A decisão da Meliá Hotels International de cessar todas as operações em Cuba teve um impacto extraordinário de 79,4 milhões de euros nas contas do grupo no primeiro semestre de 2026, refletindo-se nas operações descontinuadas e reduzindo o lucro líquido consolidado para 4,1 milhões de euros, anunciou a cadeia hoteleira na apresentação dos resultados semestrais.
Segundo a Meliá, a decisão de abandonar o mercado cubano foi tomada pela sua filial Ilha Bela entre junho e julho deste ano, na sequência da “crescente complexidade geopolítica e macroeconómica” no país, que deu origem a “severas dificuldades operacionais, legais, económicas e financeiras” e impossibilitou “manter uma estabilidade mínima na atividade hoteleira da ilha”.
A empresa explica que o impacto extraordinário da saída de Cuba, com efeitos a partir de 24 de julho de 2026, condiciona a comparação com o primeiro semestre do ano passado. Excluindo este efeito, a Meliá registou um lucro líquido consolidado de 83,5 milhões de euros nas atividades continuadas, em linha com o período homólogo. No entanto, após constituir provisões contabilísticas relativas à totalidade dos saldos e ativos no país, as perdas associadas às operações descontinuadas ascenderam a 79,4 milhões de euros, reduzindo o resultado líquido consolidado para 4,1 milhões de euros.
Citado no comunicado, o presidente e CEO da Meliá Hotels International, Gabriel Escarrer Jaume, afirma que a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração com o objetivo de “proteger os interesses da empresa e dos seus acionistas”, preservar o acesso aos mercados financeiros internacionais e salvaguardar as oportunidades de crescimento futuro do grupo. O responsável agradeceu ainda às equipas que acompanharam a atividade da cadeia em Cuba ao longo de mais de três décadas.
Apesar deste impacto extraordinário, a Meliá aumentou as receitas consolidadas em 7,1% no primeiro semestre, para 1.047,4 milhões de euros, e registou um crescimento de 2,5% do EBITDA, que atingiu 244,7 milhões de euros.
Durante os primeiros seis meses do ano, a cadeia abriu 14 novos hotéis, com mais de 2.000 quartos, e assinou contratos para 17 novas unidades, num total de 3.816 quartos, todos sob modelos de gestão ou franchising. Segundo a empresa, o foco da expansão mantém-se em destinos de lazer, com projetos em países como Espanha, Itália, Grécia, Tunísia, México, República Dominicana e Vietname.
A Meliá prevê encerrar 2026 com, pelo menos, 40 contratos assinados (cerca de 8.400 quartos) e 30 inaugurações, correspondentes a cerca de 3.500 quartos.




