Segunda-feira, Maio 11, 2026
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Viagens de negócios mantêm ritmo, mas confiança “cai drasticamente” face a tensões geopolíticas

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As viagens de negócios globais continuam a avançar em 2026, mas sob um clima de crescente incerteza e pressão. Um novo inquérito divulgado pela Global Business Travel Association (GBTA) revela que, embora o ritmo da atividade se mantenha, a confiança do setor “cai drasticamente” face ao agravamento dos conflitos geopolíticos, ao aumento dos custos e à complexidade operacional.

De acordo com o estudo, que recolheu as perspetivas de mais de 500 profissionais do setor em todo o mundo, as organizações continuam a viajar, reunir-se e investir em relações comerciais, mas fazem-no “com muito mais cautela, menos confiança e maior complexidade operacional do que no início do ano”.

“O que estamos a assistir não é a uma redução generalizada das viagens corporativas, mas sim a uma abordagem mais deliberada e cuidadosamente gerida”, afirma Suzanne Neufang, CEO da GBTA, sublinhando que as empresas estão a adaptar-se “ao aumento dos custos, às dificuldades operacionais e às crescentes tensões geopolíticas”.

Segundo a responsável, “estas pressões estão a remodelar como, onde e porquê as empresas viajam agora, tornando os profissionais experientes em viagens corporativas mais importantes do que nunca para garantir a segurança dos viajantes, lidar com riscos e interrupções e controlar os orçamentos”.

Instabilidade geopolítica é a principal preocupação

A instabilidade internacional, nomeadamente no Médio Oriente, surge agora como “o risco externo mais significativo que influencia as decisões de viagens corporativas em 2026”. Segundo o inquérito, 79% dos participantes identificam os conflitos geopolíticos como uma das maiores ameaças às viagens corporativas.

O impacto é “especialmente visível na Europa”, onde 92% dos inquiridos apontam este fator como “risco primário”, acima dos 72% registados na América do Norte. No total, 76% dos compradores admitem que estas tensões têm um impacto moderado ou significativo nas decisões relacionadas com viagens e reuniões das suas empresas.

Entre os fornecedores, a perceção é ainda mais acentuada: 83% consideram que os conflitos estão a afetar materialmente os seus clientes. Na prática, as empresas já estão a reagir, com metade a reportar alterações de rotas e itinerários, e outras 50% a suspender viagens para determinadas regiões. Há ainda 36% que indicam estar a rever políticas de responsabilidade social associadas às deslocações.

Confiança em queda, sobretudo na Europa

O estudo revela também uma quebra acentuada no otimismo global. Apenas 41% dos inquiridos dizem estar confiantes quanto ao desempenho do setor das viagens corporativas em 2026, uma descida face aos 59% registados em janeiro.

Entre os compradores, o otimismo caiu de 59% para 39%, enquanto entre os fornecedores passou de 57% para 45%. A Europa destaca-se como a região mais afetada, sendo a única “onde o pessimismo supera o otimismo em termos de perspetivas para o próximo ano”.

No início do ano, o sentimento europeu era maioritariamente positivo (58% otimistas contra 14% pessimistas), mas em abril o cenário inverteu-se: apenas 21% mantêm uma visão otimista, enquanto 38% assumem uma visão negativa.

Já na América do Norte, apesar de se manter um saldo positivo, a confiança também recuou, com o otimismo a cair de 59% para 45% e o pessimismo a subir para 19%.

Os custos e a segurança emergem como fatores críticos para o futuro das viagens corporativas em 2026. A acessibilidade financeira preocupa agora 82% dos inquiridos (face a 70% em janeiro), enquanto 67% (contra 56%) destacam a segurança dos colaboradores como uma preocupação crescente.

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