Domingo, Março 8, 2026
Domingo, Março 8, 2026

SIGA-NOS:

Turismo de Portugal prevê reforço orçamental de 12% em 2026 para apoiar Estratégia Turismo 2035

O Turismo de Portugal prevê um reforço orçamental na ordem dos 12% em 2026, revelou Carlos Abade, presidente da entidade, em entrevista ao TNews, esta quinta-feira, 9 de outubro, no mesmo dia em que foi apresentada a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano.

“O orçamento do Turismo de Portugal vai ser ligeiramente superior àquilo que é o ano anterior, e vai ser um orçamento focado naquilo que vai ser a concretização da Estratégia 2035”, afirmou Carlos Abade.

De acordo com o presidente do Turismo de Portugal, o reforço resulta “daquilo que são as receitas próprias do Turismo de Portugal, geradas em resultado das suas fontes de financiamento previstas na lei”, e significa que a entidade “terá mais força, do ponto de vista financeiro, para fazer face à nova estratégia”.

“Toda aquela dimensão que tem a ver com trabalhar a marca Portugal e trabalhar os mercados, a conectividade, tudo aquilo que tem a ver com fortalecer as empresas, apoiar — isto é importante — fortalecer as empresas, mas sobretudo impulsionar a economia”, referiu.

Carlos Abade destacou ainda que “o tema da valorização dos profissionais e da formação, e todo o investimento que se faz ao nível da formação”, serão áreas prioritárias, sublinhando também “a dimensão da transformação do território, e da mobilidade, e da gestão inteligente”.

Estratégia Turismo 2035 será apresentada até ao final do ano

O presidente do Turismo de Portugal adiantou que a Estratégia Turismo 2035 será apresentada até ao final do ano, numa sessão a anunciar pelo Ministro da Economia e da Coesão Territorial ou pelo Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços.

“A Estratégia Turismo 2035 será apresentada até ao final do ano. O Sr. Ministro da Economia e da Coesão Territorial já deu nota disso. É uma estratégia que foi sendo criada em articulação com todas as entidades no território, resultado de um conjunto vasto de workshops e de reuniões temáticas”, explicou Carlos Abade.

Segundo o presidente, a estratégia está “muito focada em três grandes objetivos”. O primeiro é um objetivo de crescimento em valor, que visa “continuar a progredir na cadeia de valor, tornar as empresas cada vez mais produtivas e gerar mais riqueza”, com o propósito de “criar mais rendimento para os portugueses e mais bem-estar”. O segundo é o crescimento na competitividade internacional, com o objetivo de colocar Portugal no top 10 dos destinos turísticos mundiais.

“O que nós vamos querer é que o setor do turismo em Portugal, ou que o destino Portugal, se posicione no top 10 mundial, o que significa, tão só, ultrapassar o Canadá e a Suíça para chegarmos ao top 10, num ranking que tem mais de 140 países”, afirmou, recordando que Portugal ocupa atualmente o 12.º lugar.

“Quanto mais nos aproximamos do topo, mais difícil é subir. Neste momento, estamos de facto a entrar num top onde temos países como França, Estados Unidos, Espanha, Canadá — grandes economias mundiais — e queremos chegar ao top 10”, acrescentou, apontando que esse objetivo deverá ser alcançado “o mais depressa possível, se possível nesta legislatura”.

O terceiro grande objetivo da estratégia é garantir um crescimento sustentável e inteligente, que promova a coesão territorial e social. “É possível acreditar que vamos crescer em valor de uma forma sustentável se conseguirmos crescer ao longo de todo o país. O turismo tem que, por um lado, crescer, mas por outro lado, ser uma ferramenta de coesão económica do país”, explicou Carlos Abade.

“O grande objetivo é crescer ao longo de todo o país, crescer ao longo de todo o ano, ter uma preocupação grande com a valorização dos profissionais do turismo e também com a sustentabilidade do crescimento”, acrescentou.

Entidades Regionais de Turismo com verba estável de 25 milhões de euros

Sobre as Entidades Regionais de Turismo (ERT), Carlos Abade explicou que o valor global destinado às regiões se mantém em cerca de 25 milhões de euros, conjugando verbas do Turismo de Portugal e do Orçamento do Estado.

“O orçamento das entidades regionais de turismo tem vindo a ser constantemente aumentado. Este ano de 2025 foi aumentado. Neste momento, para as entidades regionais de turismo, entre aquilo que é o Orçamento do Estado e aquilo que são verbas do Turismo de Portugal, estamos a falar de um total de 25 milhões de euros, e, portanto, é um valor que é superior àquilo que era o ano passado”, afirmou. O presidente acrescentou que o objetivo é “não só manter isto, como também, através de outros instrumentos de apoio financeiro que temos, reforçar aquilo que é o nosso apoio e a nossa articulação com as entidades regionais de turismo”.

De acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2026, a receita proveniente da consignação do IVA Turismo mantém-se em 16,4 milhões de euros, distribuída pelas cinco regiões — Porto e Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve — através de contratos-programa celebrados com o Turismo de Portugal, I.P.

Execução orçamental continua a ser um desafio

Confrontado com as preocupações das regiões quanto à execução das verbas, o presidente reconheceu que existem “duas dimensões” a ter em conta.

“Naturalmente, para as entidades regionais de turismo poderem desenvolver a sua atividade, têm que ter recursos, um dos quais são os recursos financeiros. Esses recursos financeiros foram substancialmente reforçados no ano de 2025, e é uma trajetória que pretendemos que se mantenha. Outra coisa depois é a sua capacidade de execução”, referiu.

“Isso é o tema da aplicação daquelas que são as regras do contexto de execução orçamental, que naturalmente têm de ser seguidas, e regras que implicam, relativamente a determinadas dimensões, a sua descativação para poderem ser executadas”, explicou, acrescentando que “isso são matérias que têm de ser cada vez mais eficientes para garantir que as entidades regionais de turismo têm condições para executar aquele que é o seu plano de atividade”.

-PUB-spot_img

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui