Vaga de calor teve “impacto limitado” na hotelaria europeia, mas Lisboa perdeu ocupação

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A vaga de calor que atingiu a Europa no final de junho teve um impacto reduzido na hotelaria, com a ocupação a manter-se estável na maioria dos mercados e a crescer nos destinos costeiros, segundo uma análise da CoStar. Lisboa foi, no entanto, uma das poucas capitais do Sul da Europa a registar uma quebra da ocupação hoteleira, contrariando a tendência observada na região.

A CoStar conclui que “a indústria hoteleira da região mostrou pouco ou nenhum impacto negativo” durante a semana terminada a 27 de junho, apesar das temperaturas extremas registadas em cerca de 20 países europeus. Segundo a empresa, a ocupação dos hotéis de luxo aumentou em termos homólogos em todas as noites da semana, refletindo a continuidade da procura internacional, bem como das viagens de negócios e de grupos.

Nos hotéis das categorias select service e económicas, o desempenho foi mais fraco durante a primeira metade da semana, mas recuperou nos últimos dias, culminando num crescimento da ocupação durante o fim de semana. Nos segmentos Luxury e Upper Upscale, os aumentos rondaram os 5% e 6%, enquanto nas categorias Midscale e Economy se situaram entre os 3% e 4%.

A análise evidencia ainda diferenças entre as capitais europeias. Enquanto cidades do Sul e do Leste da Europa, como Tbilisi, Belgrado, Bucareste e Istambul, registaram alguns dos maiores crescimentos homólogos da ocupação, várias capitais do Norte da Europa apresentaram quebras.

Lisboa contrariou a tendência observada na maioria das capitais do Sul europeu, registando uma descida de cerca de 4% face ao mesmo período de 2025. Ainda assim, a CoStar sublinha que “o crescimento da ocupação em muitos mercados acompanhou as tendências estabelecidas nas três semanas anteriores”, o que “sugere um impacto limitado ou inexistente da vaga de calor”.

Os destinos costeiros foram os principais beneficiados pelas temperaturas elevadas. Segundo a análise, nove dos dez mercados costeiros acompanhados registaram um crescimento da ocupação superior ao observado nas três semanas anteriores.

Chipre liderou esta evolução, com um aumento próximo dos 10%, seguindo-se Provence-Alpes-Côte d’Azur, em França, Croácia, Tricity, na Polónia, e a costa do Báltico, na Alemanha. Barcelona, Sicília, Grécia Provincial e vários destinos costeiros do Reino Unido também apresentaram crescimentos positivos.

A CoStar atribui este desempenho à conjugação entre a vaga de calor e a sazonalidade, referindo que “uma combinação de calor e sazonalidade levou mais viajantes para destinos costeiros” durante esse período.

França, um dos países mais afetados pelas temperaturas extremas, também registou um desempenho positivo. De acordo com a CoStar, a ocupação hoteleira aumentou 2%, para 79,9%, representando “a taxa de crescimento mais elevada entre os cinco maiores mercados europeus e uma das mais elevadas da Europa”.

Em Paris, a Semana da Moda impulsionou a ocupação para 91,3%, o valor semanal mais elevado entre todos os mercados europeus analisados. As ligeiras oscilações registadas durante os dias úteis “provavelmente não estão relacionadas com a vaga de calor”, refere a CoStar, mas antes com níveis de ocupação já muito elevados.

Na conclusão da análise, a empresa sublinha que, apesar de a maior vaga de calor do ano ter criado “uma semana extremamente desafiante para os residentes”, “a ocupação hoteleira não foi negativamente afetada”. Em contrapartida, acrescenta, os mercados costeiros beneficiaram de um aumento da procura e os hotéis de categorias intermédia e económica registaram um reforço das chamadas staycations, à medida que muitos residentes procuraram alternativas para escapar às temperaturas elevadas.

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