Quem fica com a TAP? Air France-KLM e Lufthansa entregam propostas vinculativas. Saiba o que propõem e os próximos passos

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A corrida à privatização da TAP entrou na reta final. A Air France-KLM e a Lufthansa entregaram esta quarta-feira, último dia do prazo, as propostas vinculativas para a aquisição de uma participação na companhia aérea, dando início à terceira e última etapa obrigatória do processo. Saiba o que propõem os dois grupos e quais são os próximos passos. 

“No âmbito da terceira etapa do processo de venda de referência de 44,9% do capital social da TAP, SA consagrada no artigo 13° do Caderno de Encargos (CE) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.° 141 – B/2025, a PARPÚBLICA, SGPS, S.A. anuncia que recebeu duas propostas vinculativas, apresentadas pelos interessados convidados a fazê-lo após a conclusão da segunda etapa da referida operação, Air France-KLM S.A. e Deutsche Lufthansa Aktiengesellschaft (“Deutsche Lufthansa AG”) [indicadas por ordem alfabética]”, anunciou a holding estatal Parpública, num comunicado divulgado esta quarta-feira, citado pela Lusa.

O processo prevê a venda de até 49,9% do capital da TAP, dos quais 5% estão reservados aos trabalhadores. Caso esta parcela não seja subscrita, poderá ser adquirida pelo investidor selecionado, ao abrigo de um direito de preferência.

As propostas finais devem incluir os termos financeiros e estratégicos para a entrada no capital da companhia aérea. Serão também avaliados aspetos como o investimento previsto, o desenvolvimento da frota, a aposta em áreas como a manutenção aeronáutica e os combustíveis sustentáveis, bem como o cumprimento dos compromissos laborais.

Air France-KLM

A proposta vinculativa da Air France-KLM assenta num plano estratégico que inclui uma aliança com a Delta Air Lines, parceira do grupo, nas ligações para o Atlântico Norte e a instalação de uma nova unidade de manutenção em Portugal.

Segundo o comunicado do grupo franco-neerlandês, citado pela Lusa, o plano prevê o desenvolvimento de “atividades de Manutenção, Reparação e Revisão aeronáutica (MRO) em Portugal em colaboração com a TAP Maintenance & Engineering”, parceira da Air France-KLM há mais de duas décadas. 

O grupo admite igualmente a “abertura de novas instalações de manutenção aeronáutica em zonas-chave de Portugal, dedicadas à manutenção de aeronaves e motores de última geração”, permitindo à TAP beneficiar de competências nas áreas da digitalização e da integração de inteligência artificial na manutenção. 

A proposta abrange também o transporte de passageiros, carga e o programa de fidelização, “com o objetivo de apoiar a execução da estratégia da TAP e contribuir para o desenvolvimento do setor da aviação em Portugal”. O comunicado destaca ainda que “este plano apoiaria o desenvolvimento tecnológico, criaria postos de trabalho altamente qualificados em Portugal e contribuiria para as ambições económicas do país”.

De acordo com o comunicado, a norte-americana Delta Air Lines, acionista e parceira da Air France-KLM na joint-venture transatlântica, apoia igualmente a proposta, partilhando “a ambição de reforçar ainda mais a conectividade de Portugal, nomeadamente de e para o Atlântico Norte”. 

Caso seja selecionada, a TAP passará a integrar a rede comercial global do grupo de aviação, ao lado da Air France, KLM e Transavia, celebrando também um acordo estratégico com a Delta que incluirá a “partilha recíproca de códigos e benefícios de fidelização”.

A Air France-KLM compromete-se ainda a manter os principais ativos da TAP, nomeadamente “a sua marca, a sua equipa de gestão, a sua sede e rede em Portugal, bem como o seu hub em Lisboa”. 

O grupo afirma igualmente que fará de Lisboa “o seu único hub no Sul da Europa, reforçando a rede global do grupo e expandindo a conectividade a mercados-chave, em particular nas Américas e em África”. Considera ainda que a posição da TAP nas ligações ao Brasil representa “um complemento de peso à oferta atual da Air France-KLM”, que já conta com uma parceria com a companhia aérea GOL.

Citado no comunicado, o presidente executivo da Air France-KLM, Benjamin Smith, afirmou que a proposta “não é apenas uma proposta financeira para uma companhia aérea. É um plano estratégico ambicioso, de longo prazo, abrangente e completo, para a TAP e para Portugal como um todo”. 

O responsável acrescentou que o grupo pretende apostar no “crescimento da TAP a longo prazo, não só em Lisboa, mas também no Porto e noutras cidades de Portugal” e reafirmou o “compromisso de criar um líder europeu de aviação global, apoiando ativamente a soberania europeia”.

Lufthansa

Já para a Lufthansa, a entrega de uma proposta vinculativa no processo de privatização da TAP destina-se a “estabelecer uma parceria de longo prazo” entre as empresas e vai “muito além de um investimento financeiro”, conforme cita a Lusa.

“Queremos reforçar a companhia aérea nacional portuguesa como parte do Grupo Lufthansa e como a principal companhia aérea para o Atlântico Sul, tendo Lisboa como hub estratégico”, afirmou o presidente executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, citado num comunicado.

Segundo o responsável, a integração permitiria “reforçar a posição de Lisboa como um hub atlântico estrategicamente relevante na rede do Grupo Lufthansa”, reforçando as ligações entre a Europa, a América Latina, África e a América do Norte. 

Spohr recordou ainda a adição de companhias como a SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways, afirmando que estas demonstram “como a integração europeia no Grupo Lufthansa garante perspetivas de crescimento e desenvolvimento para os nossos mercados e hubs de origem”. 

O CEO sublinhou ainda que “a proposta do Grupo Lufthansa para Portugal vai, por isso, muito além de um investimento financeiro”, lembrando que o grupo investe há várias décadas em Portugal e criando empregos qualificados. 

“O nosso interesse em adquirir uma participação na nossa parceira da Star Alliance, a TAP Air Portugal, constitui o passo lógico seguinte”, afirmou, referindo igualmente a criação da help alliance Portugal, primeira localização europeia da organização de solidariedade fora da Alemanha. “Desta forma, o Grupo Lufthansa apresenta uma proposta que reúne dimensões estratégicas, industriais, sociais e financeiras”.

A Lufthansa tem defendido o crescimento da TAP no mercado brasileiro, a expansão do hub de Lisboa e o reforço da operação no Porto. O grupo admite adquirir uma participação minoritária, mas pretende assegurar influência na gestão executiva da companhia.

Paralelamente, a Lufthansa Technik está a construir uma unidade industrial no parque empresarial Lusopark, em Santa Maria da Feira, dedicada à reparação e manutenção de componentes aeronáuticos. O investimento ascende a centenas de milhões de euros e deverá criar mais de 700 postos de trabalho qualificados até 2027.

Quais são os próximos passos?

Concluída a entrega das propostas vinculativas, a Parpública, gestora das participações do Estado, dispõe de 30 dias para apresentar aos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e do transporte aéreo o relatório final.

Este prazo poderá, contudo, ser suspenso caso seja necessário solicitar esclarecimentos a qualquer um dos proponentes, retomando apenas depois de todas as respostas serem entregues ou de expirado o prazo fixado para esse efeito.

Após esta fase, poderá ainda decorrer um período opcional de negociações destinado a melhorar as propostas antes da escolha do investidor. 

A decisão final dependerá depois de vários passos formais, incluindo a aprovação em Conselho de Ministros e a autorização das autoridades europeias da concorrência.

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