Turismo em tempo de férias: cuidar de quem cuida

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“O autocuidado não é individualismo. Pelo contrário, em contextos exigentes como o turismo, cuidar de si é também proteger a equipa – porque o nosso estado emocional afeta diretamente quem trabalha ao nosso lado”

A viagem que corre como previsto, o cheiro a café às 5h da manhã, a toalha dobrada com perfeição, o sorriso que acolhe mesmo com cansaço nos olhos. Já considerou o número de Pessoas nas mais diversas áreas que são necessárias para que umas férias sejam um sucesso?

No auge do verão, enquanto uns fazem as malas para fugir da rotina, outros apertam os sapatos e preparam o sorriso para garantir que tudo corre bem. Nos hotéis, nos restaurantes, nos destinos onde “viver experiências” se tornou uma promessa da marca, há equipas inteiras que, longe de descansar, dão o melhor de si – corpo, mente e coração – para que os dias de férias de outras pessoas sejam memoráveis.

É nesta altura que o turismo mostra a sua face mais exigente. Turnos longos, picos de stress, respostas rápidas e emoções à flor da pele. Todos os sentidos atentos permanentemente.
No meio disso tudo, um paradoxo: quem garante o bem-estar dos outros, quase sempre adia o seu. Por isso, importa perguntar: Quem cuida de quem cuida? Talvez a resposta não esteja fora, mas dentro da própria equipa. No colega que nota o cansaço e oferece ajuda antes de ser pedido. No gesto de escuta. No riso partilhado durante cinco minutos de pausa. No reconhecimento do esforço coletivo. E, sobretudo, na consciência de que o cuidado com o outro começa no cuidado consigo mesmo.

Deixo-lhe duas soluções simples para começar já, mesmo nesta reta final, com a sua equipa:

1. Valorize o trabalho invisível

Grande parte do que garante uma boa experiência ao cliente não está à vista. É o cuidado com o detalhe, a atenção antecipada, a paciência renovada a cada novo pedido, o esforço de manter a harmonia num dia caótico. Esse é o trabalho invisível — e é também o mais fácil de ser esquecido. Então, como valorizá-lo na prática?

  • Inicie cada turno com um momento de reconhecimento real: partilhe algo positivo que viu alguém fazer, por mais pequeno que seja. Isso reforça a cultura de valorização e atenção ao outro;
  • Crie um “mural invisível” (físico ou digital): onde colegas podem escrever mensagens anónimas de reconhecimento entre si. Um elogio, um agradecimento, uma partilha;
  • Dê visibilidade a funções menos vistas: altere papéis ou promova pequenos encontros onde cada pessoa possa explicar o impacto do seu trabalho;
  • Celebre o esforço, não só o resultado: Elogiar só quando tudo corre bem pode alimentar a exaustão silenciosa. Reconheça quem se esforça, quem tenta, quem se levanta mesmo cansado – isso constrói confiança e pertencimento.

2. Incentive práticas de autocuidado coletivo

O autocuidado não é individualismo. Pelo contrário, em contextos exigentes como o turismo, cuidar de si é também proteger a equipa – porque o nosso estado emocional afeta diretamente quem trabalha ao nosso lado. Então, como implementar práticas com leveza e impacto?

  • 5 minutos de pausa consciente por turno: Estabeleça um “minuto de presença” no início ou final de cada turno. Sem distrações, apenas para respirar, soltar o corpo, alinhar intenções. Isso reduz o stress e aumenta a atenção;
  • Check-in emocional” rápido em reuniões: Perguntar “Como está de 0 a 10?” no início de cada briefing normaliza o espaço emocional e cria escuta. Não precisa resolver, só acolher;
  • Crie um “ponto de descompressão” no espaço de staff: Pode ser um canto com frases inspiradoras, música suave ou uma caixa com mensagens positivas que cada um possa tirar num momento difícil;
  • Promova conversas curtas sobre bem-estar: Promova internamente troca de ideias sobre temas como sono, alimentação, respiração, resiliência ou comunicação não violenta.

Estas práticas não exigem grandes orçamentos nem tempo extra. Pedem apenas intenção. E é essa intenção – coletiva, cuidada, consciente – que transforma uma equipa comum numa equipa viva.
E depois, quando os turistas regressarem ao trabalho é o momento para que os profissionais do turismo possam regressar a si mesmos, porque tão importante quanto resistir ao pico, é saber renascer depois dele. Prometo abordar este tema no meu próximo artigo.

Por Susana Garrett Pinto*

Fundadora e CVO by THF® | @ byTHF.pt 

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