A Details – Hospitality, Sports, Leisure, plataforma de gestão de ativos da Arrow Portugal, vai abandonar, ainda durante este mês, as marcas atualmente associadas aos hotéis de Tróia e anunciar novas marcas próprias para as unidades sob sua gestão. A revelação foi feita por Francisco Moser, co-CEO Hospitality da Details, em entrevista ao TNews.pt, realizada na semana em que abriu também portas o Hyatt Regency Vilamoura Algarve, resultado do rebranding do antigo Dom Pedro Vilamoura.
“Vamos abandonar as marcas no final deste mês e vamos anunciar as novas marcas. Não posso, infelizmente, anunciar já em primeira mão, mas posso garantir que não serão marcas internacionais e que serão marcas próprias”, afirmou Francisco Moser, explicando que esta decisão se enquadra no reposicionamento dos ativos adquiridos pela Arrow Global em Tróia, num negócio concluído em maio do ano passado.
Segundo o responsável, Tróia é um destino com uma componente natural “absolutamente fantástica”, mas com uma sazonalidade ainda muito marcada, algo que a Details pretende contrariar. O plano passa pelo reposicionamento dos hotéis Aqualuz e The Editory, bem como da componente residencial, com intervenções ao nível da melhoria dos quartos, das áreas públicas e do conforto do hóspede. Em paralelo, o campo de golfe esteve encerrado para obras de reposicionamento. “O campo de golfe de Tróia tem uma localização absolutamente única e vamos melhorá-lo”, sublinhou.
A estratégia para o destino inclui uma aposta clara nos segmentos MICE, desporto e experiências fora da época alta. A Details está a recrutar a equipa de gestão dedicada a Tróia, com o objetivo de capacitar as unidades, melhorar o serviço e atrair procura ao longo de todo o ano. “Queremos fazer negócios fora da estação alta, trazer equipas, apostar no centro desportivo e nas experiências do destino”, explicou.
Esta abordagem reflete o modelo que a Details tem vindo a aplicar noutros destinos, baseado na integração entre hotelaria, desporto, lazer e desenvolvimento imobiliário, que Francisco Moser identifica como o verdadeiro DNA da plataforma. “Este triângulo entre desporto, lazer, hotelaria e real estate é muito o nosso DNA”, afirmou, acrescentando que esta estratégia integrada tem permitido aumentar o reconhecimento dos destinos, melhorar a performance dos ativos e acelerar vendas no real estate, embora se trate de uma visão de médio e longo prazo.
Reposicionar Vilamoura
A entrevista decorreu na semana da abertura do Hyatt Regency Vilamoura Algarve, unidade que substitui o antigo Dom Pedro Vilamoura. Francisco Moser sublinha que Vilamoura é central na estratégia da Details, num plano iniciado em 2021 com a aquisição da Vilamoura World e que incluiu posteriormente do portfólio Dom Pedro, dos hotéis Hilton em Vilamoura e da Estalagem das Cegonhas.
Além do Hyatt Regency, está prevista para o final de 2026 a abertura do Canopy by Hilton Vilamoura Algarve, resultado da transformação do antigo Dom Pedro Marina. Estes projetos articulam-se com o reposicionamento dos campos de golfe, das club houses, do centro equestre — que será totalmente reformulado e deverá abrir ao longo de 2026 —, com a ampliação da Marina de Vilamoura e com vários desenvolvimentos de real estate com componente turística. “Tudo isto vai permitir tocar numa clientela mais diversificada, aumentar a estada média e mudar o padrão de procura de Vilamoura”, explicou.
Francisco Moser destaca ainda a evolução positiva do Algarve enquanto destino, com maior diversificação de mercados e um crescimento gradual da procura norte-americana, apoiado pela presença de marcas internacionais como Hilton e Hyatt, embora reconheça que os mercados britânico e irlandês continuam a ser dominantes, sobretudo no golfe.
Quanto ao desempenho dos ativos geridos pela Details em 2025, o responsável reconhece que as comparações diretas são difíceis, dado que muitos hotéis se encontram em diferentes fases de investimento, encerramento e reabertura. Ainda assim, garante que o ano terminou em linha com as previsões. “Nos ativos comparáveis, melhorámos a performance entre 5% e 10%, tanto em vendas como em resultados”, afirmou, classificando 2025 como um ano positivo, embora marcado por processos de reposicionamento.
Atualmente, a Details gere um portefólio composto por hotéis, apartamentos turísticos e 12 campos de golfe, sendo o maior operador de golfe em Portugal. Na Madeira, onde gere os hotéis Dom Pedro Garajau Apartment Hotel & Nature e Dom Pedro Madeira Ocean Beach Hotel, os resultados cresceram cerca de 20% desde a entrada da plataforma, fruto de uma nova estratégia de serviço e distribuição, embora os projetos de reposicionamento estrutural ainda não tenham calendário definido.
A nível internacional, a expansão já começou, com a assinatura de um contrato de asset management para o Hotel Puro Santa Ponsa, em Palma de Mallorca, propriedade da Arrow. Segundo Francisco Moser, existe apetite para expandir o footprint da Arrow no sul da Europa, e a Details deverá assumir esse papel enquanto plataforma de gestão hoteleira do grupo.
Em Portugal, estão em curso vários projetos adicionais, muitos deles greenfield ou de reconversão total, incluindo a requalificação da Estalagem das Cegonhas, em Vilamoura, em parceria com o grupo francês Barrière, e o desenvolvimento de um novo hotel em Monte Rei, com cerca de 100 quartos.
Olhando para 2026, Francisco Moser identifica quatro eixos estratégicos prioritários: tecnologia, produtividade, qualidade percebida pelo cliente e manutenção contínua dos ativos. A inteligência artificial deverá ser utilizada sobretudo para substituir funções de back office e tarefas repetitivas, enquanto a aposta em formação, estabilização e motivação das equipas será determinante para melhorar a produtividade e a experiência do cliente.
“O mercado é cada vez mais concorrencial. Não somos só nós todos a trabalhar bem, toda a nossa concorrência direta trabalha muito bem também. Felizmente, quando há uma boa concorrência, obriga-nos a ser mais dinâmicos, muito mais inovadores, portanto, puxa por todas. O que eu espero é uma certa estabilização, de uma forma geral”, afirmou, acrescentando que Portugal atingiu um nível de procura muito significativo. “O caminho passa por melhorar o preço médio, aumentar a duração das estadias e ter melhores turistas, não necessariamente mais”, concluiu.




