O Vila Galé Collection Amazônia, em Belém do Pará, foi oficialmente inaugurado esta sexta-feira, 31 de outubro, num evento que contou com mais de 400 convidados. Na cerimónia, Jorge Rebelo de Almeida, presidente e fundador do grupo, fez um balanço da sua operação no Brasil e anunciou a construção de um novo hotel em Santa Catarina, Florianópolis, estado onde ganhou um concurso para desenvolver um projeto no Sapiens Parque.
A Vila Galé tem em cima da mesa 12 projetos hoteleiros, espalhados por Portugal e Brasil. Até 2027 tem em vista quatros novos projetos: São Luís do Maranhão, onde deram o pontapé de saída na recuperação de três edifícios históricos; e Coruripe, município que receberá dois hotéis, incluindo o primeiro dedicado a crianças no Brasil.
“Nós temos um conjunto de projetos muito importante. Na próxima semana vou terminar a minha viagem ao Brasil em Coruripe, onde temos dois projetos. Vamos replicar o hotel que fez grande êxito em Portugal: o das crianças, porque o nosso foco continua a ser as crianças e as famílias”, começou por dizer Jorge Rebelo de Almeida. Já em Santa Catarina, acrescentou, “ganhámos um concurso para fazer um hotel num parque tecnológico: o Sapiens Parque, o nosso primeiro projeto na região”.
O responsável aproveitou a ocasião para lembrar de um novo hotel em Brumadinho, junto ao Instituto Inhotim. Tal como já anunciado, o projeto, que resulta da assinatura de um termo de compromisso com a prefeitura local, envolve um investimento superior a 130 milhões de reais e prevê a criação de 300 empregos diretos.
“Este último ano de Vila Galé foi como todos os outros, porque nós reinvestimos tudo o que ganhamos, não temos pressão nenhuma para distribuir lucros. Por outro lado, todos temos o prazer de fazer e realizar coisas […], e o grande desafio do Brasil é recuperar património. As cidades que não recuperam o seu centro histórico são cidades sem alma, e nós temos prazer em pegar num prédio que está morto e reaviva-lo.”
Presente na conferência, Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da Vila Galé, garantiu que estes investimentos são feitos com capitais próprios, gerados pelos 52 hotéis da rede. Por outro lado, disse, “não há distribuição de dividendos aos acionistas e não temos outro tipo de investimento. Ou seja, nós não investimos noutros setores de atividade, não investimos em aplicações financeiras, não investimos em bolsa, não investimos noutros fundos e, portanto, todo o investimento está concentrado no negócio hoteleiro”.

O Vila Galé Collection Amazônia surge num momento em que Belém do Pará se prepara para receber a COP30, que arranca a 10 de novembro e reúne milhares de pessoas de todo o mundo, posicionando a região no mapa do turismo e de outros grandes eventos. “O que estes eventos têm de positivo não é tanto aquilo que são capazes de produzir no momento em que eles acontecem. É que todos eles são eventos com alguma notoriedade internacional e nacional e que trazem uma maior comunicação da marca e do destino. E se os destinos, ao receberem estes eventos, souberem aproveitar para trabalhar a marca do ponto de vista do que têm de atrativo para oferecer – ou seja, se Belém, no fundo, se estiver a posicionar como uma cidade capaz de receber outros grandes eventos internacionais e não apenas este —, então há aí um potencial acrescido de não ficar só com este [evento]”, afirmou Gonçalo Rebelo de Almeida.
As perspetivas para o novo hotel são positivas. “Temos algumas expectativas de fazer algum resultado, mas ainda não é um ano completo. Contudo, acreditamos que em 2026 já será possível passar dos 50% de ocupação”, referiu.
O Vila Galé Collection Amazônia tem como tema central a mulher e dispõe de 227 quartos, bar, spa, biblioteca, duas piscinas, incluindo uma aquecida, e quatro salas de conferência, que acomodam até 500 pessoas. A isto junta-se um restaurante buffet e, brevemente, um à la carte.
Fruto de um investimento de 180 milhões de reais (29 milhões de euros), a unidade hoteleira foi feita através de um desafio proposto ao grupo pelo governador Helder Barbalho e pelo ministro Rui Costa. “Quer o governador quer o ministro Rui Costa [da Casa Civil do presidente Lula da Silva] vieram-nos fazer o desafio de construirmos em 11 meses este hotel para a COP30, porque estava o desespero, faltava hotelaria, e nós não somos de meias medidas: viemos fazer um hotel, não foi um hotelzinho, mas um hotelzão”, afirmou, por sua vez, Jorge Rebelo de Almeida.
Estratégia no mercado português
À margem do evento, Pedro Ribeiro, diretor de marketing e vendas da Vila Galé, destacou que, neste momento, devido à COP, “temos tido uma procura muito grande de empresas portuguesas, quer a nível institucional quer a nível governamental”.
No pós-COP, acrescentou, “pensamos que este hotel pode ser muito interessante. Para já, temos um voo direto da TAP para cá, o que ajuda. Depois, temos uma cidade que realmente é a porta de entrada da Amazónia”.
O objetivo passa por integrar o hotel em circuitos culturais organizados, ou seja, acolher pessoas que pretendam entrar na floresta. “Vamos ter uma parceria com uma agência que vai estar dentro do hotel com um barco próprio para realmente termos essa envolvência com a Amazónia. Além disso, [o hotel] é também a porta de entrada para produtos que chegam da Amazónia para a cidade. Portanto, há aqui uma série de pontos que pode interessar ao mercado português.”
Contudo, Pedro Ribeiro acredita que o segmento deste hotel será um pouco diferente do habitual. “Nós estamos habituados a trabalhar os segmentos de lazer e o Vila Galé Collection Amazónia será destinado a pessoas de passagem que pretendam entrar na floresta ou até para fazer um combinado com uma estadia de praia”, disse, sublinhando que “vai haver uma procura forte porque é um destino novo e diferente”.
Sobre os principais mercados, o responsável identificou o americano e o alemão. “Existem alguns mercados que têm uma procura muito interessante aqui, desde o próprio americano e alemão até alguns mercados do norte da Europa. Acredito que podemos realmente trabalhar nesse sentido de nos unir, mas acho que inicialmente teremos esses mercados que têm um interesse muito próprio em termos corporativos. Pensamos que o português vai demorar um pouco mais, mas tem esse potencial, como tem em todo o resto do Brasil, para ser o segundo mercado.”
Vila Galé presente em quatro países com 52 hotéis
A Vila Galé conta atualmente com 52 hotéis, espalhados por Portugal, Espanha, Brasil e Cuba. O objetivo, segundo Jorge Rebelo de Almeida, é investir em projetos que promovem o turismo, unindo história, cultura e sustentabilidade.
Futuramente, o grupo planeia abrir 12 novos empreendimentos. Em Portugal, serão inaugurados cinco hotéis: Vila Galé Miranda do Douro; Vila Galé Penacova; Vila Galé Paço Real de Caxias; Vila Galé Tejo (na Quinta da Cardiga); e Palácio Almada Carvalhais, no Conde Barão, em Lisboa.
Em Cuba, por sua vez, reforçou significativamente a sua presença com a entrada em operação de três novas unidades hoteleiras: o Vila Galé Express Park View, em Havana, o Vila Galé Tropical Varadero, e o Vila Galé Cayo Santa María. A operação resulta de um acordo de gestão com a Gaviota, empresa pública cubana proprietária dos hotéis.
*Em Belém do Pará a convite da Vila Galé



