Ukino Hotels projeta salto internacional com olhos postos em Cabo Verde, Marrocos e Espanha

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A Ukino Hotels continua a afirmar-se no mercado hoteleiro português com duas unidades no Algarve — o Ukino Terrace Algarve e o Ukino Palmeiras Village — e tem já no horizonte a internacionalização, com especial interesse em destinos como Cabo Verde, Espanha e Marrocos. Em entrevista ao TNews, Solange Moreira, CEO e partner, e Marta del Pozo, Chief Revenue Officer (CRO) e partner, destacam que 2025 está a ser um ano positivo, estimando encerrar o exercício com um crescimento na ordem dos 5%.

A Ukino Hotels, empresa de consultoria e gestão hoteleira, está a registar “um crescimento da ocupação, da procura e, consequentemente, do preço médio”, começa por afirmar Marta del Pozo, acrescentando que “o mais surpreendente foi o aumento da estadia média, que ultrapassou as seis noites este ano”.

A responsável adianta que, em particular, este verão foi “desafiante” devido à redução das reservas antecipadas, “o que tem sobrecarregado significativamente as operações do hotel, mas conseguimos superar isso mantendo os padrões de qualidade”.

Em comparação com 2024, Marta del Pozo destaca “um crescimento muito sustentável, com cerca de dois pontos adicionais na ocupação”, e um desempenho financeiro em linha com as expectativas. “As nossas projeções de fecho apontam para um crescimento de 5% a 6%”, prevê.

“Superámos os números do ano passado a nível de faturação e superámos os índices de qualidade e de satisfação do cliente. Portanto, este ano houve um claro crescimento em todos os níveis”, sublinha, por sua vez, Solange Moreira.

Verão positivo, mas sazonalidade continua a ser um desafio

No balanço do verão, Solange Moreira aponta que o Ukino Terrace Algarve atinge “quase sempre” ocupação plena nos meses mais quentes do ano, visto que o hotel “tem menos de metade dos quartos do Ukino Palmeiras Village”.

“O verão no Algarve é sempre muito procurado [nas duas unidades], principalmente nos meses de pico – julho e agosto – sendo que, em setembro, estamos a ver uma procura cada vez mais estendida neste sentido”, acrescenta a CEO.

Solange Moreira alerta, contudo, para a necessidade de trabalhar o destino na época baixa. “Encontramos em setembro a falta de infraestruturas, com restaurantes a começar a fechar. Não estou a falar de outubro ou novembro, estou a falar de setembro”, adverte. “Sentimos que o destino tem de acompanhar, tanto a nível de promoção, como a nível de estratégia de serviços; não podem ser só os hotéis”.

Reforça ainda que, o Algarve enquanto destino, “precisa de investir a risco para atrair mercados que viajam naturalmente no inverno, como o americano e o canadiano”, com vista a “combater a sazonalidade e conseguir manter os negócios – no nosso caso, os hotéis – abertos o ano todo”.

Para contrariar a sazonalidade, o grupo tem apostado na realização de eventos temáticos. “Fazemos, por exemplo, a festa de Halloween com várias atividades para prolongar a operação até novembro. Mas necessitamos – nós e todos os hoteleiros – que o destino em si, no seu todo, acompanhe”, frisa.

“Encontramos em setembro a falta de infraestruturas, com restaurantes a começar a fechar. O destino tem de acompanhar, tanto a nível de promoção como de estratégia de serviços; não podem ser só os hotéis”

Principais mercados emissores

Entre os mercados emissores mais relevantes, Marta del Pozo destaca “o inglês, o francês e o português, que continua a ter um peso significativo”, assinalando ainda o “crescimento significativo do mercado alemão” em ambos os hotéis. 

A CRO sublinha a aposta na diversificação de mercados. “Estamos a tentar captar novos mercados que estão a prolongar as suas estadias, como os Estados Unidos ou o Canadá, porque aumentam a nossa estada média em períodos de menor procura”, explica.

Segundo a responsável, o voo direto Faro–Nova Iorque, lançado pela United Airlines este ano, já trouxe sinais positivos. “Notámos algumas pequenas mudanças, com um ligeiro aumento de clientes vindos desta nova rota”, admite. 

Segmentos estratégicos e aposta no MICE desportivo

Em termos de principais segmentos, a CEO afirma que, “claramente, um hotel com as infraestruturas do Ukino Palmeiras Village é leisure”, porém, destaca uma curiosidade: “temos uma grande fatia de faturação de MICE [em ambas as unidades], não tanto a nível de congressos, mas muito incentivos, eventos e séries”, com forte aposta no segmento desportivo.

Geralmente, o Ukino Palmeiras Village encerra operações no final de novembro e reabre no São Valentim e Carnaval. Este ano, o resort fechará mais tarde, em meados de dezembro, uma vez que será “o hotel-sede do Campeonato Europeu de Maratona”, fruto de “um acordo com a Federação Portuguesa de Atletismo e a Associação Europeia de Atletismo”. 

A marca tem também procurado estabelecer parcerias estratégicas com entidades como o SL Benfica (Mais Vantagens), a Ordem dos Enfermeiros, a Worten e, brevemente, a MB Way, com o objetivo de ampliar a visibilidade da marca e diversificar públicos.

“Uma das nossas ambições é Marrocos. É um destino que, contrariamente ao que se pode pensar, é muito fácil de trabalhar e que está agora na moda”

Estratégia de expansão em Portugal e no estrangeiro

Nascida em abril de 2023, com apenas dois anos de atividade, a Ukino Hotels encontra-se em fase de expansão e já está a negociar novas oportunidades de gestão hoteleira em Portugal e no estrangeiro.

“Estamos a negociar dentro de Portugal, não só no Algarve, mas também em Lisboa, Centro, Algarve e Alentejo”, adianta Solange Moreira. No plano internacional, a CEO não esconde o grande objetivo: “uma das nossas ambições é Marrocos”, um destino “muito fácil de trabalhar” e que “está agora na moda”.

Além disto, a Uniko Hotels está de olhos postos em Cabo Verde e, “de forma natural, Espanha, porque a Marta é espanhola e queremos crescer para a nossa segunda casa”, avança.

“Não estamos fechadas a nenhum destino e nenhum tipo de produto. Trazemos experiência de vários destinos internacionais e mercados emissores, e já operámos hotéis de mil quartos e hotéis boutique de dez quartos. Portanto, para nós há uma grande facilidade de adaptação”, garante Solange Moreira.

Enquanto empresa de gestão hoteleira, a CEO sublinha que a Uniko pretende “olhar para os produtos, avaliar as suas valências e o seu potencial, sempre enquadrado no destino onde está inserido, na cidade e no próprio ADN”, não esquecendo a sustentabilidade, um pilar “muito importante” para a marca.

“É uma questão de ouvir os proprietários, porque os produtos muitas vezes têm uma ligação emotiva com o proprietário em si, e ouvir muito os clientes e os touroperadores”, acrescenta.

Novidades para 2026

Entre as novidades previstas para 2026 destacam-se as renovações em ambas as unidades hoteleiras. “Em 2026, o Ukino Palmeiras Village vai abrir com os quartos completamente renovados e vamos também renovar o segundo buffet”, adianta Solange Moreira, recordando que, no inverno passado, já tinham sido intervencionados todos os quartos do edifício 1. Este inverno será a vez do edifício 2, o que levará a que o resort reabra mais tarde do que o habitual, mais próximo da Semana Santa, de acordo com a responsável.

Já no Ukino Terrace Algarve está prevista a renovação completa do restaurante buffet, reforçando a importância de “manter as infraestruturas sempre atualizadas” para “criar conforto” para o hóspede. “É possível que, no inverno de 2026, comecemos o processo de reforma dos apartamentos”, acrescenta.

Paralelamente, o grupo continuará a apostar na promoção internacional, com foco nos mercados alemão e francês, através de ações personalizadas, presença em feiras e workshops e parcerias estratégicas.

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