O TNews esteve presente na inauguração oficial do Vila Galé Collection Amazônia, em Belém do Pará, entre 29 de outubro e 4 de dezembro. À margem deste evento, falámos com três operadores turísticos, que avaliaram o potencial do destino no mercado nacional.
Gastronomia e natureza. Quais são os principais atrativos deste destino?
A nível geral, os operadores turísticos concordam que Belém do Pará tem potencial no mercado português por ser um destino diferente do habitual.
Para João Duarte, da Agência Abreu, as principais qualidades de Belém do Pará são cultura, história, gastronomia, natureza e até a praia, como é o caso da Ilha de Cotijuba. “Tudo isto faz de Belém um destino singular e autêntico, com um forte potencial de crescimento no turismo”, disse, acrescentando que a realização da COP30 “tem contribuído para importantes melhorias na cidade, como o reforço da segurança, avanços na limpeza urbana e ações de modernização nos espaços públicos”.
Por sua vez, Jaime Lopes, da Solférias, acredita que Belém do Pará tem potencial no mercado português por ser “a principal porta de entrada da Amazónia”. “É uma cidade que já é servida pela TAP em voo direto, o que ajuda para quem quer conhecer um pouco da cultura amazónica à volta de Belém”, referiu.
Já Marta Cruz, da Lusanova, considera que os principais atrativos são o “Mercado Ver-o-Peso, o centro histórico, as ilhas ao redor da cidade, que são a porta de entrada para a Amazónia, e o Museu das Amazônias”, onde é possível conhecer a história de um dos povos mais antigos da região: o indígena.


Restaurar e valorizar o património histórico. Quais são os principais desafios?
Para os operadores, os principais desafios passam pela divulgação turística e pela valorização do património histórico.
Sobre as principais adversidades, João Duarte destaca a divulgação turística, a necessidade de continuar a restaurar e valorizar o património histórico e de promover um turismo sustentável. “A divulgação turística permanece insuficiente e faz com que Belém seja pouco conhecida fora do Brasil. Esta deve ser reforçada para que a cidade fique no mindset dos portugueses”, afirmou, salientando que é “igualmente fundamental promover o turismo de maneira sustentável, respeitando o meio ambiente amazónico e as comunidades locais”. Para terminar este tema, disse que “é necessário continuar a restaurar e valorizar o património histórico, que é riquíssimo”.
Na mesma linha, Jaime Lopes considera que a falta de promoção do destino é um dos principais desafios. “Belém, em geral, carece de alguma promoção no mercado europeu. Se olharmos para aquilo que é a rota da TAP, acredito que a maior parte dos passageiros não esteja ligada ao turismo.”
Marta Cruz identifica a praia por não corresponder às expectativas do viajante português. Contudo, “temos de saber vender o destino e não o vender como destino de praia. Não vejo entrave se colocarmos Belém como aquilo que é”. Neste momento, o operador está a tentar perceber o que há de novo, mas garante que, em 2026, vai lançar este destino na programação através de um combinado com a Ilha de Marajó.
Do corporativo ao religioso. Os segmentos que mais se adequam à cidade
No que toca ao perfil de viajante, os operadores afirmam que Belém do Pará atrairá sobretudo os segmentos corporativo, religioso e cultural, muitas vezes já com conhecimento de outros destinos do Brasil.
João Duarte acredita que os segmentos prioritários para este destino são o corporativo, o gastronómico, o cultural e o de natureza. “Naturalmente, o mercado interno deverá ser o principal impulsionador da procura, embora possam surgir oportunidades para outros mercados, nomeadamente o português.”
Já Jaime Lopes partilha da mesma opinião de João Duarte quando diz que dois dos segmentos que mais se adequam à cidade são o de natureza e o cultural. Além disso, acredita que o segmento religioso também se enquadre no destino. “Dentro do cultural estamos a incluir o gastronómico, que acaba por ser complementar. Há depois outros segmentos, obviamente a questão dos cruzeiros, porque Belém é o porto de entrada dos cruzeiros de luxo que fazem o Amazonas”, referiu.
Marta Cruz, por outro lado, considera que o perfil será o viajante com “algum poder de compra”, que se enquadre na “gama média alta”. Belém do Pará é indicada “para viajantes que já conhecem o Brasil e que procuram um país para além do Rio de Janeiro”, acrescenta.

Belém do Pará: um potencial destino na programação?
De forma geral, Belém do Pará integrará a operação dos operadores, que prometem acompanhar de perto a evolução do destino.
João Duarte garante que a Viagens Abreu “acompanhará de perto a evolução do destino” e que o promoverá de forma estratégica “sempre que houver procura e condições favoráveis à sua comercialização”.
A Solférias, por sua vez, teve Belém do Pará na sua programação durante muitos anos, de acordo com Jaime Lopes, que explicou que “por não ter uma procura muito grande, foi retirada”. Contudo, voltará à programação e “o Vila Galé Collection Amazônia fará parte”.
Recorde-se que Marta Cruz anunciou que a Lusanova vai retomar a operação com destino a Belém do Pará em 2026, em voos operados pela TAP Air Portugal. O operador turístico acredita que “voar só para Belém para ficar duas noites pode ser um produto mais fraco”. Por isso, o seu objetivo é vender uma noite em Belém combinada com a Ilha de Marajó, um destino “relativamente perto, onde a principal atração são os búfalos”.




