminação do papel na celebração de contratos de aluguer de veículos sem condutor.

À medida que a União Europeia volta a sua atenção para a recuperação, acreditamos que existem várias medidas que podemos tomar com vista a apoiar os objetivos da transição digital e da economia verde, onde devemos enquadrar a mobilidade sustentável.

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