5 desafios que marcarão o setor do transporte aéreo em 2026, segundo a IATA

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Em 2025, o setor do transporte aéreo foi marcado pela ameaça de tarifas e por possíveis retaliações comerciais. No entanto, as companhias aéreas registaram um lucro líquido recorde de 39,5 mil milhões de dólares (cerca de 33 mil milhões de euros) – um número impressionante à primeira vista, que perde força quando comparado com os lucros de uma petrolífera e com a realidade de um setor que continua a operar com margens baixas, inferiores a 5%.

Com o início de um novo ano, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) identificou os principais desafios que podem comprometer o desempenho da indústria, desde ameaças cibernéticas até à fragmentação das políticas e às perturbações relacionadas com as alterações climáticas.

Fragmentação das políticas

De acordo com a IATA, o sistema multilateral do pós-Segunda Guerra Mundial encontra-se enfraquecido, sendo a fragmentação mais visível no comércio internacional. Políticas de “eu primeiro” estão a ser adotadas “com pouca preocupação” pelo seu impacto nas redes globais, sejam estas cadeias de abastecimento ou indústrias específicas, como o transporte aéreo.

As instituições internacionais estão também a ser contornadas, ameaçando desfazer 80 anos de harmonização global promovida pela Organização da Aviação Civil Internacional. Diferentes enquadramentos competem agora para determinar a forma de lidar com as emissões de CO2 do transporte aéreo, enquanto políticas fiscais fragmentadas “introduzem graves distorções concorrenciais” que se propagam por toda a rede global, mesmo quando aparentam estar focadas a nível local.

Interrupções na cadeia de abastecimento

Segundo a associação, há um atraso “persistente e recorde” nas encomendas de aeronaves. Apesar de se registarem sinais de melhoria, este problema não deverá ser resolvido antes de 2031-2034. Isso limita negativamente o crescimento do setor, mas protege os rendimentos, uma vez que os fatores de carga das aeronaves atingem o nível mais alto da história da aviação. Contudo, esta situação interrompe o progresso na melhoria da eficiência de combustível em toda a frota global e atrasa a descarbonização do setor.

Perturbações relacionadas com as alterações climáticas

As perturbações relacionadas com as alterações climáticas surgem como um dos principais desafios em 2026. A IATA refere que uma transição energética bem-sucedida para as companhias aéreas que pretendam atingir emissões líquidas de carbono zero até 2050 requer políticas estáveis e financiamento de confiança. “A redução do compromisso em abordar questões climáticas de forma coordenada irá, sem dúvida, atrasar o progresso em todas as frentes”, escreve a associação.  Os riscos associados incluem maior insegurança alimentar e hídrica e, consequentemente, aumento da migração.

Ameaças cibernéticas e inteligência artificial

As ameaças cibernéticas estão a crescer tanto em frequência como em relevância. A IATA aponta para uma convergência de riscos e vulnerabilidades, uma vez que a inteligência artificial contribui para a desinformação, perda de privacidade e erosão da confiança, além de perturbações económicas, deslocamento de empregos e maior desigualdade. As provas de que a IA gera lucros substanciais e aumento da produtividade “são escassas e podem levar anos a materializar-se”.

Perspetivas macroeconómicas

Outro dos desafios é a relevância do valor externo do dólar americano para a economia global devido à sua posição dominante nos pagamentos transfronteiriços. Com o baixo dinamismo da economia americana, espera-se que o dólar continue a desvalorizar-se em 2026. Um dólar mais fraco, refere a IATA, “beneficia os países que não o utilizam, incluindo o transporte aéreo, onde mais de metade dos custos está faturada em dólares”.

Em paralelo, o mercado petrolífero atravessa mudanças estruturais devido à eletrificação e ao maior recurso ao gás natural liquefeito, enquanto a oferta crescente tende a reduzir os preços — uma boa notícia para as companhias aéreas.

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