O World Travel & Tourism Council (WTTC) defendeu que o turismo mundial demonstra uma “resiliência estrutural” perante crises globais e que os destinos turísticos não só recuperam, como frequentemente ultrapassam os níveis anteriores às crises.
A conclusão consta do novo relatório “Accelerating Travel & Tourism Recovery – Global Evidence from Four Decades of Crises”, apresentado pelo WTTC durante o primeiro “Leadership Cruise” da organização, realizado no Egito, durante a travessia do Canal do Suez.
Desenvolvido em parceria com a Chemonics International e a George Washington University Business School, o estudo analisa quatro décadas de dados globais e conclui que, entre 100 grandes crises analisadas, nenhum destino sofreu um colapso permanente após o fim da crise, sobretudo quando existiu liderança governamental eficaz.
Segundo os dados mais recentes do WTTC, o setor das viagens e turismo contribuiu com 11,6 biliões de dólares para o PIB mundial em 2025, representando 9,8% da economia global, e sustentou 366 milhões de empregos, o equivalente a um em cada nove postos de trabalho no mundo.
No comunicado, Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, afirma que “o turismo recupera sempre” e considera que o relatório “prova aquilo que o setor tem demonstrado repetidamente: a resiliência faz parte do nosso ADN”.
“Mesmo após as crises mais severas, as pessoas continuam a viajar e os destinos regressam mais fortes, sendo que respostas mais rápidas conduzem a recuperações mais rápidas”, acrescentou.
O relatório recorda que, após a pandemia da Covid-19 — considerada o maior choque global moderno para o setor —, as viagens internacionais recuperaram de uma queda de 72% em 2020 para 1,47 mil milhões de chegadas internacionais em 2024, atingindo os mesmos níveis de 2019. Já em 2025, os gastos internacionais dos turistas alcançaram um valor recorde de 2,02 biliões de dólares.
O estudo refere ainda que, depois da crise financeira global de 2008, o setor recuperou em apenas dois anos, voltando a bater recordes de chegadas internacionais e atingindo 1,35 biliões de dólares em gastos turísticos internacionais em 2010.
Entre as principais conclusões, o WTTC destaca que a velocidade da recuperação depende sobretudo da coordenação entre governos e setor privado, da comunicação clara e da manutenção do investimento durante períodos de crise.
O relatório identifica quatro pilares essenciais para acelerar a recuperação do turismo: restaurar a confiança dos viajantes, assegurar a continuidade das empresas, garantir respostas institucionais rápidas e promover adaptação estrutural de longo prazo.
O WTTC recomenda ainda que governos e investidores reforcem o apoio às PME, mantenham a conectividade aérea, evitem reações excessivas em termos de comunicação e utilizem os períodos de crise como oportunidade para transformação e diversificação dos destinos turísticos.
A apresentação do relatório decorreu durante o primeiro “Leadership Cruise” organizado pelo WTTC, que reuniu ministros, ex-chefes de Estado e líderes empresariais do setor turístico mundial no Egito. Segundo a organização, o evento pretendeu reforçar a cooperação público-privada e acelerar a recuperação do setor num contexto de instabilidade geopolítica global.




