O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) apelou a uma implementação coordenada do novo Sistema de Entrada/Saída (Entry/Exit System – EES) do espaço Schengen, alertando que falhas operacionais e longos tempos de espera nas fronteiras poderão prejudicar a competitividade da Europa como destino turístico.
A posição surge na sequência das preocupações manifestadas, a 29 de junho, pela Airports Council International (ACI Europe), Airlines for Europe (A4E) e Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), que alertaram para os desafios da entrada em funcionamento do novo sistema de controlo fronteiriço.
Segundo o WTTC, embora reconheça a importância da modernização dos controlos nas fronteiras e do reforço da segurança, a implementação do EES deverá ser acompanhada por flexibilidade operacional, equipamentos fiáveis, recursos humanos suficientes e uma comunicação eficaz junto dos viajantes, de forma a evitar constrangimentos nos aeroportos europeus.
De acordo com um estudo encomendado pelo WTTC, realizado junto de mais de 2.500 viajantes dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália, esperas superiores a três horas nos controlos fronteiriços poderão desmotivar cerca de um terço dos turistas a visitar o espaço Schengen. A organização estima que este cenário possa colocar em risco até 41 milhões de chegadas internacionais e cerca de 45,4 mil milhões de dólares (aproximadamente 38,6 mil milhões de euros) em despesas turísticas previstas para 2026.
Perante este cenário, o WTTC defende três medidas prioritárias: acelerar a adoção da aplicação Travel to Europe, que permitirá o pré-registo digital dos viajantes para o EES; lançar campanhas de comunicação nos principais mercados emissores para informar os passageiros sobre os novos requisitos antes da viagem; e garantir que os postos fronteiriços dispõem de pessoal suficiente, equipamentos fiáveis e processos eficientes, incluindo para os viajantes que já tenham efetuado o pré-registo biométrico.
A presidente e CEO do WTTC, Gloria Guevara, considera que o EES representa “um passo importante para fronteiras mais inteligentes e seguras”, mas sublinha que a sua implementação deve ser “prática, coordenada e centrada no viajante”.
“Se os longos tempos de espera se tornarem uma prática habitual, os turistas procurarão outros destinos. A Europa não pode comprometer a sua competitividade nem a experiência que oferece aos milhões de visitantes que recebe todos os anos”, afirma a responsável, citada em comunicado.
Segundo o WTTC, o setor das viagens e turismo contribuiu com cerca de 3 biliões de dólares para a economia europeia em 2025 e sustentou 40,7 milhões de empregos no continente.




